Bloomberg Línea — O bom desempenho de commodities como o petróleo ou o cobre sustentaria um novo ciclo de crescimento dos dividendos na América Latina, onde a distribuição desses dividendos cresceu 15% no primeiro trimestre, atingindo US$ 10,5 bilhões, segundo a gestora Janus Henderson.
Em seu relatório mais recente, a Janus Henderson explica que a região contribuiu com 2,7% do total de dividendos distribuídos em todo o mundo.
“Atualmente, as previsões de consenso do IBES apontam que o lucro por ação (EPS) do índice MSCI América Latina crescerá cerca de 29% em 2026, o que proporciona uma base sólida para que os dividendos continuem aumentando neste ano”, disse à Bloomberg Línea Jane Shoemake, gestora de carteiras de clientes da equipe de ações globais da Janus Henderson.
Shoemake indicou que as previsões de consenso do IBES estimam que os dividendos na América Latina crescerão 12% em 2026, enquanto também se espera um novo aumento nos pagamentos em 2027.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
A analista destaca que o aumento dos preços das commodities, como o petróleo e o gás, beneficiou tanto o setor de mineração quanto o de energia na América Latina, impulsionando o fluxo de caixa livre das empresas e permitindo que elas aumentassem os dividendos, bem como realizassem recompras de ações.
“As tensões no Oriente Médio entre os Estados Unidos e o Irã provocaram um forte aumento no preço do petróleo ao longo deste ano”, comentou Shoemake. “Ao mesmo tempo, outras commodities, como o alumínio, o cobre e o níquel, também registraram alta, em um contexto de interrupções nas cadeias de abastecimento decorrentes dos problemas persistentes no Estreito de Ormuz”.

Impulso do setor energético em 2026
De acordo com as previsões de consenso do IBES, o crescimento dos dividendos em 2026 será especialmente sólido no setor de energia, onde atualmente se espera um aumento de até 75% neste ano.
Por sua vez, os dividendos do setor de materiais deveriam crescer 19%.
Em contrapartida, o setor financeiro, que representa aproximadamente 35% do índice MSCI América Latina, registraria um crescimento muito mais moderado dos dividendos, de cerca de 2% em 2026.
Leia também: Petróleo, El Niño e tarifas pressionam perspectivas para Wall Street e a América Latina
No primeiro trimestre, o Brasil foi o país que mais distribuiu dividendos na região, com pagamentos no valor de US$ 6,3 bilhões durante esse período.
Os pagamentos nesse país foram impulsionados justamente por empresas do setor de mineração e energia, em especial a Vale (VALE), a maior produtora mundial de minério de ferro, que também distribuiu um dividendo extraordinário.
Vale
Perspectivas para os dividendos em 2027
Com vistas a 2027, Jane Shoemake destacou que “é provável que as commodities sejam um dos principais motores do crescimento dos dividendos na América Latina”.
Ela explica que, atualmente, os setores de materiais e energia representam 30% do índice MSCI América Latina, contra apenas 7% do índice MSCI World, pelo que terão um impacto significativo tanto nos lucros quanto no perfil de dividendos da região.
“Com a maioria das commodities se mantendo em níveis elevados e o preço do petróleo registrando um forte aumento no acumulado do ano, o cenário continua favorável ao crescimento tanto dos lucros quanto dos dividendos ao longo de 2026 e rumo a 2027”, afirmou a analista da Janus.
Em 2027, espera-se que o crescimento dos dividendos acelere para 17%.
No entanto, ele observa que essa evolução dependerá, em grande parte, da trajetória dos preços das commodities e do petróleo, em um cenário geopolítico que continua sendo desafiador.
Leia também
‘Falar é fácil’: Wall St questiona discurso de presidente do Fed após decisão sobre juros









