Cinco coisas que você precisa saber para começar esta quarta-feira

Investidores continuam a reagir à ata do Copom e a monitorar sinais sobre aperto monetário em outros países; nos EUA, Biden acredita que país pode evitar recessão

Fachada do Banco Central em Brasília
PUBLICIDADE

Bloomberg Línea — Em um dia mais tranquilo do ponto de vista da divulgação de índices econômicos, os investidores continuam a reagir nesta quarta-feira (28) à ata do Comitê de Política Monetária (Copom).

O documento deixou a porta aberta para um possível corte dos juros em agosto se a inflação continuar a dar sinais de arrefecimento, o que entusiasmou alguns traders. A sinalização foi vista com ainda mais otimismo depois que dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) mostraram uma desaceleração.

PUBLICIDADE

Os juros também continuam a ser monitorados nos Estados Unidos e na Europa, com a participação da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, e do presidente do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, Jerome Powell, no Fórum de Sintra, em Portugal. Ambos fazem pronunciamentos hoje, que podem indicar os futuros passos dos bancos centrais em relação ao aperto monetário.

No cenário corporativo, a tensão entre os Estados Unidos e a China está atrapalhando as empresas de tecnologia. A Nvidia (NVDA), por exemplo, liderou as quedas nas ações de tecnologia após relatos de que o governo Biden pode estar considerando mais restrições às exportações de chips para a potência asiática.

A situação econômica da China também está mantendo os mercados atentos à possibilidade de novas medidas de estímulo. Dados mostram que os lucros das empresas industriais no país continuaram caindo em maio, refletindo o impacto da demanda fraca nas fábricas.

PUBLICIDADE

Ainda nos Estados Unidos, Biden afirmou que o país pode evitar uma recessão, contrariando as previsões de economistas e bancos.

Confira a seguir cinco destaques desta quarta-feira (28):

1. BC vai cortar os juros?

A prévia da inflação ao consumidor em junho medida pelo IPCA-15, divulgada na terça-feira (27), trouxe novos ingredientes para a avaliação dos próximos passos do Banco Central.

PUBLICIDADE

A ata da última reunião do Copom, também divulgada na terça, mostrou que os economistas não descartam um corte da taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano, desde que a inflação continue em queda.

Segundo Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, a inflação teve uma desaceleração em junho por refletir a queda nos preços dos combustíveis e no gás de cozinha anunciada pela Petrobras (PETR3, PETR4) e também o programa de carro popular.

Para Salles, a resiliência da inflação de serviços, a pressão nos núcleos e as expectativas de inflação acima da meta não parecem compatíveis com uma redução rápida da inflação; e o resultado do IPCA-15 de junho não alterou a projeção do C6 de que o IPCA terminará 2023 em 5,8%. Para 2024, a inflação deve desacelerar para 5,5%.

PUBLICIDADE

2. Nvidia em queda

A Nvidia, empresa de chips semicondutores dos EUA, liderou as quedas nas ações de tecnologia após relatos de que o governo Biden pode estar considerando mais restrições às exportações de chips para a China.

A empresa, cuja parte de sua receita vem do país, desenvolveu chips menos poderosos para contornar os limites de licença existentes para exportar para a China, mas Washington agora está considerando fechar essas portas já no próximo mês.

Enquanto isso, a competição em IA entre os dois países aumenta; As empresas de tecnologia chinesas procuram competir com titãs da indústria americana, como Google e Microsoft.

3. Mercados

As ações europeias abriram em alta nesta quarta, enquanto os futuros de ações dos EUA são pressionados pelo relatório de novas restrições às vendas de chips de inteligência artificial para a China.

O índice Stoxx Europe 600 subia até 0,5% por volta das 8h30 (horário de Brasília), com as ações se recuperando de uma sequência de seis dias de perdas que terminou na terça. Já o UBS (UBS) avançava enquanto a empresa se prepara para cortar mais da metade da força de trabalho do Credit Suisse (CS).

4. Manchetes dos principais jornais

Estadão: Relator do TSE abre caminho para processo penal e cobrança de multa a Bolsonaro

Folha de S. Paulo: Relator no TSE reforça aposta em filme, não foto, para defender Bolsonaro inelegível

O Globo: Ex-chanceler diz que reunião de Bolsonaro com embaixadores foi pedido da Presidência

Valor Econômico: Ante reivindicação de legado, relator expôs isolamento de Bolsonaro no inquérito

5. Agenda

Nos Estados Unidos, às 9h30, no horário de Brasília, é publicada a balança comercial de bens e o nível de estoques do varejo excluindo automóveis. Às 10h30, Powell, do Fed, discursa. Às 11h30, são divulgados os estoques de petróleo bruto e em cushing. Às 14h, acontece o leilão americano note a 7 anos. Por fim, às 17h30 são divulgados os resultados do teste de estresse bancário do Fed.

Na zona do euro, às 9h30 acontece o discurso de Enria, do BCE. Christine Lagarde, presidente do BCE, discursa às 10h30 e novamente ao meio-dia.

-- Com informações da Bloomberg News.

Leia também:

De bilionários a startups: corrida para superar EUA em IA vira obsessão na China

UBS planeja cortar mais da metade dos 45 mil profissionais do Credit Suisse

Dados econômicos dos EUA surpreendem e amenizam os temores de recessão