Bloomberg Línea — Uma das maiores companhias do país, o grupo Simpar (SIMH3) vê um cenário mais desafiador para novas aquisições no Brasil, o que tem levado a empresa a adotar uma estratégia de consolidação de seus negócios atuais depois de uma fase de rápida expansão na última década.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO Fernando Simões afirmou que o foco do grupo tem sido extrair valor dos ativos comprados depois do encerramento de um ciclo importante de investimentos em 2024.
“Estamos completando 70 anos de história. Ao longo do tempo, aprendemos a ler os pequenos sinais para que não tenhamos um problema grande à frente”, disse.
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Fernando é filho de Julio Simões, fundador da JSL (JSLG3), transportadora que deu origem ao conglomerado.
Como sucessor, ele afirma trabalhar para que a Simpar não perca o foco ao se tornar cada vez maior.
“Olhamos ativamente para novas oportunidades de mercado, mas diante do custo do dinheiro, a viabilidade para aquisições está mais difícil. Hoje, não é uma prioridade da companhia.”
Ele acrescenta que os ativos avaliados precisam fazer sentido dentro do portfólio já existente.
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O grupo hoje controla empresas nos ramos de aluguel de carros (Movida), locação de caminhões, máquinas e equipamentos (Vamos), concessionárias (Automob), gestão de frotas para o setor público (CS Brasil), concessões de infraestrutura (CS Infra) e gestão de resíduos e saneamento (Ciclus), além de logística (JSL).
Ações da Simpar (SIMH3)
Sem um horizonte de redução significativa dos juros, cada empresa do grupo enfrenta um desafio particular.
Simões diz que o foco nos ativos atuais não tem relação com o endividamento, mas com o fato de a empresa estar em um momento de consolidação dos negócios atuais.
O executivo observa que o grupo vem se apoiando no mercado para financiar o crescimento desde a abertura de capital da JSL em 2010.
“O juro é um dos componentes do nosso custo. Temos a tranquilidade de dizer que isso não nos assusta, até porque não chegamos aqui no susto. Foi através de muito trabalho e planejamento estratégico.”
Aumento de custos
Analistas de mercado apontam o contexto de escalada do petróleo como uma preocupação principalmente para a JSL, já que combustível é um componente significativo nos custos da transportadora.
Simões relata que muitas empresas do segmento da JSL não conseguem aplicar a precificação correta para manter a saúde dos negócios.
“Devido à estrutura de custos ou dependência de determinados setores, muitos concorrentes acabam não conseguindo repassar o aumento de custos. Temos a responsabilidade, junto ao cliente e à sociedade, de garantir sustentabilidade aos negócios, cobrando o preço justo.”
A Simpar também enxerga nas Parcerias Público-Privadas (PPPs) voltadas para serviços um nicho de atuação com potencial de crescimento.
Na última quarta-feira (24), a CS Infra, empresa de concessões de longo prazo do grupo, assinou o contrato referente à PPP “Mais Escolas Paraná” para ampliar e modernizar a infraestrutura de educação.
Com investimento estimado de R$ 1,5 bilhão ao longo de 20 anos, o projeto prevê a construção de 40 novas unidades educacionais em 31 municípios, com 29 mil novas vagas.
A disputa, ocorrida em março, marcou a entrada da CS Infra no segmento de infraestrutura social, ampliando o portfólio de projetos da empresa, que já possui concessões de rodovias, terminais portuários e de mobilidade.
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No modelo do Mais Escolas Paraná, a concessionária assume a entrega, a infraestrutura e outros 21 serviços administrativos e de apoio, como limpeza e higiene, manutenção predial, portaria, vigilância eletrônica, entre outros.
Dívida e consolidação
A Simpar registrou ao final do primeiro trimestre uma alavancagem medida pela relação dívida líquida sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 2,8 vezes.
Simões afirma que o endividamento está sob controle e agora é o momento de consolidar as aquisições do passado recente. Isso não significa, contudo, uma jogada defensiva, acrescentou o executivo.
“Temos crescido de forma orgânica. Não estamos na defensiva, nem perdendo oportunidades.”
Ele reforça que os encontros anuais de gestores do grupo, realizados em dezembro, se concentram amplamente na estratégia dos 24 meses seguintes. “Mas as ações são pensadas para perpetuar a companhia.”
O executivo esclarece que conhecer profundamente o seu trabalho é ponto de partida para não “perder o sono”.
“Se você conhece bem o seu negócio, isso evita problemas no futuro. E fica fácil dizer não, aos outros e a você mesmo, muitas vezes.”
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