ETFs da BlackRock e Vanguard se distanciam com rali de ações de tecnologia

Enquanto a BlackRock, com mais de US$ 150 bilhões em ativos, acumulou retorno de quase 40% nos 12 meses encerrados em 30 de junho, o produto concorrente da Vanguard entregou aproximadamente metade desse desempenho no mesmo período

Na Coreia do Sul, o rali impulsionado pela inteligência artificial em Samsung Electronics e SK Hynix alimentou uma alta de mais de 170% do índice Kospi (Foto: Chris Jung/NurPhoto/Getty Images)
Por Ye Xie - Carolina Wilson
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Bloomberg — Durante mais de uma década, investidores puderam tratar os dois maiores fundos negociados em bolsa (ETF) de mercados emergentes praticamente como equivalentes.

Agora, uma divergência de longa data sobre se a Coreia do Sul deve ser classificada como economia desenvolvida ou emergente resultou na maior diferença já registrada no desempenho dos ETFs administrados pela BlackRock e pela Vanguard.

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Enquanto o iShares Core MSCI Emerging Markets ETF, da BlackRock, com mais de US$ 150 bilhões em ativos, acumulou retorno de quase 40% nos 12 meses encerrados em 30 de junho, o produto concorrente da Vanguard entregou aproximadamente metade desse desempenho no mesmo período.

Para fundos que caminharam praticamente lado a lado durante anos, a diferença chama atenção.

A explicação está na Coreia do Sul, onde o rali impulsionado pela inteligência artificial em Samsung Electronics e SK Hynix alimentou uma alta de mais de 170% do índice Kospi no período.

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O movimento beneficiou o fundo da BlackRock, exposto ao mercado sul-coreano, enquanto o ETF da Vanguard ficou de fora.

O episódio também evidencia os riscos da estratégia de investir e simplesmente manter a posição, em uma época em que a concentração dos mercados pode distorcer os retornos.

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O ETF da BlackRock acompanha o índice de mercados emergentes da MSCI. Como a provedora continua classificando a Coreia do Sul como mercado emergente — decisão reafirmada no mês passado em sua revisão anual —, o fundo captura os fortes, embora voláteis, ganhos das ações do país.

Já o Vanguard FTSE Emerging Markets ETF, com cerca de US$ 120 bilhões em ativos, acompanha um índice de mercados emergentes da FTSE Russell que não inclui a Coreia do Sul, pois a provedora considera o país um mercado desenvolvido.

“Se um investidor não olhar para o índice de referência do que está comprando e simplesmente pensar: ‘Qual é o mais barato?’”, afirmou James St. Aubin, diretor de investimentos da Ocean Park Asset Management. “Pode acabar deixando passar algo bastante relevante.”

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Os dois maiores fundos de mercados emergentes divergem

É importante destacar que o ETF da Vanguard está entregando exatamente o desempenho para o qual foi concebido: acompanhar seu índice de referência. Sua composição é uma característica do produto, não uma falha.

Em nota, a Vanguard afirmou que “seleciona índices de referência que oferecem ampla diversificação, transparência e eficiência de custos.

Os índices internacionais de ações da FTSE proporcionam exposição abrangente alinhada à nossa definição de mercados investíveis, além de ajudar a manter baixas as despesas dos fundos.”

Sobre a Coreia do Sul, a gestora afirmou que o país — presente em seus fundos de mercados desenvolvidos baseados em índices FTSE — “atende às características fundamentais que os investidores normalmente associam aos mercados desenvolvidos, incluindo maturidade econômica, escala e liquidez”.

Leia também: BlackRock recalcula rota e coloca América Latina como principal aposta entre emergentes

Acrescentou que, “do ponto de vista da indexação, alinhar a classificação a esses fundamentos ajuda a garantir que os índices reflitam corretamente o universo de oportunidades de investimento”.

Embora a divergência sobre a inclusão da Coreia do Sul exista desde 2009, quando a FTSE Russell elevou o país à categoria de mercado desenvolvido, ela só passou a influenciar significativamente os resultados agora, por causa da magnitude da alta das ações sul-coreanas.

Isso transformou o mercado do país de uma posição marginal em uma aposta decisiva para investidores, mesmo após episódios recentes de turbulência.

As ações sul-coreanas, lideradas por SK Hynix e Samsung, responderam por quase metade dos ganhos do índice MSCI Emerging Markets no último ano.

Com peso de 23%, o país fica atrás apenas de Taiwan, com 27%.

No índice da FTSE, a ausência da Coreia do Sul resulta em maior exposição à China e à Índia, cujos mercados tiveram desempenho inferior.

“Muitos investidores reconhecem que a Coreia do Sul continua fazendo parte do índice MSCI de mercados emergentes, para o bem ou para o mal”, afirmou Ryan Myers, gestor da Causeway Capital Management, observando que muitos investidores institucionais seguem o índice da MSCI.

“Isso certamente impulsionou o índice como um todo e elevou os retornos absolutos dos produtos vinculados a mercados emergentes neste ano.”

A FTSE Russell afirmou, em comunicado enviado por e-mail, que os usuários de seus índices continuam apoiando a classificação da Coreia do Sul como mercado desenvolvido e acrescentou que o país implementou reformas para ampliar ainda mais a acessibilidade ao mercado.

Leia também: Vanguard supera BlackRock após décadas e assume liderança no mercado de ETFs dos EUA

Para investidores que buscam uma diversificação global mais ampla, as diferenças entre os índices de referência são menos significativas.

A Coreia do Sul representa cerca de 3% tanto dos índices globais de ações da MSCI quanto dos da FTSE.

Além disso, investidores que também possuem fundos da Vanguard de mercados desenvolvidos baseados em índices da FTSE recuperam, em grande medida, a exposição ausente no ETF de mercados emergentes da gestora.

Um fundo da Vanguard de mercados desenvolvidos, excluindo os EUA, superou o produto equivalente da BlackRock em 8 pontos percentuais nos últimos anos.

Em vez de tomar partido no debate sobre a classificação da Coreia do Sul, alguns investidores optam por manter posições tanto no ETF de mercados emergentes da BlackRock quanto no da Vanguard para equilibrar os riscos de concentração. É o caso de Phil Blancato, presidente-executivo da Ladenburg Thalmann Asset Management.

“Você prefere estar em um ETF de mercados emergentes com forte exposição ao setor de tecnologia ou em um fundo mais diversificado, com menor peso em tecnologia?”, afirmou. “Nossa recomendação é comprar os dois.”

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