Bloomberg Línea — A Multiplan (MULT3) reconheceu no segundo trimestre de 2026 cerca de R$ 253 milhões em créditos de PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) ao encurtar de 300 para 24 meses o prazo de apropriação desses valores.
O CFO da companhia, uma das maiores administradoras de shopping centers do Brasil voltados às classes A e B, atribui a decisão ao fim das duas contribuições, previsto para o encerramento deste ano devido à reforma tributária.
“Nós tivemos aqui o crédito de PIS e Cofins registrado na companhia que era apropriado em 300 meses, ou 25 anos, e que passou a ser apropriado em 24 meses”, disse Armando d’Almeida Neto, vice-presidente e diretor financeiro da Multiplan, em entrevista à Bloomberg Línea.
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A revisão da metodologia foi aprovada em maio de 2026, e os cálculos foram feitos até março de 2026. Não há menção explícita à reforma tributária no relatório do segundo trimestre. Indagado sobre o que motivou a antecipação, o executivo citou o prazo de validade da reforma.
“Esse crédito, quando chega no final do ano com a reforma tributária, ele se perde”, explicou d’Almeida Neto, em referência ao cenário descartado pela companhia, no qual o prazo de 300 meses seria mantido.
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O dispositivo citado pela companhia permite que empresas optem por descontar em 24 meses os créditos das duas contribuições sobre edificações incorporadas ao ativo imobilizado, em vez de acompanhar a depreciação do bem, que para imóveis costuma ser calculada em 25 anos.
A Multiplan encerrou junho com 20 shopping centers e duas torres corporativas, somando 956.482 metros quadrados de área bruta locável.
O PIS e Cofins serão extintos em 2027, quando entra em vigor a cobrança efetiva da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), criada pela Emenda Constitucional 132, de 2023, e regulamentada pela Lei Complementar 214, de 2025.
Este ano funciona como fase de teste, em que os novos tributos são destacados nas notas fiscais sem recolhimento efetivo, embora a contabilidade das empresas já precise contemplar a mudança.
O efeito do reconhecimento está visível na demonstração de resultados. A linha de tributos sobre receitas, que no segundo trimestre de 2025 deduziu R$ 47,2 milhões, aparece agora com sinal positivo de R$ 208,9 milhões.
Por isso a receita líquida do trimestre, de R$ 846,8 milhões, superou a receita bruta, de R$ 637,9 milhões.
No balanço patrimonial, a conta de impostos e contribuições sociais a compensar saltou para R$ 235,2 milhões no ativo circulante e passou a registrar R$ 127,7 milhões no não circulante, valor que não existia em março.
“Isso impacta o caixa da companhia, porque se estou compensando o imposto mais rápido, vou pagar menos imposto”, disse o executivo.
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O crédito responde por parte dos recordes divulgados. O Ebitda somou R$ 699,2 milhões, alta de 52%. Excluídos os R$ 253 milhões, o indicador ficaria em torno de R$ 446 milhões, ante R$ 460,1 milhões um ano antes.
O lucro líquido no segundo trimestre cresceu 61,7%, para R$ 427,4 milhões, e o fluxo de caixa operacional avançou 76,3%, para R$ 515,7 milhões.
Inadimplência
Na mesma página em que informa o crédito tributário, o relatório da Multiplan traz um gráfico de inadimplência líquida e margem NOI sob o título “a recorrência do não recorrente”. A expressão se refere à inadimplência, segundo o executivo.
Ele afirma que analistas classificam como não recorrente a recuperação de valores atrasados e discorda desse critério, já que a inadimplência entra no resultado quando é despesa.
“Quando a gente consegue recuperar [a inadimplência], eu também não vejo isso como não recorrente”, disse o CFO.
“O que é considerado não recorrente passou a acontecer com bastante frequência. Por isso que a gente chamou de a recorrência do não recorrente”, completou.
A inadimplência líquida ficou negativa em 1,2% no trimestre, o oitavo indicador negativo em 12 trimestres.
Já a margem do NOI (Resultado Operacional Líquido) chegou a 95,9%, recorde para um segundo trimestre, depois de 89,7% no primeiro trimestre, quando a inadimplência líquida havia sido positiva em 2,4%. O NOI somou R$ 529,9 milhões, alta de 6,7%.
“Não acho que o 94%, 95% é um novo patamar”, disse o executivo sobre a margem.
Efeito da expansão do Morumbi
Na operação, as vendas dos lojistas somaram R$ 6,75 bilhões, alta de 7,7%, mesmo com quatro dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo em junho, quando os shoppings funcionaram em horário reduzido.
O MorumbiShopping vendeu R$ 931,8 milhões, avanço de 25%, no primeiro intervalo trimestral completo após a sexta expansão, com vendas nas mesmas lojas de 9,4% e alta de 19,9% no fluxo de veículos.
“O Morumbi todo crescer, ser impactado positivamente, absolutamente não nos surpreendeu. Foi planejado para isso, foi parte da nossa estratégia”, afirmou d’Almeida Neto.
Espaço para reajuste de locação
A receita de locação cresceu 3,2%, para R$ 441,3 milhões, abaixo do IPCA de 4,6% em 12 meses, com efeito de reajuste do IGP-DI de apenas 1,4% no período.
O custo de ocupação dos lojistas caiu para 12,3%, o menor nível para um segundo trimestre desde a abertura de capital, em 2007. Perguntado se sobra espaço para elevar aluguéis no próximo ciclo, o executivo respondeu que sim.
“Claro que sim, claro que sim”, disse.
O investimento em revitalizações recuou 43,8%, para R$30,8 milhões, equivalente a 4,6% do NOI.
“O capex de revitalização tem diminuído porque nós completamos um ciclo grande de investimentos”, explicou d’Almeida Neto, ao citar o plano anunciado em 2023.
A companhia estuda quatro novas expansões, no VillageMall, BH Shopping, Park Shopping São Caetano e Jundiaí Shopping, e prepara um projeto de uso misto de 72 mil metros quadrados ao lado do VillageMall. A alavancagem encerrou junho em 1,93 vez o Ebitda de 12 meses, ante 2,13 vezes em março.
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