JPMorgan vê ‘tentáculos da IA’ na renda fixa e alerta para risco de concentração

Gabriela Santos, estrategista-chefe de mercado da JPMorgan Asset Management, afirma que investidores estão expostos ao mesmo tema em diferentes classes de ativos, enquanto empresas ampliam emissões para financiar a expansão da IA

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Bloomberg — Gabriela Santos, da JPMorgan Asset Management, alertou que o risco de concentração do “fator IA” se espalhou além do mercado de ações para o de renda fixa, aumentando a necessidade de cautela por parte dos investidores, mesmo que a tese do superciclo permaneça intacta.

“É possível ser muito otimista em relação a tudo o que diz respeito à IA e, mesmo assim, precisar refletir cuidadosamente sobre a construção da carteira”, afirmou Santos nesta terça-feira (18), em entrevista à Bloomberg Television.

Santos, estrategista-chefe de mercado da JPMorgan Asset para as Américas, afirmou que a correção ocorrida em julho nas ações do setor de tecnologia destacou o risco de posições excessivamente concentradas.

Naquele mês, o Índice de Semicondutores da Bolsa de Valores da Filadélfia despencou 21%, a maior queda desde 2008, enquanto o Kospi da Coreia do Sul — onde as fabricantes de chips Samsung e SK Hynix representam cerca de metade do índice de referência — despencou 22%.

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A turbulência ressaltou a importância do dimensionamento das posições, da alavancagem e da diversificação para além da IA, afirmou Santos.

“É aí que a situação se complica. Pois não se pode pensar apenas em fatores tradicionais, setores ou regiões. Nem mesmo em classes de ativos, já que os tentáculos da IA estão por toda parte agora”, acrescentou ela.

Títulos do Tesouro, ouro e o mercado imobiliário de base estão entre as poucas áreas que oferecem fluxos de retorno diferenciados, afirmou ela.

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Santos afirmou que a expansão da IA — que ela estima em US$ 5,5 trilhões em despesas de capital nos mercados público e privado — é “muito singular”, pois já é visível nos lucros corporativos. Ao mesmo tempo, disse ela, as taxas de crescimento acabarão por desacelerar, e diversificar agora é sensato, mesmo que a IA continue sendo o tema dominante de investimento.

Os gastos com data centers de IA estão a caminho de ultrapassar US$ 900 bilhões em 2026, com projeções para 2027 chegando a US$ 1,4 trilhão, estimaram estrategistas do Goldman Sachs Group em junho, ressaltando a magnitude do ciclo descrito por Santos.

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O alerta de Santos sobre a concentração se estende às carteiras de títulos. As emissões com classificação de investimento já atingiram o quarto mês consecutivo de recorde, afirmou Santos, com empresas como a Alphabet emitindo títulos com vencimento de 100 anos. Além disso, os investidores em múltiplos ativos enfrentam agora, simultaneamente, a exposição à expansão da IA tanto no lado das ações quanto no de renda fixa.

As emissões de dívida das hiperescaladoras devem ser analisadas individualmente, em vez de serem tratadas como um todo único, afirmou ela, citando a crescente complexidade das entidades de propósito específico (SPVs) lastreadas por contratos de locação de data centers como garantia.

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