Governo do DF tomará empréstimo de R$ 6,5 bi do FGC para socorrer o BRB

Os recursos do Fundo Garantidor de Créditos serão usados para capitalizar o Banco de Brasília, que enfrenta insuficiência de capital em decorrência de operações realizadas com o Banco Master

Acordo só foi possível depois que o governo federal concordou em flexibilizar regras que impediam o Distrito Federal de contratar um empréstimo de valor tão elevado (Foto: Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
Por Matheus Piovesana - Franco Dantas

Bloomberg — O governo do Distrito Federal buscará tomar R$ 6,5 bilhões em empréstimos do Fundo Garantidor de Créditos para socorrer seu banco estatal, que enfrenta dificuldades para se recuperar dos efeitos da quebra do Banco Master.

O governo do DF tomará o empréstimo junto ao FGC, como o fundo é conhecido, afirmou nesta quinta-feira (28), em Brasília, o advogado-geral substituto da União, Flavio Roman, a jornalistas. O financiamento terá garantias fornecidas por um consórcio de bancos e por repasses que a capital recebe do governo federal.

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Os recursos serão usados para capitalizar o Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo distrital que enfrenta insuficiência de capital em decorrência de operações realizadas com o Banco Master, o banco brasileiro liquidado pelo Banco Central em novembro no que autoridades classificaram como o maior caso de fraude bancária da história do país.


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Os maiores bancos do Brasil devem participar do consórcio. Entre eles estão Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Bradesco, Banco Santander Brasil e Banco BTG Pactual, segundo uma pessoa envolvida nas negociações que pediu anonimato por tratar de informações não públicas.

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O plano mais recente, ainda em elaboração, prevê que cada uma dessas instituições ofereça garantias de R$ 1 bilhão, e seguem as discussões sobre a possibilidade de os R$ 500 milhões restantes serem divididos entre outros bancos que integram o fundo garantidor, disse a fonte.

O FGC informou que não comenta assuntos relacionados a bancos associados. O Banco do Brasil não comentou, e representantes do BRB e das outras cinco instituições não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

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O acordo só foi possível depois que o governo federal concordou em flexibilizar regras que impediam o Distrito Federal de contratar um empréstimo de valor tão elevado. A estrutura não envolverá um socorro financeiro da União, hipótese rejeitada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O BRB comprou carteiras de crédito do Banco Master que, segundo as autoridades, eram fraudulentas, e recebeu R$ 21,9 bilhões em ativos da instituição liquidada. Com a liquidação do Master, a situação do BRB se deteriorou e o banco passou a correr contra o tempo para evitar uma crise de liquidez.

Leia também: BRB fecha acordo com a gestora Quadra para vender R$ 15 bi em ativos do Banco Master

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O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso sob acusação de receber imóveis de luxo do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, em troca de facilitar a concretização das operações.

Um dos poucos bancos regionais ainda em operação no Brasil, o BRB teve aprovado por seus acionistas, em abril, um aumento de capital de R$ 8,8 bilhões, do qual os recursos do empréstimo farão parte. O banco também vem vendendo ativos, incluindo alguns recebidos do Master, para ajudar a cobrir o rombo.

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