Mais Mu e Plamev Pet são as primeiras PMEs a obter registro em novo regime da CVM

Fabricante de suplementos e plano de saúde para animais conquistam o registro Categoria A na BEE4, plataforma de mercado de capitais para empresas emergentes; o feito inaugura o Regime Fácil, novo marco regulatório que reduz custos de abertura de capital e permite captações de até R$ 300 milhões por ano

Equipe da Mais Mu celebra a listagem na BEE4: fabricante de snacks saudáveis é uma das primeiras PMEs a abrir capital pelo novo Regime Fácil da CVM

Bloomberg Línea — Duas pequenas empresas brasileiras tornaram-se nesta semana as primeiras a obter registro no Regime Fácil, novo marco regulatório que abre o mercado de capitais para companhias de menor porte, segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e a BEE4, plataforma de negociação voltada a empresas emergentes.

Atualmente a BEE4 conta com quatro companhias listadas (Mais Mu, Plamev Pet, Engravida e Eletron Energia).

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A Mais Mu, fabricante de suplementos e snacks, e a Plamev Pet, empresa independente de planos de saúde para animais do Brasil, conquistaram o registro na Categoria A, a mais completa do sistema, que autoriza a emissão tanto de ações quanto de dívida.


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Fundada em 2014, a Mais Mu tem portfólio de mais de 60 produtos nas linhas de proteínas, baixo açúcar e plant based, e faturou R$ 111,1 milhões em 2025, segundo a BEE4. O registro foi concedido pela CVM na última quinta-feira (28), um dia depois da Plamev Pet.

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A operadora de planos de saúde para pets, fundada em 2013 em Minas Gerais, atua no segmento preventivo para cães e gatos, e se apresenta como o maior player independente desse nicho de planos de saúde veterinários, num mercado nacional que movimentou R$ 75,4 bilhões em 2024 e transformou o Brasil no terceiro maior mercado pet do mundo, segundo a Abinpet, associação do setor.

Os dois setores (alimentos funcionais e saúde animal) estão entre os de maior crescimento no consumo brasileiro, impulsionados pela valorização do bem-estar humano e pelo avanço da chamada humanização dos pets.

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A Mais Mu tem uma trajetória relevante na BEE4: realizou uma oferta pública pulverizada na plataforma, recebeu investimento de um fundo da British American Tobacco (BAT) e acumula quase mil pessoas físicas como acionistas minoritários. Em março, foi protagonista da primeira oferta pública de notas comerciais sob o Regime Fácil, com operação de renda fixa estruturada pelo Itaú BBA.

O que é o Regime Fácil

O Regime Fácil, em vigor desde 16 de março, simplifica o acesso ao mercado de capitais para empresas de menor porte.

Companhias com faturamento até R$ 500 milhões podem captar até R$ 300 milhões por ano. Os custos de abertura de capital, que no mercado tradicional chegam a R$ 10 milhões, caem para entre R$ 300 mil e R$ 400 mil.

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Para operacionalizar o novo marco, a BEE4 lançou em março quatro produtos com diferentes níveis de complexidade e custo.

O mais simples, o BEE4 Go, não exige que a empresa abra capital. Os demais (Traction, Direct e Classic) permitem emissões de dívida ou ações com graus crescentes de estrutura regulatória. As liquidações são processadas pela Núclea, maior infraestrutura bancária do país.

Vencedores de reality show

A chegada das duas empresas a esse patamar tem uma história anterior ao próprio regime. Ambas foram listadas na BEE4 ainda durante o período de sandbox regulatório da CVM, um ambiente experimental para testar modelos inovadores sob regras provisórias.

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A plataforma também promoveu o Rota Fácil, reality show exibido no canal BM&C News que selecionou dez PMEs para receber cerca de R$ 500 mil cada em subsídios para listagem. As vencedoras, anunciadas em 22 de abril, foram 3e Soluções, Dimatelas, Glux, Grupo RÃO, Safertrip, Sementes Esperança, Stoque, Tutors, Vapza e Vellore.

“A BEE4 foi pioneira propondo e testando as regras para viabilizar a listagem de PMEs no mercado de capitais, que culminaram no Regime Fácil”, disse Patricia Stille, CEO da BEE4, em nota enviada em março.

Em abril, a plataforma recebeu como investidora a IFC (International Finance Corporation), braço de investimentos privados do Grupo Banco Mundial, num movimento que sinaliza o reconhecimento internacional do modelo.

O registro das duas empresas formaliza essa trajetória e abre uma porta para fundos de investimento que administram aproximadamente R$ 2,5 trilhões em crédito privado no país, mas só podem comprar crédito de companhias registradas como de capital aberto na CVM.

Hoje apenas 700 empresas no país têm esse registro, segundo disse Rodrigo Fiszman, chairman da BEE4, à Bloomberg Línea em janeiro.

Empresas com faturamento relevante, mas distante do porte exigido para abrir capital na bolsa tradicional, passam a contar com uma rota estruturada para captar recursos, diversificar fontes de financiamento e reduzir a dependência do crédito bancário, segundo o executivo.

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