Bloomberg Línea — Os investidores aguardam nesta quarta-feira (2) a decisão sobre o rumo da taxa de juros no Brasil, que será divulgada a partir das 18h, no horário de Brasília. O mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a Selic pela primeira vez desde agosto de 2020, quando iniciou o ciclo de aperto monetário.
Os mercados também reagem à decisão da agência de classificação de risco Fitch Ratings, de rebaixar a nota de crédito dos Estados Unidos da nota mais elevada ‘AAA’ para ‘AA+’.
O país mantinha a classificação mais elevada na Fitch desde pelo menos 1994, segundo dados compilados pela Bloomberg. A perspectiva para a nota é “estável”. Isso representa uma dose extra de risco para os investidores em ações já preocupados com os riscos de recessão e se a alta deste ano nos mercados de ações é sustentável.
Ainda nos EUA, economistas do Bank of America (BAC) se juntaram ao Federal Reserve e não preveem mais uma recessão na maior economia do mundo. O movimento segue o crescente otimismo sobre as perspectivas econômicas.
Essa mudança ocorre apenas uma semana após o presidente do Fed, Jerome Powell, dizer a repórteres que os próprios economistas do banco central não estão mais prevendo uma recessão.
No cenário corporativo, Apple (AAPL) e Amazon (AMZN) divulgam resultados ainda nesta semana, com os investidores em busca de pistas sobre como as altas taxas de juros estão afetando a economia.
Confira a seguir cinco destaques desta quarta-feira (2):
1. Rumo da taxa Selic
O Banco Central deve iniciar um ciclo de alívio monetário nesta quarta, com o primeiro corte da Selic desde agosto de 2020. Não há consenso, entretanto, sobre o tamanho do corte.
A curva de juros futuros precifica uma redução de 0,50 ponto percentual, para 13,25% ao ano. Entre os economistas, 29 dos 37 pesquisados pela Bloomberg esperam corte de apenas 0,25 pp.
A manutenção da meta de inflação em 3% pelo Conselho Monetário Nacional e a queda da inflação corrente, inclusive dos núcleos, e das expectativas são os fatores apontados para justificar uma redução maior do juro.
A decisão desta semana será a primeira com os novos diretores indicados pelo atual governo, Gabriel Galípolo e Ailton Aquino.
2. Fitch rebaixa rating dos EUA
Os proeminentes economistas Lawrence ‘Larry’ Summers e Mohamed El-Erian engrossaram o coro de críticas à decisão da Fitch Ratings de rebaixar o rating dos Estados Unidos, devido aos sinais de resistência da maior economia do mundo.
Para o ex-secretário do Tesouro, Summers, embora existam motivos para preocupação com a trajetória de longo prazo do déficit dos EUA, a capacidade do país de honrar suas dívidas não deve ser questionada.
“A ideia de que isso está criando o risco de inadimplência nos títulos do Tesouro dos EUA é absurda, e não acho que a Fitch tenha qualquer percepção nova e útil sobre a situação”, disse Summers em uma entrevista por telefone.
“Os dados dos últimos meses mostram que a economia está mais forte do que as pessoas pensavam, o que é bom para a qualidade de crédito da dívida dos EUA.”
3. Mercados
As ações globais caem nesta quarta, com os investidores digerindo o rebaixamento da nota de crédito soberano dos EUA pela Fitch Ratings, que elevou o sentimento de aversão ao risco.
Perdas amplas na Europa arrastaram o índice de referência regional para o menor patamar em quase quatro semanas.
Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100, por sua vez, caíam 0,5% e 0,7%, respectivamente, por volta das 8h40 (horário de Brasília), sinalizando uma queda acentuada em Wall Street após cinco meses de ganhos para as ações americanas.
4. Manchetes dos principais jornais
Estadão: O que o investidor estrangeiro espera do Brasil? Política estável, reformas e BC autônomo, diz diretor do Citi
Folha de S. Paulo: Brasil encara Jamaica para seguir na Copa do Mundo; acompanhe
O Globo: Brasil começa melhor; seleção precisa vencer a Jamaica para continuar no Mundial; siga análises ao vivo
Valor Econômico: Orçamento de 2024 precisa de R$ 130 bi extras
5. Agenda
Nos Estados Unidos, às 9h15, no horário de Brasília, é divulgada a variação de empregos privados ADP e às 11h30 são publicados os estoques de petróleo bruto e em cushing.
No Brasil, às 14h30 é publicado o fluxo cambial estrangeiro. Na China, o PMI do setor de serviços Caixin sai às 22h45.
-- Com informações da Bloomberg News
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