Fila cresce com tênis de corrida e transforma Brasil em polo de novas tecnologias

Sob gestão do grupo Dass no país, marca esportiva registrou crescimento de 12% no país no ano passado e tem usado a operação local para desenvolver novas tecnologias usadas em calçados em outros mercados; plataforma de amortecimento Sky Foam, construída ao longo de dois anos, foi a primeira iniciativa

Em 2026, a Fila se tornou a patrocinadora do Ironman no Brasil para reforçar a marca no esporte
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Bloomberg Línea — A Fila tem invertido o fluxo tradicional de importação de tecnologia na indústria de artigos esportivos. Sob a gestão do Grupo Dass, gigante calçadista que opera a licença da marca no país desde o começo dos anos 2000, a subsidiária brasileira tem deixado de ser apenas uma distribuidora de tendências globais para se transformar em um polo de propriedade intelectual.

Por trás do movimento está a atuação que a unidade brasileira desenvolveu no mercado de corrida, esporte que reúne mais de 15 milhões de praticantes nas ruas do país, por meio da fabricação de tênis.

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De origem italiana, fundada no começo do século passado na província de Biella, no norte do país, a Fila pertence desde 2007 à Fila Korea, uma subsidiária sul-coreana que comprou a marca global e todas as demais subsidiárias.

A aproximação estratégica do Brasil com a matriz coreana e com o centro global de desenvolvimento na China intensificou-se há cerca de dois anos, capitaneada pelos resultados locais. A plataforma de amortecimento Sky Foam, construída ao longo de dois anos e lançada no começo de 2026 com o modelo SpeedRocker, foi a primeira iniciativa desenvolvida em conjunto pelas duas operações.


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“Nós ganhamos muita relevância pelo share de mercado que conseguimos e pelo quanto que nós crescemos”, afirma Adriana Magalhães David, diretora de branding e marketing da Fila Brasil. “Nos encontros que a holding realiza todo ano, conseguimos mostrar o quanto os projetos aqui estão dando certo. O Brasil é o mercado que está mais avançado em tecnologia, em performance, de corrida.”

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A Fila cresce no Brasil a uma média de 4% ao ano, ritmo que saltou para 12% em 2025 na comparação com 2024. O avanço é atribuído pela empresa à aposta em inovação, ao fortalecimento da categoria de performance e à expansão da marca no país. O faturamento global, em reais, equivaleu a R$ 15,4 bilhões no ano passado. A operação local representa menos de 10%.

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O Grupo Dass, que tem sob gestão também as marcas New Balance e Umbro, além de ser o sócio majoritário na Osklen, conta com uma unidade de desenvolvimento de produtos em Ivoti, cidade na região metropolitana de Porto Alegre.

A parceria, segundo a executiva, já tem novos desdobramentos previstos. O primeiro será apresentado ao mercado ainda em agosto e o segundo, no próximo ano. “Acreditamos que iremos avançar muito com esses novos projetos”, diz, sem revelar detalhes.

A base do lançamento de agosto é para o público em geral e, em 2027, para a elite, tanto do triatlo quanto da corrida, em um processo de evolução técnica.

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“Queremos que esse projeto de 2027 seja um lançamento global e teremos o Ironman muito envolvido no projeto, no sentido de endosso aos atletas e à credibilidade de tecnologia. A ideia é contar essa história desde a primeira engenharia da Fila até a evolução de agora”, afirma a diretora. No Brasil, o IronMan é patrocinado pela Fila. Em outros mercados, a Hoka é quem detém os direitos.

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Segundo a diretora, o avanço na qualidade dos produtos desenvolvidos pela marca tem sido possível por causa da proximidade com os atletas patrocinados, que são convidados para darem palpites e contribuições. No rol de atletas, a marca conta com nomes como os triatletas Luisa Baptista, Igor Amorelli, Reinaldo Colucci, e Pamella Oliveira, tetracampeã no Ironman Brasil.

A unidade local também exporta a tecnologia e modelos de tênis desenvolvidos no país, como Carbon Race e o Speed, que serão comercializados em outros mercados, como países da América Latina e Ásia. A holding também incorporou a tecnologia do Speedzone, um dos tênis mais acessíveis da marca.

A relação entre a unidade brasileira e as demais é impactada pela dinâmica logística e tributária, que dificulta a exportação física direta a partir das fábricas locais para outros continentes, desenhando um modelo de negócios baseado em ativos intangíveis.

“Quando falamos de um trabalho de parceria é porque, às vezes, as outras unidades da Fila não conseguem importar o nosso produto, que fica muito caro. Eles têm que desenvolver o mesmo produto lá na Ásia para subsidiar as outras unidades”, conta.

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O crescimento em performance tem marcado uma nova fase para a Fila no Brasil. Anos atrás, a unidade investiu em capturar uma fatia relevante do mercado por meio do sportswear e do lifestyle casual — período marcado pelo sucesso comercial do tênis Disruptor e por desfiles na Milan Fashion Week.

Embora o segmento de treinos (focado em confecção e no mercado de wellness) e o tênis de quadra estejam em alta, é a corrida de rua que dita o ritmo dos investimentos e apresenta os melhores indicadores de margem e fidelização.

“Hoje, sem dúvida, o running é a categoria que mais cresce e que mais representa em percentual na Fila Brasil, puxado por calçados. Exatamente porque o calçado hoje é onde você precisa de fato de tecnologia”, diz Adriana.

A tese de investimento no segmento é respaldada pelo comportamento e recorrência de compra do consumidor desse ecossistema.

“O negócio de tênis de quadra no Brasil não é tão grande, o calçado é mais limitável. Esse tênis dura uns seis meses. Ou seja, a recorrência não é frequente. Em corrida, o atleta quer um para rodagem, um para longa distância e outro para prova. Os tênis se complementam, então você tem um mercado com muito mais potencial.”

A expansão de portfólio da marca mira ainda o nicho de trail run (corrida de trilha). Embora o mercado brasileiro de montanha não tenha relevância financeira expressiva frente às maratonas de rua, o segmento tem registrado crescimento de dois dígitos.

“Faz parte do DNA da Fila, que nasceu em Biella, nos Alpes. Temos planos de investir bastante nesse mercado, colocar mais energia e mais tecnologia, porque percebemos que essas corridas atraem interesse e o consumidor está procurando”, diz.