Bloomberg — A decisão da mineradora canadense Sherritt de encerrar suas operações de níquel em Cuba sob coação dos EUA pesará sobre a economia do país, que já está carente de moeda forte e combustível.
Além de interromper a produção do metal para baterias, isso significa que Cuba perderá a receita de sua participação nas operações de refino em Alberta e de uma operação de comercialização de metais que mantinha em parceria com a Sherritt nas Bahamas, de acordo com Omar Everleny Perez, ex-diretor do Centro de Estudos Econômicos Cubanos da Universidade de Havana.
A Sherritt também produz eletricidade, petróleo e gás na ilha por meio de uma participação de um terço na Energas, outra joint venture com as empresas estatais de eletricidade e petróleo de Cuba.
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A Energas, que responde por cerca de 10% da capacidade nacional, é crucial porque produz a energia de reserva necessária para alimentar as usinas termoelétricas envelhecidas do país após apagões crônicos, disse Everleny.
“Os maiores problemas vão se manifestar na produção de eletricidade”, disse ele por telefone da capital cubana. “Esse é um golpe devastador para nossa economia”.
A Sherritt não respondeu aos pedidos de comentários sobre a situação dessas operações. Suas ações caíram até 10% na sexta-feira em Toronto, depois de terem caído 42% um dia antes com a notícia da retirada de Cuba.
Cuba vem sofrendo apagões que duram dias e que só pioraram desde que os EUA impuseram um bloqueio energético quase total à ilha em janeiro.
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Desde que assumiu o cargo pela segunda vez em 2024, o governo do presidente Donald Trump vem estrangulando a economia da ilha enquanto tenta acabar com 67 anos de governo de partido único na nação caribenha.
Washington atingiu as remessas de dinheiro, o turismo e as brigadas médicas internacionais de Cuba - algumas das principais fontes de renda estrangeira de Havana, disse Paolo Spadoni, professor da Universidade Augusta, na Geórgia, que estuda a economia da ilha.
Os EUA “fizeram um trabalho incrivelmente bom ao perseguir suas fontes de receita”, disse ele. “Agora que eles atingiram as exportações de níquel, resta muito pouco para perseguir.”
Em 2021, o matte de níquel - uma mistura de níquel menos refinada - era a principal exportação de Cuba, com US$ 788 milhões, superando o tabaco e o açúcar bruto, de acordo com dados compilados pelo Observatório de Complexidade Econômica. Em 2024, os últimos dados disponíveis, o níquel havia caído para o terceiro lugar, com US$ 88,6 milhões.
A Sherritt vem realizando operações de mineração em Cuba desde a década de 1990 e desafiou o embargo dos EUA durante anos. O fato de a empresa estar finalmente se retirando agora “é uma concessão significativa à força dessas sanções”, disse Spadoni.
As atenções agora se voltam para outras empresas internacionais que fazem negócios em Cuba, incluindo operadoras de hotéis espanholas, depois que os EUA sinalizaram que elas teriam cerca de um mês para encerrar quaisquer operações com o conglomerado militar do país antes de enfrentar possíveis sanções.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que a Sherritt foi visada porque “explorou os recursos naturais de Cuba para beneficiar o regime às custas do povo cubano”, observando que ela estava usando ativos expropriados de cidadãos norte-americanos logo após a revolução de 1959.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez, chamou as últimas sanções, que têm como alvo cidadãos estrangeiros e entidades estrangeiras que operam em Cuba, de um ato de “chantagem e intimidação” econômica que “dificultará ainda mais o funcionamento da economia nacional”.
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