Fluxo estrangeiro para bolsa brasileira perde fôlego em abril, mas se mantém positivo

Ibovespa tem se aproveitado do fluxo global de capitais. em que investidores estrangeiros reduzem a exposição a ativos concentrados nos EUA e buscam diversificação em mercados emergentes, mas a bolsa brasileira acumulou sete pregões consecutivos de saída de capital, com retiradas superiores a R$ 8 bilhões

Bloomberg
Por Raphael Almeida Dos Santos

Bloomberg — O fluxo estrangeiro que vinha impulsionando o mercado acionário brasileiro desacelerou em abril, após um primeiro trimestre de entradas robustas, à medida que a recuperação das bolsas americanas ganhou tração.

No fim do mês, a bolsa brasileira acumulou sete pregões consecutivos de saída de capital, com retiradas superiores a R$ 8 bilhões, segundo dados da B3. Ainda assim, no saldo de abril, o fluxo permaneceu positivo, com entrada líquida de R$ 3,18 bilhões.

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“Lá fora, empresas de tecnologia voltaram a subir diante de bons resultados e resiliência da economia mesmo no contexto geopolítico mais complexo. Pode ser uma reacomodação do fluxo que veio com força para cá”, disse Davi Khattar, gestor de ações da Atlas One.

O Ibovespa tem surfado uma mudança relevante no fluxo global de capitais: investidores estrangeiros vêm reduzindo a exposição a ativos concentrados nos EUA e buscando diversificação em mercados emergentes, em um cenário de dólar mais fraco, riscos políticos elevados e tensões comerciais persistentes.

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Mesmo com a volatilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio e temores de uma nova rodada inflacionária global, o Brasil tem se destacado pela resiliência relativa, sustentando a percepção de um porto atrativo para o capital internacional.

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Parte do movimento de enfraquecimento do fluxo para a bolsa brasileira pode ser explicada por realização de lucros, já que o investidor estrangeiro acumulou ganhos tanto com a alta do Ibovespa quanto com a valorização do dólar no ano, segundo Isabel Lemos, gestora de renda variável da Fator Administração.

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“Ele ganhou nas duas pontas”, disse ela.

A redução das entradas é pontual, segundo Alexandre Sant’Anna, gestor de renda variável da ARX. Para ele, o investidor estrangeiro mantém uma visão construtiva, segue engajado e continua aprofundando o entendimento sobre o Brasil.

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“Vejo como um movimento temporário,” disse Sant’Anna. “Não muda o estrutural. O Brasil ainda faz sentido dentro dessa história de diferenciação para os emergentes, por ser um mercado consumidor grande, mais ligado a commodities, e não ter DNA de tecnologia. Tudo isso compõe bem com esse conjunto”.

O índice fechou praticamente estável no acumulado do mês. Em dólares, teve um ganho de 4,3%, enquanto pares globais, como o S&P 500 e o índice MSCI de ações emergentes, subiram 10,4% e 14,5%, respectivamente.

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