Itaú Optimus aposta em queda dos juros e dólar em plena guerra

Em entrevista à Bloomberg News, Pablo Salgado, gestor da família de fundos Optimus, da Itaú Asset Management, diz que vê um cenário de desvalorização do dólar frente ao real, em meio à redução de posições no mercado com a guerra no Irã

Brazil Fights Cratering Real With Two Dollar Auctions In A Day
Por Vanessa Dezem

Bloomberg — A família de fundos Optimus, da Itaú Asset Management, aposta na queda de juros no Brasil e prevê uma desvalorização do dólar frente ao real, em meio à redução de posições no mercado com a guerra no Irã.

Com os contratos futuros de DI escalando diante das incertezas geopolíticas, a gestora decidiu no último mês montar posição que ganha com a queda dos juros no Brasil — também chamada de posição aplicada.

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A avaliação é de que os preços já estavam “descontados”, segundo Pablo Salgado, gestor do Itaú Optimus.

“Decidimos no meio do caminho aplicar juros e continuamos aplicados”, disse Salgado em entrevista à Bloomberg News em São Paulo.

“A gente não estava posicionado. As curvas começaram a reprecificar fortemente e a gente entrou já com um preço deslocado. A gente entrou um pouco cedo.” A exposição hoje roda em cerca de 50% do risco limite dos fundos.

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Antes da guerra no Oriente Médio, parte dos fundos locais estava com essa mesma posição, que se favorece da queda dos juros, apostando em um ciclo de flexibilização monetária pelo Banco Central, que partia de uma das taxas mais restritivas do mundo.

A escalada do petróleo, porém, elevou as pressões inflacionárias globais e trouxe forte volatilidade aos contratos de juros futuros, desencadeando um movimento de stop-loss no mercado, com algumas gestoras zerando posições no Brasil para limitar perdas.

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Salgado avalia que, se houver um desfecho para a guerra em breve, os bancos centrais de economias desenvolvidas tendem a absorver o choque sem reagir com alta de juros.

A gestora mantém posições aplicadas também em mercados como Canadá, Reino Unido e Europa. Em meio à incerteza, a estratégia tem sido buscar oportunidades em mercados “que premiaram de forma excessiva”, conforme carta do gestor de abril.

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No Brasil, um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juro básica pelo Banco Central na semana que vem “está garantido”, mesmo em cenário adverso, segundo ele.

Para Salgado, antes das eleições há ainda a possibilidade de a autoridade monetária acelerar o ritmo de cortes. Ao fim do ciclo de flexibilização monetária, a taxa de juros no Brasil deve convergir para cerca de 12%, a depender dos rumos da política econômica do próximo governo.

O resultado da aposta em queda de juros em plena guerra no Irã fez com que a quota do fundo caísse de início, mas se recuperasse logo depois, notou Salgado.

Os fundos Optimus são multimercados com alocação em juros, moedas e ações e têm aproximadamente R$ 18 bilhões sob gestão.

“Resolvendo essa guerra, o cenário externo é extremamente benigno para mercados emergentes. Os EUA não parecem atrair tanto capital de maneira inquestionável quanto fazia anteriormente”, disse Salgado, enfatizando que o ímpeto desinflacionário da economia brasileira ainda está presente.

“Eu acho que o cenário do Brasil é muito bom, tanto para bolsa, quanto para moeda, quanto para as taxas mais longas da curva de juros.”

Dólar enfraquecido

A gestora também ajustou a estratégia em câmbio. Antes da guerra, operava o dólar de forma tática, mas no último mês, passou a adotar posição vendida na moeda, apostando na queda da moeda americana frente ao real.

A avaliação é de que o real deve seguir como uma moeda high-carry, favorecida em relação a pares emergentes, sobretudo pelo fato de o Brasil ser um grande exportador de petróleo.

“A gente compartilha essa tese de rebalanceamento de portfólio e de um enfraquecimento do dólar em função de uma deterioração institucional americana”, disse Salgado.

Segundo ele, o potencial de valorização do real não deve passar de cerca de 10%. “Esse seria um best case cenário — e não é com essa hipótese que estamos trabalhando — que demandaria uma confluência de fatores positivos”, disse.

A gestora também enxerga a posição em real não apenas pelo seu valor isolado, mas como uma proteção para a posição aplicada em juros. Se a queda dos juros no Brasil for menor do que o esperado, isso tende a aumentar a atratividade do real — e, nesse cenário, o ganho viria pela posição na moeda.

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