Para Goldman Sachs, guerra no Oriente Médio afeta mais combustíveis que petróleo bruto

Ásia e Europa enfrentam maior pressão com dependência de nafta e combustível de aviação do Golfo Pérsico, segundo os analistas do Goldman Sachs

Falhas no fornecimento de petróleo pressionam diesel, querosene de aviação e óleo combustível (Foto: Nathan Laine/Bloomberg)
Por Nicholas Lua - Yongchang Chin
17 de Março, 2026 | 07:38 AM

Bloomberg — O maior choque já registrado no mercado de petróleo, desencadeado pela guerra no Oriente Médio, deverá ter um impacto maior sobre produtos como combustível de aviação e diesel do que sobre o petróleo bruto, de acordo com analistas do Goldman Sachs.

“Os preços subiram muito mais para muitos produtos refinados do que para o petróleo bruto”, disseram os analistas Yulia Zhestkova Grigsby e Daan Struyven em uma nota.

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As graves interrupções observadas nos suprimentos do chamado petróleo bruto médio-pesado representam o risco de menor produção de diesel, combustível de aviação e óleo combustível, disseram eles.

(Fonte: ICE)

O conflito EUA-Israel contra o Irã provocou a interrupção quase completa das exportações de petróleo e produtos pelo Estreito de Ormuz, e houve ataques à infraestrutura de energia em toda a região. Isso forçou os produtores de petróleo bruto a reduzir a produção e interromper algumas operações de refinaria.

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Embora os preços do fóssil tenham subido mais de 40% desde os primeiros ataques - com o Brent ultrapassando US$ 100 por barril - alguns produtos subiram muito mais.

Em algumas partes da Ásia, os custos de combustível chegaram a dobrar, com a Coreia do Sul seguindo a China e a Tailândia na limitação das exportações para proteger os mercados locais.

“Nenhum produto ou região está totalmente imune”, disseram os analistas do Goldman. A guerra estava prejudicando a capacidade dos produtores do Golfo Pérsico de exportar produtos refinados, estimulando interrupções nas refinarias e reduzindo os fluxos dos tipos de petróleo bruto que são mais adequados para a fabricação de combustíveis como o diesel, segundo eles.

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“Quase 60% das exportações típicas de petróleo bruto do Golfo Pérsico são de petróleo bruto médio e pesado (normalmente usado para produzir combustível de aviação, diesel e óleo combustível), com produtores alternativos muito mais limitados fora do Oriente Médio”, disseram.

A interrupção global decorrente do conflito também afetará a nafta - um subproduto de refino usado para produzir produtos petroquímicos que é um insumo essencial para alguns fabricantes - bem como o combustível de aviação, de acordo com o Goldman.

A Ásia importa quase 50% de sua nafta do Golfo Pérsico, enquanto a Europa depende da região para 40% de seu combustível de aviação, disse o banco.

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