Bloomberg — Os investidores estão retirando recursos do maior fundo negociado em bolsa (ETF, na sigla em inglês) atrelado a ações latino-americanas no ritmo mais acelerado em anos, à medida que o aumento das incertezas políticas na região e a onda de investimentos em inteligência artificial na Ásia levam gestores a rever sua exposição.
O iShares Latin America 40 ETF, da BlackRock, com patrimônio de US$ 4,5 bilhões, registrou saques de US$ 235 milhões até quarta-feira (20), colocando o fundo no caminho de registrar a maior saída semanal de recursos desde dezembro de 2021.
Os mercados acionários do Brasil à Colômbia têm ficado atrás do desempenho mais amplo dos emergentes, enquanto o selloff global dos títulos públicos e a forte aposta em IA na Ásia pressionam investidores a deslocar capital para fora da região.
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“A recente disparada dos rendimentos dos Treasuries dos EUA está fortalecendo o dólar e adicionando pressão inflacionária à região. Isso pode estar reduzindo o entusiasmo com possíveis cortes de juros”, disse Malcolm Dorson, gestor sênior do Global X Brazil Active ETF e chefe de estratégia para mercados emergentes.
“Ao mesmo tempo, a onda ligada à IA continua drenando capital de todas as partes do mundo.”
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Além dos fatores externos, investidores também enfrentam riscos políticos locais ligados às eleições na região.
No Brasil, pesquisas recentes mostraram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuperando a liderança na corrida presidencial, enquanto o senador Flávio Bolsonaro perdeu apoio após revelações sobre suas ligações com um personagem central do maior escândalo de fraude bancária do país.
O Ibovespa caiu 2% em dólares depois que o Intercept Brasil publicou, em 13 de maio, mensagens de áudio mostrando que Flávio Bolsonaro buscou milhões de dólares de Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai.
Até agora em maio, o índice acumula queda de 6,4%, ante alta de 4,7% do MSCI EM Index.

“Em termos políticos, ainda estamos a meses da eleição e já era esperado algum grau de volatilidade”, disse Dorson, acrescentando que fatores externos podem estar respondendo pela maior parte das saídas de recursos neste momento.
“Mas, se o Brasil de fato tiver uma mudança de governo, certamente poderá haver uma reprecificação dos múltiplos.”
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Na quarta-feira, o iShares MSCI Brazil ETF, com quase US$ 11 bilhões em ativos, registrou saídas de US$ 150 milhões, a maior retirada diária desde fevereiro de 2024.
Na Colômbia, pesquisas recentes mostrando o candidato de esquerda Iván Cepeda na liderança antes da eleição presidencial deste mês também abalaram a confiança dos investidores.
O principal índice acionário do país caiu 5,7% em dólares neste mês, igualmente abaixo do desempenho do índice mais amplo de mercados emergentes.
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