Bloomberg Línea — A Cedro Participações, holding controlada pela família Kallas, com o empresário Lucas Kallas como chairman do grupo, anunciou nesta quarta-feira (29) a venda de sua participação de 8% no laboratório Biomm.
O movimento marca o encerramento de um ciclo de investimentos do grupo no setor farmacêutico e a concentração dos esforços no core business de mineração e no ecossistema logístico que sustenta essa operação.
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A operação de saída ocorre em meio ao desenrolar do caso Banco Master, instituição financeira de Daniel Vorcaro que, por meio do Fundo Cartago, é o maior acionista individual da Biomm e enfrenta nos últimos meses questionamentos regulatórios e investigações sobre suas operações, episódio que tem repercutido sobre a base acionária da farmacêutica.
Segundo a nota divulgada por Kallas, a reorientação integra o reforço na estratégia da companhia, que busca ganhos de escala e eficiência produtiva em um momento de expansão.
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A Cedro, em nota, afirma que sua decisão é estritamente estratégica, sendo motivada pelo redirecionamento de capital para os projetos de mineração e logística do grupo, sem fazer referência à situação envolvendo o Master,
“A decisão reflete o momento de maturidade do grupo e a oportunidade de capturar valor em um ciclo favorável da mineração”, afirma Lucas Kallas, presidente do board da Cedro Participações, em nota.
A relação entre Cedro e Biomm vinha se consolidando havia anos. A holding era um dos acionistas relevantes do laboratório brasileiro, ao lado do grupo dos fundadores liderado pelo ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, do BNDESPar, do Banco Master e da gestora TMG.
Kallas chegou a participar, em abril de 2024, da cerimônia de inauguração da nova fábrica de insulina glargina (para diabéticos tipos 1 e 2) da Biomm em Nova Lima (MG) um empreendimento de R$ 800 milhões, com capacidade para atender até 80% da demanda nacional do medicamento.
O evento simbolizou a retomada da produção nacional de insulina após mais de duas décadas de dependência externa, e a Cedro Participações era apontada como peça-chave na consolidação do projeto.
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Com os recursos liberados pela operação, a Cedro diz que pretende acelerar a ampliação da capacidade de sua mina em Mariana (MG), com foco na produção de pellet feed (minério de ferro de alta qualidade utilizado para reduzir emissões na siderurgia global).
A meta é atingir 20 milhões de toneladas anuais até 2030, posicionando o grupo como fornecedor relevante no mercado internacional de insumos siderúrgicos descarbonizados.
O plano de expansão prevê ainda cerca de R$ 5 bilhões em infraestrutura logística, com a construção do Porto do Meio, em Itaguaí (RJ), e da ferrovia Shortline, na região de Serra Azul (MG).
Os projetos são considerados essenciais para o escoamento da produção e para a competitividade da empresa no mercado externo, e devem gerar cerca de 6 mil vagas diretas durante as fases de implantação e operação, segundo a holding.
A integração entre mina, ferrovia e porto segue tendência consolidada entre as grandes mineradoras brasileiras, que buscam reduzir gargalos logísticos historicamente apontados como entrave à competitividade do minério nacional.
Apesar do reposicionamento estratégico, a empresa afirma manter compromissos socioambientais. A Cedro informa ter adotado caminhões elétricos e movidos a biometano em suas operações, alinhando-se à agenda de descarbonização, pré-requisito para acesso a mercados como o europeu.
Nos últimos cinco anos, a holding cita investimentos de mais de R$ 80 milhões em iniciativas de educação, saúde e infraestrutura nos municípios onde atua, com destaque para Nova Lima, Mariana e Ouro Preto, região historicamente marcada pelo peso da atividade mineradora e pelos desafios operacionais de sua convivência com as comunidades.
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