Bloomberg — Os futuros de ações asiáticas tiveram direções mistas na manhã de quinta-feira (27) depois que o Federal Reserve elevou as taxas de juros para o maior patamar em 22 anos e indicou que um maior aperto será “dependente de dados”.
Os contratos do Japão caíram ligeiramente, os da Austrália pouco mudaram e os futuros de Hong Kong subiram, juntamente com um índice de ações chinesas listadas nos EUA.
Os rendimentos dos Treasuries de dois anos caíram junto com o dólar. O iene se estabilizou na quinta após um ganho de 0,5%, enquanto os traders aguardam a decisão política do Banco do Japão na sexta (28) e qualquer indício de mudança em sua política de controle da curva de rendimento.
Nos EUA, as ações se recuperaram das mínimas da sessão, com o Dow Jones Industrial Average registrando seu 13º avanço consecutivo - a mais longa sequência de ganhos desde 1987.
Depois do pregão na quinta, a ação da Meta (META), controladora do Facebook, subiu após a empresa projetar uma receita que superou as estimativas, enquanto a da eBay caiu com uma perspectiva de lucro considerada decepcionante. Os investidores na Ásia terão os resultados da Samsung Electronics em seu radar, juntamente com os números dos lucros industriais da China.
Os swaps referentes a decisões futuras do Fed precificaram chances ligeiramente menores de outro aumento neste ano, algo que caiu para 47%. Com as autoridades do Fed ajustando seus esforços para conter ainda mais a inflação, Powell disse que ainda é “certamente possível” que eles aumentem novamente as taxas na reunião em setembro.
“Com a mensagem dependente dos dados do Fed e os riscos de um ajuste de controle da curva de rendimentos pelo BOJ, devemos ver alguma pressão descendente moderada sobre o dólar-iene indo para a reunião do BOJ”, disse Vassili Serebriakov, um FX e macro estrategista do UBS em Nova York.
Kristina Clifton, economista sênior e estrategista do Commonwealth Bank of Australia, alertou que a relação dólar-iene pode apresentar volatilidade nos próximos dias.
Veja a seguir mais análises sobre a decisão do Fed e as declarações de Powell:
Chamath de Silva, gestor sênior de portfólio da BetaShares Holdings:
“A decisão não deu muitas respostas e, apesar de um pouco de confusão nas perguntas e respostas [de Powell], as ações dos EUA não tinham muito com o que trabalhar, portanto nem a Ásia. Não estou esperando grandes movimentos por trás disso.”
Rajeev Sharma, diretor administrativo de renda fixa do Key Private Bank:
“Em nossa opinião, o ciclo de alta das taxas está concluído e o Fed agora fará uma pausa pelo resto do ano. A última reação do mercado também apóia essa tese, com os rendimentos caindo ligeiramente na extremidade frontal da curva de rendimentos.”
Frances Donald, economista-chefe global da Manulife Investment:
“Agora acreditamos que o Fed está em uma prolongada fase de ‘segurança hawkish’. Em nosso cenário base, o próximo movimento provavelmente será um corte, mas levará até 2024 até que vejamos isso. Dito isso, Powell não terá escolha a não ser manter viva a ameaça de aumentos, para não encorajar os mercados a precificar prematuramente os cortes e reacender as expectativas de inflação.”
Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Independent Advisor Alliance:
“Os investidores bearish podem apontar para a insistência de Powell de que todas as reuniões são ‘ao vivo’ e que o núcleo da inflação está ‘bastante elevado’, e os bullish podem apontar para a insistência de Powell de que eles poderiam facilmente pular a próxima reunião e manter as taxas inalteradas em setembro.”
Veja mais em Bloomberg.com
Leia também
Michael Wilson faz mea-culpa após perder o rali em 2023: ‘Estávamos errados’








