Adidas supera estimativas no 1º tri enquanto CEO sinaliza nova fase aos investidores

Receita atinge €6,6 bilhões e lucro supera estimativas, com maior demanda por vestuário, corrida e futebol, enquanto empresa mantém projeções apesar de tarifas e câmbio

Crescimento em vestuário e esportes de performance sustenta resultado acima do esperado no trimestre
Por Tim Loh

Bloomberg — A Adidas reportou resultados positivos no primeiro trimestre, impulsionados pelo forte desempenho de sua divisão de vestuário e pela demanda consistente por produtos de futebol, corrida e treino.

As vendas do primeiro trimestre alcançaram € 6,6 bilhões (US$ 7,7 bilhões) em base cambial, segundo comunicado divulgado na quarta-feira.

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O valor superou a média das estimativas de analistas, de € 6,3 bilhões, enquanto o lucro operacional foi de € 705 milhões, também acima das expectativas.

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As ações da Adidas chegaram a subir até 8,3% nas negociações iniciais em Frankfurt, reduzindo a queda acumulada no ano para cerca de 12%.

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“A Adidas tem se beneficiado de um momento positivo de marca e receita, algo cada vez mais raro em um mercado de vestuário esportivo desafiador e fragmentado”, disse o analista da RBC Piral Dadhania em relatório.

O CEO Bjorn Gulden busca convencer investidores de que a Adidas entrou em uma nova fase de crescimento sustentável, após aproveitar a demanda por modelos retrô voltados à moda, como Samba e Spezial.

Isso ajudou a proteger a empresa, sediada na Baviera, de parte do impacto das tarifas comerciais impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

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A companhia manteve sua projeção para 2026 e afirmou que ainda espera um impacto combinado de €400 milhões no lucro operacional devido às tarifas e a “movimentos cambiais desfavoráveis”.

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Agora em seu quarto ano como CEO e com contrato recentemente estendido até 2030, Gulden busca dar mais autonomia às equipes nos mercados locais e gerar receitas adicionais com produtos de corrida e futebol.

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Enquanto as vendas de produtos de lifestyle da Adidas cresceram 6% no trimestre, as receitas de esportes de desempenho avançaram 29%, informou a empresa. O negócio de vestuário expandiu 31%, enquanto as receitas com calçados subiram 4%.

A companhia registrou crescimento de vendas de dois dígitos em todos os mercados, exceto na Europa, onde tem adotado uma postura mais conservadora no canal de atacado.

Empresas de tênis enfrentam desafios, especialmente com produtos lifestyle na Europa e na América do Norte, já que varejistas recorrem a descontos agressivos para atrair consumidores.

“Continuaremos focados em manter os descontos sob controle, entregar produtos novos e inovadores ao mercado e usar eventos esportivos e outras ativações culturais relevantes para nos conectar com os consumidores”, disse Gulden.

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O euro mais forte também representou um desafio, criando um efeito negativo de conversão de cerca de €350 milhões no trimestre, segundo a Adidas. Isso pressionou a margem bruta da empresa, que caiu para 51,1%, ligeiramente abaixo das estimativas. O impacto de tarifas e câmbio deve diminuir em alguma medida ao longo do ano, afirmou a companhia.

A Copa do Mundo deste ano, que começa em 11 de junho e terá a final em Nova York em 19 de julho, deve impulsionar a demanda. A Adidas patrocina seleções masculinas como a atual campeã Argentina, além de favoritas como Espanha, Alemanha e o coanfitrião México.

“Apesar de muitos problemas de fornecimento e transporte, temos a maior parte dos produtos disponíveis nos mercados e esperamos um evento fantástico, que será muito positivo para nós”, disse Gulden.

As ações da Adidas caíram para o menor nível em três anos no início de março após a projeção de resultados decepcionar investidores. No acumulado do ano, recuam cerca de 18%.

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