Bloomberg Línea (Cidade do México) — A Bayer projeta uma virada de ciclo em sua divisão farmacêutica na América Latina após enfrentar um aumento na competição com genéricos nos últimos quatro anos.
Adib Jacob, presidente da divisão para América Latina e Brasil, projeta crescimento de 10% nas vendas líquidas da região para 2026 — o dobro do ritmo registrado em 2025, quando a divisão avançou 5,4%, para 824 milhões de euros.
O combustível para o crescimento virá, segundo ele, da expansão do portfólio, com a chegada de novos medicamentos ao mercado latino-americano. Além disso, a expectativa é que novas indicações ampliem o alcance de produtos já estabelecidos.
“Vamos ter, pelo menos, sete motores de crescimento em diferentes áreas, como oncologia, cardiorenal, hemofilia, saúde feminina, oftalmologia e AVC. Não estamos colocando todos os ovos na mesma cesta”, afirmou o presidente da divisão a jornalistas no encontro anual da empresa para a América Latina, realizado na última segunda-feira (9).
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A Bayer estima que a categoria mais promissora será a de produtos associados à darolutamida, molécula utilizada para tratamento oncológico no câncer de próstata.
A expectativa é alcançar 300 milhões de euros em potencial de venda em LatAm com a ampliação da indicação original para abranger outros estágios do câncer.
Outra aposta da Bayer está no uso da molécula finerenona, atualmente usada no tratamento renal de pacientes com diabetes tipo 2.
A farmacêutica lançou há um ano e meio uma segunda indicação para o medicamento, desta vez para uso contra falha cardíaca.
A expansão do medicamento pode levar o produto a 200 milhões de euros em vendas apenas na América Latina, segundo os cálculos da empresa.
Perda de patentes
O apetite da Bayer para novos lançamentos representa a aposta da empresa em diversificar o portfólio. O movimento se intensificou após perda de patente de um de seus principais blockbusters, o anticoagulante Xarelto.
Um dos produtos mais relevantes do portfólio global da Bayer, o medicamento chegou a representar um terço das vendas na América Latina.
O Xarelto perdeu a proteção de patente no Brasil em 2021 e viu a exclusividade se encerrar nos demais mercados da região até 2024, quando o México foi o último a abrir espaço para os genéricos.
“O Xarelto era o maior medicamento do mercado farmacêutico brasileiro, vendia mais que o Dorflex”, disse o executivo, em referência a um dos remédios mais conhecidos no Brasil, produzido pela concorrente Sanofi. “Foi um fenômeno importante para nós, com a chegada de mais de 50 genéricos no mercado.”
Mesmo assim, a América Latina terminou 2025 como a segunda região de maior crescimento em vendas globais da Bayer, atrás apenas dos Estados Unidos.
O resultado LatAm veio positivo apesar do desempenho do México, cujas vendas líquidas recuaram 1,5% ainda sob o peso da perda de exclusividade do Xarelto.
A expectativa, no entanto, é que a recuperação no mercado mexicano seja a mais forte da região este ano, com um crescimento anual de 20%.
“Não prevemos nenhuma perda de patente significativa para os próximos cinco anos. Isso, somado a novos lançamentos como motores de crescimento, deve trazer anos promissores para a companhia”, afirmou Jacob.
Inovação em LatAm
A divisão farmacêutica da Bayer também aposta na América Latina para pesquisas de desenvolvimento de novos produtos que ajudem à fazer frente ao aumento da competição com medicamentos genéricos.
No Brasil, a frente de pesquisas foi reforçada no final de 2025 após a aprovação da nova Lei da Pesquisa Clínica, que encurtou os prazos para aprovação de projetos para até 90 dias. A estimativa é que os prazos anteriores levavam de seis meses a um ano.
Atualmente, o Brasil participa de menos de 2% da pesquisa clínica mundial nos cálculos do governo federal. A expectativa é que a nova lei dobre o número de estudos registrados em 2024 e ajude a reverter uma tendência de queda iniciada em 2022, quando outros países tornaram seus marcos regulatórios mais competitivos.
Jacob avalia que a mudança incentivou “profundamente” a atração de novas pesquisas para o Brasil. Entre os próximos passos da Bayer, a empresa se prepara para realizar no país sua primeira pesquisa de fase 1 – primeira etapa de testes de um medicamento em seres humanos – fora dos Estados Unidos e da Europa.
“É um movimento que fala da capacidade dos hospitais, centros e médicos latino-americanos em fazer ciência de alta qualidade, mas também da heterogenidade de pacientes da região. A diversidade da população latina é um ativo para estudo de qualquer molécula”, afirmou.
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