CEO do Goldman diz que recessão nos EUA pode estar a ‘um tuíte de distância’

Comentário aponta para uma realidade mais ampla nos mercados financeiros, que têm sido afetados por publicações nas mídias sociais do presidente Donald Trump; porta-voz do Goldman diz que CEO estava fazendo uma piada

David Solomon, do Goldman Sachs: risco maior ou menor de uma recessão econômica pode estar 'a apenas um tuíte de distância'. (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)
Por Todd Gillespie

Bloomberg — O risco de uma recessão nos Estados Unidos pode aumentar repentinamente, dependendo de como o governo americano reagir à guerra do Irã nas mídias sociais, disse David Solomon, CEO do Goldman Sachs.

Um risco maior ou menor de uma recessão econômica pode estar “a apenas um tuíte de distância”, disse Solomon em uma entrevista no Paley Center for Media, em Manhattan, acrescentando que as previsões atuais para uma recessão permanecem bastante baixas.

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O comentário aponta para uma realidade mais ampla nos mercados financeiros, que foram afetados por publicações nas mídias sociais do presidente Donald Trump, que frequentemente se comunica por meio de sua plataforma Truth Social.

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Na semana passada, Trump postou sobre negociações com o Irã dizendo que Teerã havia concordado em nunca mais fechar o Estreito de Ormuz - uma declaração que não foi confirmada por autoridades iranianas, mas foi suficiente para que o mercado de ações subisse e os preços do petróleo caíssem.

“Quem assistiu à entrevista sabe que David estava obviamente fazendo uma piada”, disse o porta-voz do Goldman Sachs, Tony Fratto, por telefone.

Os economistas do Goldman preveem que as chances de uma recessão este ano são de cerca de 20%, apenas um pouco mais altas do que os 15% que são sua hipótese básica em um “ambiente benigno”.

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O CEO disse que é razoável que os preços do petróleo permaneçam em torno de US$ 80 a US$ 100 por barril nos próximos três a seis meses, mas alertou que uma escalada severa poderia levar os preços a US$ 170 por barril.

Os futuros de referência do petróleo bruto subiram cerca de 30% desde o início da guerra. Eles chegaram a atingir quase US$ 120 por barril em março, mas agora são negociados em torno de US$ 95, devido a sinais de que o Irã participará de negociações com os Estados Unidos para pôr fim ao conflito.

Solomon também alertou que a alta duradoura dos preços da energia provavelmente afetará os dados econômicos divulgados no final do ano.

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