Hapvida exposta e Rede D’Or ilesa: os impactos do reajuste da ANS, segundo J.P. Morgan

Análise do banco aponta quem ganha e quem perde com reajuste de 5,11% nos planos de saúde. Com 18% do portfólio em planos individuais, Hapvida (HAPV3), é o nome mais pressionado. Rede D’Or (RDOR3) e SulAmérica ficam blindadas, com exposição abaixo de 5%

A nurse works in the Covid-19 intensive care unit (ICU) at the Emilio Ribas Institute of Infectious Disease hospital in Sao Paulo, Brazil, on Friday, Dec. 4, 2020. Sao Paulo will have 46 million doses of Coronavac available for vaccination by the first half of January, Governor Joao Doria said.

Bloomberg Línea — A Hapvida (HAPV3) é o nome mais vulnerável ao teto de reajuste fixado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) para planos individuais, enquanto Rede D’Or (RDOR3) praticamente não sente o impacto.

A assimetria entre as operadoras listadas é o centro da análise publicada pelo J.P. Morgan pelo analista Joseph Giordano na sexta-feira (29), mesmo dia em que a agência reguladora divulgou o índice de 5,11% para contratos firmados após janeiro de 1999.

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Cerca de 18% do portfólio da Hapvida está alocado nessa modalidade, a maior fatia entre as empresas listadas cobertas pelo banco.


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O J.P. Morgan mantém recomendação neutra para HAPV3, cotada a R$ 12,48, e reconhece dois atenuantes: a alta rotatividade nesses contratos e o reprecificamento de novas vendas devem suavizar o efeito nos resultados.

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As ações da Hapvida acumulam desvalorização de 17% no ano e de 71% em 12 meses.

Para Rede D’Or e SulAmérica, a exposição combinada fica entre 2% e 5% do portfólio total, com provisionamento já constituído nas carteiras antigas.

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“O efeito direto deve ser negligenciável”, registra o banco em referência às duas operadoras, que mantém overweight (equivalente à compra) para RDOR3 com preço-alvo de R$ 48, contra cotação de R$ 34,47. As ações da Rede D’Or acumulam queda de 17% no ano e de 10% em 12 meses.

A Bradsaúde (SAUD3), do Bradesco, está na mesma categoria de exposição residual, sem recomendação formal do banco. As ações da holding de saúde valorizaram 19% no ano e 22,5% em 12 meses.

Menor sinistralidade explica menor índice

O reajuste de 5,11% ficou abaixo dos 7,2% projetados pelo J.P. Morgan e é o menor desde o ano 2000, quando o teto foi de 5,42%, excluído 2021, quando a pandemia reduziu o uso de serviços de saúde e a ANS autorizou redução de 8,19% nas mensalidades.

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O resultado reflete um ambiente em que as operadoras gastam menos com consultas, exames e internações do que arrecadam em mensalidades, a chamada sinistralidade, em níveis historicamente baixos, o que comprimiu o reajuste deste ano, avalia o banco.

A notícia é negativa para a indústria, mas a extensão do dano depende de quanto cada operadora mantém exposição a uma modalidade cujos portfólios seguem em declínio, segundo a análise.

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Prestadores hospitalares ficam fora do raio de impacto. As negociações de preços entre operadoras e hospitais seguem dinâmica própria de repasse inflacionário, sem ancoragem no teto regulatório, aponta o J.P. Morgan.

Há ainda uma defasagem de calendário que dilui o efeito no curto prazo. O reajuste só pode ser aplicado no mês de aniversário de cada contrato.

Para planos com aniversário em maio ou junho, a cobrança começa em julho ou agosto, com retroatividade ao mês de início. O impacto financeiro deve aparecer de forma mais nítida nos balanços do segundo semestre, segundo o banco.

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