Aramco e Adnoc embarcam petróleo por Ormuz mesmo com pressão do Irã, dizem fontes

Empresas da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos continuam movimentando cargas de petróleo pelo Estreito de Ormuz apesar das ameaças do Irã, segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram à Bloomberg News; Aramco não quis comentar, enquanto a Adnoc não respondeu a um pedido de comentário

Dados de navegação mostram embarques esporádicos de petróleo apesar da crise em Ormuz.
Por Weilun Soon - Yongchang Chin - Serene Cheong - Anthony Di Paola

Bloomberg — A Aramco, da Arábia Saudita, e a petroleira estatal dos Emirados Árabes Unidos, Adnoc, estão entre as empresas que movimentaram cargas de petróleo bruto pelo Estreito de Ormuz desde que o Irã fechou, na prática, a passagem, segundo pessoas familiarizadas com a situação que falaram à Bloomberg News.

Embora os fluxos totais sigam como uma fração mínima do que eram antes de Teerã fechar a rota petrolífera há quase 10 semanas, a atividade das duas empresas mostra que parte da oferta ainda consegue chegar aos mercados globais.

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O Irã ameaçou a navegação no estreito ao longo de todo o conflito e apreendeu uma embarcação na sexta-feira depois de sofrer um ataque dos EUA, embora ela parecesse ser um navio sancionado que transportava petróleo da própria República Islâmica.

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A Aramco não quis comentar, enquanto a Adnoc não respondeu a um pedido de comentário.

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Com Ormuz fechado desde o início de março, a crise global de oferta se aprofunda a cada dia. Empresas assumem riscos maiores e pagam preços mais altos para retirar embarques. A maior parte das travessias ocorre com transponders desligados para evitar detecção.

(Fonte: Dados compilados pela Bloomberg)

Entre as empresas com produção e suprimentos presos no Golfo Pérsico, a Adnoc foi uma das primeiras a enviar cargas de petróleo bruto, combustíveis e gás pelo estreito, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A empresa oferecia a clientes petróleo Upper Zakum — tipo normalmente carregado a partir da ilha de Zirku — nas águas ao largo de Fujairah, localizada fora do Golfo Pérsico.

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No fim de abril, um superpetroleiro carregado com petróleo bruto de Abu Dhabi atravessou o estreito fortemente vigiado com o transponder desligado, em uma saída arriscada do Golfo Pérsico, onde centenas de navios permanecem retidos desde a guerra.

O VLCC Basrah Energy saiu por Ormuz depois de carregar petróleo na ilha de Zirku, nos Emirados Árabes Unidos, em 17 de abril, segundo a Vortexa. Ao deixar o Golfo, o petroleiro seguiu para águas mais seguras ao largo de Sohar, onde transferiu a carga para o Maran Mars, que a levaria à China.

Não está claro se o Basrah Energy foi afretado pela Abu Dhabi National Oil Co. ou por um comprador da empresa.

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Até quinta-feira, outro superpetroleiro, o Fujairah Energy, permanecia parado dentro do Golfo, ao largo de Abu Dhabi, com metade da capacidade ocupada por petróleo da ilha de Zirku recebido por transferências de navio para navio, mostram dados da Kpler.

O navio foi afretado provisoriamente pela Adnoc para carregar petróleo entre 15 e 17 de maio com entrega na Ásia, segundo um contrato de afretamento visto pela Bloomberg. Ele poderia estar aguardando receber mais petróleo antes de tentar sair do Golfo Pérsico.

As duas embarcações são controladas pelo grupo sul-coreano Sinokor, disseram corretores marítimos.

A Sinokor tem atuado no Golfo Pérsico desde o início da guerra, cobrando taxas de afretamento altíssimas por seus navios enquanto proprietários mais avessos ao risco se mantêm afastados.

No início desta semana, quando os ataques se intensificaram em todo o Oriente Médio, o petroleiro Barakah, da Adnoc Logistics & Services, foi atingido por drones iranianos ao largo da costa de Omã enquanto passava pelo estreito. Dados de rastreamento de embarcações sugerem que os transponders estavam desligados na ocasião.

Separadamente, foi observada movimentação de combustíveis no porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos, localizado dentro do Golfo, onde derivados de petróleo armazenados em terra foram carregados em navios-tanque e levados para fora, segundo dados de navegação.

Em 26 de março, o navio-tanque de petróleo e produtos químicos Musik retirou uma carga de nafta do terminal de petróleo de Hamriyah antes de cruzar Hormuz em 1º de maio, mostram os dados. Não está claro qual empresa está por trás do carregamento em Hamriyah.

A Reuters noticiou anteriormente que a Adnoc havia exportado petróleo bruto recentemente pelo estreito.

Outras empresas também enfrentaram o estreito apesar dos riscos — desligando transponders para fazer a travessia —, incluindo a grega Dynacom Tankers Management.

No mês passado, o CEO da Mercuria Energy Group, Marco Dunand, disse que a empresa também havia conseguido retirar navios. “Há várias maneiras de fazer isso”, disse ele no FT Global Commodities Summit, acrescentando que mais petroleiros atravessam a via marítima do que indicam os dados de rastreamento de embarcações.

O fluxo observado de petróleo bruto não iraniano por Hormuz caiu para uma média de cerca de 500 mil barris por dia desde o início de março, mostram dados de rastreamento de navios-tanque compilados pela Bloomberg.

Nos dois meses anteriores ao início da guerra, a média era de cerca de 13,6 milhões de barris por dia.

Os embarques desde o início do conflito incluem cargas em petroleiros que cruzaram a via marítima com os transponders desligados e só reapareceram longe da região várias semanas depois. É provável que a maior parte dessas cargas fosse de petróleo bruto.

Elas foram transportadas por 25 petroleiros, de tamanhos que vão de VLCCs, cada um com capacidade para transportar cerca de 2 milhões de barris, a navios do porte Aframax, capazes de levar cerca de um terço desse volume. Ao menos quatro em cada cinco petroleiros eram administrados pela Dynacom, sediada em Atenas, mostram os dados de rastreamento.

--Com a ajuda de Alaric Nightingale, Anthony Di Paola e Julian Lee.

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