Bloomberg Línea — Os investidores ficam de olho nesta terça-feira (15) na situação econômica da China, que vem preocupando economistas e analistas no mundo todo. Isso porque o Banco Popular da China baixou a taxa de empréstimos de um ano de 2,65% para 2,5%, o maior corte desde 2020.
Para a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, a fraqueza econômica da China pode ser um “fator de risco” para os EUA, mas não afeta significativamente seu otimismo em relação à economia americana.
E, segundo a EdenTree Investment Management e a Gama Asset Management, a queda dos preços na segunda maior economia do mundo provavelmente se traduzirá em custos mais baixos para os outros países, dado o status da China como a fábrica mundial.
Ainda no âmbito internacional, a Argentina pretende pedir ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para aumentar um desembolso planejado para o final deste mês.
No cenário corporativo, a Berkshire Hathaway (BRK/A), de Warren Buffett, informou novas participações nas construtoras residenciais DR Horton, NVR e Lennar, cujas ações subiram mais de 30% este ano.
Nos Estados Unidos, são publicados hoje dados sobre o varejo. No Brasil, às 9h, no horário de Brasília, é publicada a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad).
Confira a seguir cinco destaques desta terça-feira (15):
1. Argentina pede ajuda ao FMI
A Argentina pretende pedir ao Fundo Monetário Internacional para aumentar um desembolso planejado para o final deste mês, depois que o banco central foi forçado a desvalorizar o câmbio oficial em 18%, disse um funcionário de alto escalão do governo.
A quantia não foi especificada pela autoridade, que pediu anonimato.
A forte desvalorização do peso foi praticamente inevitável depois que a surpresa eleitoral de domingo empurrou o dólar para níveis recordes nos mercados paralelos do país.
Javier Milei foi o candidato que se saiu melhor na eleição primária, que definiu oficialmente quem irá concorrer de cada partido para o pleito presidencial de outubro.
A decisão de enfraquecer a taxa de câmbio oficial para 350 pesos por dólar, ante 287 pesos na sexta-feira, foi tomada pelo governo para lidar proativamente com as pressões cambiais decorrentes da votação de domingo, disse o funcionário.
2. Corte de juros na China
Todos menos um dos 15 analistas consultados pela Bloomberg previam que a taxa de juros na China permaneceria inalterada. A autoridade monetária também reduziu a taxa de sete dias de recompra reversa no interbancário, de 1,9% para 1,8%.
O movimento surpresa veio pouco antes da divulgação de dados decepcionantes de gastos do consumidor, produção industrial e investimento, além de aumento do desemprego.
O corte de juros sugere maior preocupação das autoridades com a deterioração das perspectivas, especialmente no mercado imobiliário, onde a incorporadora Country Garden enfrenta uma crise de dívida e as vendas de casas continuam a cair.
Os riscos também estão se espalhando para o setor financeiro, onde a gestora de recursos de um grande conglomerado financeiro, que tinha exposição ao setor imobiliário, deixou de remunerar alguns produtos de investimento.
3. Mercados
As ações e os títulos caem nesta terça-feira à medida que aumenta a preocupação de que a recuperação da China e os problemas de dívida se espalhem para a economia global.
Em vez de tranquilizar os investidores, o corte surpreendente da taxa de juros da China apenas aprofundou a ansiedade sobre as medidas políticas para retomar o crescimento, levando o índice Stoxx 600 da Europa a cair 1,2%, para o menor nível em um mês. Os futuros de ações dos Estados Unidos também apontam para uma abertura no campo negativo.
4. Manchetes dos principais jornais
Estadão: CPI do MST vai propor indiciar líderes dos sem-terra e apontará ligação de PT e PSOL com invasões
Folha de S. Paulo: Bolsonaro simulou atrito com TCU para ganhar tempo e resgatar joias nos EUA
O Globo: Calçados, carros, linha branca: indústria brasileira teme ‘efeito Milei’ nas vendas para a Argentina
Valor Econômico: R$ 5 bilhões de estatais podem não entrar no novo PAC
5. Agenda
A agenda é cheia nos Estados Unidos, a começar às 9h30, no horário de Brasília, com a divulgação do núcleo de vendas no varejo, o preço de bens exportados, importados, o índice Empire State de atividade industrial e as projeções de vendas no varejo.
Às 11h, são divulgados dados sobre os estoques das empresas. Ao meio-dia, Kashkari, do Fomc, discursa. Às 17h, são publicadas as transações líquidas de longo prazo. Por fim, às 17h30 são divulgados os estoques de petróleo bruto semanal.
Na China, às 22h30 são divulgados os preços de imóveis.
-- Com informações da Bloomberg News
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