Airalo: Unicórnio de eSIM global elege Brasil para sustentar crescimento de 60%

Em entrevista à Bloomberg Línea, Carlos Alberto Torres, diretor da Airalo para a América Latina, afirma que o principal obstáculo à expansão no Brasil é o desconhecimento sobre a tecnologia; Com acordo com a Claro e 2,5 milhões de viajantes frequentes no radar, a empresa projeta acelerar a adoção do eSIM no país

Apple iPhone Air smartphones.

Bloomberg Línea — O Brasil tem 2,5 milhões de viajantes frequentes para Europa e Estados Unidos, mas a maioria ainda chega ao destino em busca de Wi-Fi ou de um chip físico local para usar a internet no smartphone. É nessa lacuna que a Airalo, unicórnio do mercado global de eSIM, quer crescer.

A empresa recebeu em 2025 um aporte de US$ 220 milhões liderado pela CVC Capital Partners, o que elevou sua avaliação a mais de US$ 1 bilhão. No Brasil e na América Latina, registrou crescimento de 60% em relação a 2024.

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Para 2026, os esforços de expansão no país se concentram exatamente nesse segmento, que a companhia chama internamente de Golden Segment, o perfil de brasileiro que viaja com frequência ao exterior.


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“O Brasil é um dos maiores mercados de crescimento na região. Os brasileiros têm uma boa adoção de ativos digitais, independente da categoria”, afirmou Carlos Alberto Torres, diretor de Growth Marketing da Airalo para a América Latina, em entrevista à Bloomberg Línea.

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A avaliação é consistente com o histórico de penetração de smartphones e serviços financeiros digitais no país, onde o eSIM ainda encontra barreiras, mas avança.

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A tecnologia permite ao usuário ativar um plano de dados em outro país sem trocar o chip físico do aparelho, diretamente pelo aplicativo. A Airalo opera em mais de 200 destinos e acumula 30 milhões de usuários desde a fundação em 2019.

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O crescimento da empresa ocorre em meio a uma mudança estrutural na indústria de telecomunicações. A GSMA (associação que reúne operadoras de telefonia móvel de todo o mundo) projeta que as conexões via eSIM devem chegar a 2,5 bilhões até 2028, indicando migração gradual dos chips físicos para a conectividade digital.

Dados da própria Airalo apontam que o uso de eSIM pode reduzir os custos de roaming em até 90% em relação ao roaming internacional tradicional.

No Brasil, a empresa fechou acordo com a Claro, subsidiária do grupo mexicano América Móvil controlado pelo bilionário Carlos Slim, para oferecer conectividade a viajantes estrangeiros que chegam ao país.

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Torres identificou dois obstáculos principais para a expansão doméstica: a falta de conhecimento sobre a existência do eSIM e a compatibilidade limitada de aparelhos.

“Nem todos os dispositivos permitem o uso de eSIM ainda. Mas os fabricantes estão se movendo muito rapidamente nessa direção”, disse.

A Apple lidera a transição, com o iPhone tornando o slot físico dispensável em modelos recentes. Parte do parque Android ainda não acompanhou o ritmo.

O segmento corporativo figura entre os primeiros a adotar o produto. “Os viajantes corporativos têm uma experiência completa de reserva de voos e hotéis, e querem continuar conectados quando chegam”, disse Torres.

A lógica é funcional: eliminar a busca por Wi-Fi ou a compra de chip local no destino reduz fricção em uma rotina onde tempo é variável crítica.

Entre os destinos mais buscados pelos brasileiros na plataforma, Estados Unidos e Japão lideram. Torres citou Tóquio e Nova York como as cidades de maior demanda. Europa também aparece com força, especialmente Itália, Espanha e Portugal.

Airalo prepara eSIM permanente e precificação em reais para avançar no Brasil, diz Carlos Torres, gerente de Growth Marketing da empresa, primeiro unicórnio global da categoria.

Parcerias e uso de IA

A empresa trabalha com um programa de afiliados para agências de viagem e busca parcerias com operadoras de telefonia e plataformas digitais de viagem (OTAs).

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Torres não detalhou os acordos em andamento além da Claro, mas indicou que uma equipe dedicada opera na prospecção de novos parceiros locais.

Sobre a precificação, o executivo da Airalo diz posicionar seus pacotes abaixo do custo do roaming internacional cobrado pelas operadoras brasileiras.

“Quando você viaja para a Europa, é mais acessível acessar nosso app do que acionar as redes locais do Brasil”, compara.

O argumento converge com a crítica recorrente ao modelo de roaming das telecomunicações, cujas tarifas permanecem elevadas em comparação com padrões europeus ou norte-americanos.

A empresa trabalha na oferta de dados ilimitados e na precificação em reais, em vez de dólares, medida que Torres descreveu como prioritária para o mercado brasileiro.

O uso de inteligência artificial na companhia está concentrado em duas frentes: análise de feedback de usuários para orientar o desenvolvimento de produto e monitoramento de performance no funil de conversão.

Ele não detalhou aplicações em precificação dinâmica ou recomendação personalizada, mas sinalizou que a área está presente em “praticamente todos os departamentos”.

Sobre a concorrência, Torres reconheceu a entrada de novos players, incluindo parcerias entre companhias aéreas e fornecedores de eSIM, como a aliança recém-anunciada entre a Azul (AZUL4) e a UniMobil, empresa global com cobertura em mais de 190 países, com redes 4G e 5G.

“A competição é boa. Mais players ajudam a educar o mercado”, disse.

A empresa tem estrutura totalmente remota, com equipe distribuída em 55 países. No Brasil, a operação é conduzida a partir de São Paulo e integrada à estrutura regional da América Latina.

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