Bloomberg Línea — Todos os olhares se voltam nesta semana para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que divulga sua decisão na quarta-feira (20). A expectativa majoritária é de manutenção do ritmo de corte da Selic de 0,50 ponto percentual.
A redução da taxa para 12,75% deve manter a política monetária ainda bastante apertada, com um juro real de 8,3% - bem acima dos 4,5% vistos como nível neutro pelo BC, segundo Adriana Dupita, da Bloomberg Economics, que espera uma decisão unânime dos membros do comitê.
Mais cedo nesta segunda-feira (18), o relatório Focus, do BC, mostrou uma queda nas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e revisão para cima nas estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Também na quarta será divulgada a decisão de juros dos Estados Unidos. Uma economia resiliente levará o Federal Reserve (Fed) a incluir mais um aumento nas taxas de juros este ano e a manter o nível máximo no próximo ano por mais tempo do que o previsto anteriormente, de acordo com economistas consultados pela Bloomberg News.
Na zona do euro, Clara Raposo, vice-governadora do Banco de Portugal, sugere que o Banco Central Europeu (BCE) pode observar uma volta da inflação à sua meta de 2% mais cedo do que o previsto atualmente, considerando o estado frágil da economia. Isso indica a possibilidade de uma recuperação mais rápida da inflação, apesar das incertezas econômicas existentes.
Confira a seguir cinco destaques desta segunda-feira (18):
1. Relatório Focus
Economistas consultados pelo relatório Focus, do BC, revisaram novamente para cima as projeções para o crescimento da economia brasileira em 2023, pela quarta vez consecutiva, desta vez de 2,64% para expansão de 2,89%. Para 2024, as estimativas passaram de 1,47% para crescimento de 1,50% da atividade.
As expectativas para o IPCA foram reduzidas de 4,93% para 4,86% este ano, e de 3,89% para 3,86% em 2024.
Para o câmbio, o mercado vê agora o dólar cotado a R$ 4,95 em dezembro e a R$ 5,00 ao fim do próximo ano, ante projeções anteriores de R$ 5,00 e R$ 5,02, respectivamente.
2. Inflação e juros no mundo
Um período de 36 horas repleto de decisões de política monetária ao redor do globo pode definir o tom para o restante do ano, à medida que o mundo se ajusta à determinação dos Estados Unidos de manter as taxas de juros elevadas.
Começando com o Federal Reserve na quarta-feira e terminando com o Banco do Japão dois dias depois, a política monetária será decidida em reuniões-chave em metade do Grupo dos 20 países mais industrializados.
Os bancos centrais das economias avançadas, que representam seis das 10 moedas mais negociadas, podem ser foco de atenção especial, à medida que os formuladores de políticas globais se adaptam à tendência de que as taxas provavelmente permanecerão mais altas por mais tempo.
Todas as evidências sugerem que a inflação ainda não está totalmente sob controle em grande parte do mundo, e o contínuo aumento nos preços do petróleo bruto está alimentando preocupações de mais pressão inflacionária.
3. Mercados
As ações recuam na manhã desta segunda-feira à medida que os traders reduzem a exposição ao risco antes de uma série de decisões de política monetária programadas para esta semana nos Estados Unidos, Brasil, Reino Unido e Japão.
As ações de tecnologia caem, seguindo as baixas da Nvidia (NVDA) e da Meta (META), que caíram mais de 3,5% nos Estados Unidos na sexta-feira (15). Os futuros de ações dos EUA cediam por volta das 8h50 (horário de Brasília).
As ações na Ásia também tiveram queda, sendo influenciadas principalmente por empresas de tecnologia. O índice Hang Seng de Hong Kong caiu até 1,6%, enquanto o índice CSI 300 da China chegou brevemente ao seu nível mais baixo deste ano antes de apagar as perdas.
4. Manchetes dos principais jornais
Estadão: Senadores aproveitam brecha de regra e empregam igual empresa de médio porte
Folha de S. Paulo: Lira aponta excessos aflorando na PF e critica delações como a de Mauro Cid
O Globo: Brasil terá superávit recorde, com salto nas exportações do agronegócio
Valor Econômico: Preço da madeira dispara e desafia papeleiras
5. Agenda
No Brasil, às 9h, acontece a divulgação do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) referente ao mês de julho.
Na zona do euro, às 9h30, está programado o discurso de Elderson, representante do Banco Central Europeu (BCE). Às 12h, acontece o pronunciamento de Panetta, também do BCE.
Às 17h, serão divulgadas as Transações Líquidas de Longo Prazo referentes ao mês de julho. Esses dados fornecem informações sobre os fluxos de capital estrangeiro para os Estados Unidos e podem impactar os mercados financeiros, especialmente as taxas de câmbio.
-- Com informações da Bloomberg News
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