Como os brasileiros se tornaram o novo foco desta rede de cruzeiros fluviais na Europa

Em entrevista à Bloomberg Línea, Catherine Powell, CEO da AmaWaterways, conta como a demanda brasileira levou ao lançamento do AmaBrasil, produto com atendimento em português no Danúbio e no Reno, dentro do maior plano de expansão da história da companhia

O AmaMagna, navio de largura dupla da AmaWaterways, navega pelo Danúbio em frente ao Parlamento húngaro, em Budapeste
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Bloomberg Línea — Dormir em Viena e acordar em Bratislava, na vizinha Eslováquia, sem aeroporto, sem refazer as malas, sem trocar de hotel. A imagem é da própria Catherine Powell, CEO da AmaWaterways, para explicar por que o cruzeiro fluvial virou objeto de desejo do viajante de luxo.

Os navios da companhia americana, fundada por pioneiros europeus da navegação fluvial, levam em média 150 hóspedes, navegam à noite e atracam pela manhã no centro histórico da cidade seguinte, com refeições, mais de 30 rótulos de vinho, excursões guiadas e Wi-Fi incluídos.

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“Não é nada como um navio no oceano. É muito mais como um hotel. Mas um hotel que te leva para o centro da cidade que você está visitando”, disse a executiva em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea.

Esse hotel flutuante agora vai falar português. O crescimento do público brasileiro levou a AmaWaterways a lançar, pela primeira vez, saídas com atendimento integralmente em português na Europa, pelos rios Danúbio, que corta a Europa Central de Viena a Budapeste, e Reno, que liga a Suíça à Holanda passando por Alemanha e França.


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“Nós vamos continuar a investir no Brasil para alcançar essa demanda crescente. Por isso criamos esse produto brasileiro específico, o AmaBrasil. Isso é absolutamente em resposta ao mercado crescente”, afirmou Powell.

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Entre 2024 e 2025, o número de brasileiros a bordo dos navios da companhia cresceu cerca de 33%. Com as novas saídas em português, a expectativa é manter a procura aquecida.

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O apetite tem respaldo no setor: mais da metade dos viajantes brasileiros de alto padrão considera fazer um cruzeiro fluvial, segundo o Relatório de Tendências de Turismo de Luxo na América Latina 2026, da ILTM (International Luxury Travel Market) com a Panrotas.

Powell conhece o consumidor brasileiro de perto. Antes da AmaWaterways, foi executiva do Airbnb, onde o Brasil estava entre os mercados mais engajados.

“Alguns dos nossos melhores anfitriões estavam no Brasil. É um mercado muito especial para mim”, contou.

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Catherine Powell, CEO da AmaWaterways: 'Os brasileiros conhecem a Europa muito bem. O que é novo para eles é o cruzeiro fluvial

Na avaliação dela, o brasileiro de alto poder aquisitivo já domina os roteiros clássicos europeus e procura outra forma de percorrê-los.

“Os brasileiros conhecem a Europa muito bem, são viajantes incríveis. O que é novo para eles é o cruzeiro fluvial.”

A executiva descreve esse viajante em detalhes: viaja em família, em grupos grandes e multigeracionais, quer comer junto, explorar junto, e valoriza a conexão humana, “seja através da comida, do vinho ou da cultura”.

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A tripulação que decora o nome do hóspede, sabe como ele toma o café e qual é seu prato favorito no jantar, diz Powell, é o que explica a taxa de retorno da companhia: cerca de 65% dos hóspedes voltam para novas viagens, enquanto 35% dos passageiros atuais estão na primeira experiência com a marca, renovando a base de clientes.

A barreira que faltava derrubar era a língua. No AmaBrasil, o gerente de cruzeiro, os materiais de bordo, os guias das excursões e parte do entretenimento serão em português.

“Não queremos que nossos convidados se preocupem em não ter atendimento em português”, disse a CEO.

São três saídas neste ano, no formato city escapes, com mais tempo de permanência em Paris, Amsterdã e Estrasburgo, fora da alta temporada, quando dá para “entrar no seu museu favorito se sentindo muito mais como um local do que como um turista”, nas palavras de Powell.

Em 2027 serão cinco saídas, duas delas em agosto, pensadas para as férias de família.

O AmaNubia no rio Nilo, no Egito, parte da expansão da AmaWaterways fora da Europa

Maior plano de expansão da companhia

O produto brasileiro nasce junto com o maior plano de expansão da história da companhia: mais de 50 navios até 2032, ante 31 hoje em operação.

Serão 15 novas embarcações na Europa e crescimento de mais de 60% na capacidade fora do continente, com reforço na África e na Ásia.

Entre os lançamentos está o AmaGaia, quarto navio da marca no rio Douro, em Portugal, previsto para 2028. O vale do Douro, aliás, arrancou de Powell o tom mais entusiasmado da conversa: “É um dos lugares mais bonitos da Europa. Você vê os vinhedos subindo as encostas do vale, a comida é incrível, o vinho é incrível”.

Para o brasileiro, que já conhece Portugal como poucos mercados, é um destino de apelo imediato.

A expansão passa ainda pelo Egito, com o AmaNubia estreando em setembro de 2026 no Nilo, e pelo Sudeste Asiático, com um segundo navio no Mekong.

Interior do AmaRudi, que a AmaWaterways promete como novo padrão de espaço e conforto nos rios europeus a partir de 2027

Na América do Sul, a companhia opera no rio Magdalena, na Colômbia, com o AmaMelodía, incluído neste ano na lista de melhores cruzeiros fluviais do Readers’ Choice Awards da Condé Nast Traveler.

Powell disse à Bloomberg Línea que segue avaliando outras rotas na região, sem plano definido. O crescimento tem lastro: em março de 2024, a AmaWaterways recebeu aporte da L Catterton, gestora de private equity ligada ao grupo de luxo LVMH.

No fim da conversa, indagada sobre a viagem mais marcante que já fez em um navio da própria empresa, Powell não hesitou: uma travessia pelo Egito, seguida da Jordânia, com dez pessoas da família, dos 22 aos 84 anos.

Pai, irmãos, sobrinhos, todos a bordo. Se o retrato lembra a família brasileira em férias, não é coincidência. É exatamente esse viajante que a companhia quer ver subindo a rampa de seus navios.

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