Bloomberg — Em todo o Oriente Médio, viajantes retidos estão sendo forçados a improvisar rotas complexas para sair da zona de guerra em expansão, já que as companhias aéreas comerciais suspenderam a maioria de seus voos na região.
A enxurrada de mísseis e interceptadores sobrevoando os centros financeiros de Dubai, Abu Dhabi e Doha forçou as nações a fechar seus espaços aéreos, deixando a responsabilidade de traçar seus próprios caminhos de volta para casa a cargo dos visitantes.
Essas odisseias geralmente envolvem arranjos improvisados, longas viagens pelo deserto e, muitas vezes, somas consideráveis de dinheiro.
Entre aqueles que estavam tentando voltar para casa estava Kalie Moore, que ficou presa em Doha após um safári no Quênia. Quando ela estava pronta para embarcar em seu voo de conexão de volta a Berlim, os projéteis começaram a voar e o Catar fechou seu espaço aéreo.
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Depois de esperar com milhares de outros passageiros no aeroporto, ela se hospedou em um hotel próximo, onde a equipe deu instruções rigorosas para que permanecessem dentro do estabelecimento.
“Na verdade, foi uma loucura, porque de manhã você acordava com os mísseis sendo interceptados”, disse Moore.
Percebendo que o espaço aéreo não seria reaberto tão cedo, Moore decidiu deixar Doha e ir para a Arábia Saudita, onde os voos ainda estavam operando.
Juntando-se a outro viajante, eles encontraram um motorista que os levaria na viagem de seis horas até Riad por US$ 1.000.
E embora existam muitos relatos de milionários cripto abastados e influenciadores glamorosos sendo levados em carros luxuosos e jatos particulares, a realidade para a grande maioria tem sido muito mais humilde.
No caso de Moore, seu transporte de US$ 1.000 era um carro velho, e a dupla trocou de automóvel e motorista na fronteira e comeu em postos de gasolina ao longo do caminho.
Moore então reservou um voo da British Airways de volta para casa via Londres, que custou outros US$ 2.000.
Sua viagem cheia de idas e vindas é algo que muitos fizeram nos últimos dias, incluindo o ministro da Defesa da Itália e tenistas russos que ficaram presos após disputarem um torneio em Dubai.
O governo do Reino Unido disse que 130.000 cidadãos se inscreveram para receber notificações das autoridades, e alguns países estão trabalhando com companhias aéreas para trazer seus cidadãos de volta para casa.

Para complicar a situação, um funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos instou os americanos a deixarem os países do Oriente Médio. A notificação se tornou viral, com muitos funcionários de empresas internacionais em Dubai entrando em contato com suas lideranças para saber se isso acionaria planos de evacuação.
Algumas empresas estão de fato se mobilizando para evacuar seus funcionários de uma cidade que há muitos anos é considerada um porto seguro em meio à turbulência.
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O Macquarie Group, da Austrália, estava entre as empresas que retiraram alguns funcionários por via terrestre, passando pela Arábia Saudita e Omã.
Muitos dos que ainda estão presos em lugares como Dubai e Abu Dhabi identificaram duas rotas principais de fuga: via Arábia Saudita ou para o Aeroporto Internacional de Muscat, em Omã, onde as operações estão normais e a viagem de carro de Dubai pode ser feita em pouco menos de cinco horas.
Aqueles que se aventuram na viagem precisam se preparar para várias viagens de táxi e muita paciência. Desde que o espaço aéreo foi fechado, o tráfego aumentou consideravelmente, com centenas de ônibus e carros fazendo o mesmo trajeto. Também não há garantia de chegar a Muscat.
“Um dia estava tudo aberto e sem fila”, disse Karim Gharbi, chefe do serviço de concierge de jatos particulares e mobilidade global da Arton Capital. “No segundo dia, havia muitas pessoas, então a fronteira de Omã foi fechada.”
As empresas de Gharbi ajudaram a realocar mais de 40 pessoas para Omã, incluindo famílias e casais. Guarda-costas acompanharam alguns para que se sentissem seguros e para ajudá-los a passar rapidamente pela fiscalização na fronteira, disse ele.
Um dos clientes foi o empresário de tecnologia Thierry Carbou, de 49 anos, que mora em Dubai há 15 anos. Ele estava almoçando no sábado em um clube de praia quando começou a ouvir explosões acima.
O cidadão com dupla nacionalidade francesa e canadense voltou para seu apartamento no icônico arranha-céu Burj Khalifa e estava conversando com sua família quando uma grande explosão atingiu o City Walk, do outro lado da torre.
“Você ouve essa enorme explosão, depois vê essa fumaça preta”, disse ele. “Nós nos olhamos e dissemos: ‘OK, hora de ir’”.
Seguindo o conselho da Arton Capital, eles dirigiram até Ras Al Khaimah, uma cidade a cerca de uma hora de carro ao norte de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ao longo do caminho, Carbou disse que viu sistemas de defesa aérea disparando.
Desde que chegaram, o clima tem estado calmo: os hotéis estão funcionando e as pessoas estão na praia, como em um dia normal em Dubai.
“Sem pânico”, disse Carbou.
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