Bloomberg — Estrangeiros estão fugindo dos mercados mais aquecidos da Ásia neste ano, à medida que a euforia nas negociações de inteligência artificial dá lugar a temores de um choque inflacionário provocado pelo petróleo.
Investidores estrangeiros venderam cerca de US$ 3,1 bilhões em ações sul-coreanas nesta semana, após terem se desfeito de um recorde de US$ 13,7 bilhões no mês passado. Em Taiwan, eles também venderam mais US$ 3,6 bilhões, colocando o mercado a caminho da maior saída semanal de recursos desde o final de dezembro.
O recuo tem se concentrado em fabricantes de chips de alto desempenho que haviam impulsionado ambos os mercados a máximas recordes até o mês passado.
Na Coreia do Sul, as gigantes de chips de memória Samsung e SK Hynix caíram quase 20% nesta semana, com a primeira caminhando para a pior queda em dois dias em quase cinco décadas. As ações da Taiwan Semiconductor Manufacturing estão em baixa de quase 7% nesta semana.
“Posições compradas em IA e em todos os outros setores foram vendidas agressivamente na corrida para reduzir exposições nos mercados, já que a situação no Irã parece ter se deteriorado”, disse Matthew Haupt, gestor na Wilson Asset Management, em Sydney.
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A onda de vendas atingiu fortemente as ações ligadas à IA, acrescentou, enquanto persistem dúvidas sobre se os grandes planos de despesas de capital do setor conseguirão, em última análise, gerar lucros suficientes.
A retirada desta semana deu novo ímpeto aos céticos que, há tempos, têm alertado que o rali eufórico em tudo relacionado à IA estava à frente da realidade.
Essas preocupações agora colidem com um choque geopolítico sísmico que está forçando os investidores a reavaliar o risco, a planejar a ameaça inflacionária da alta dos preços do petróleo e a considerar como essas pressões podem se espalhar pelos mercados globais.
O índice de referência Kospi da Coreia, que vinha sendo o mercado de melhor desempenho do mundo neste ano, tombou 12% na quarta-feira, o pior dia de sua história.
O Taiex, de Taiwan, e o Topix, do Japão, fecharam em baixa de cerca de 4% cada um, com a queridinha da IA Advantest marcando a mais longa sequência de perdas desde setembro de 2024.
Nem mesmo os mercados menores ficaram protegidos da reversão generalizada nas apostas em IA. O principal índice de ações da Tailândia despencou até 8,6%, acionando uma breve interrupção das negociações, com ações ligadas à IA, incluindo as da Delta Electronics Thailand, afundando.
“Dizer que é o fim da resiliência da IA é muito cedo”, disse Rajat Agarwal, estrategista na Societe Generale, afirmando que se trata de mais de uma “pausa” no ímpeto.
Enquanto isso, o won coreano recuperou 1,5% na quarta-feira, após sofrer sua maior perda diária no fechamento desde 2009 na sessão anterior. O won e o dólar taiwanês estão entre as moedas com pior desempenho na Ásia neste mês, sugerindo que fundos globais estão combinando a venda de ações com proteções cambiais, dada a volatilidade.
Trata-se de uma reversão drástica em relação a apenas alguns meses atrás, quando os mercados asiáticos pareciam amplamente imunes aos alertas sobre o rali da IA, graças às avaliações baratas, ao crescente trade de “Venda os Estados Unidos” e à forte exposição aos gastos das gigantes da tecnologia.
No entanto, conforme as posições superlotadas se acumulavam, a rapidez das quedas mostra que muitos investidores estão preferindo vender primeiro e fazer perguntas depois — mesmo que a perspectiva de longo prazo permaneça intacta.
Com os riscos aumentando no Oriente Médio, os investidores “precisam focar em meios adequados de diversificação e proteção em seus portfólios”, disse à Bloomberg TV Kerry Craig, estrategista de mercados globais do JPMorgan Asset Management, na quarta-feira. “Caso a perspectiva comece a melhorar, poderemos ver investidores que queiram voltar a esses mercados”, acrescentou.
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