Bloomberg — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, receberá o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (8), em meio a tensões sobre a guerra do Irã e seu impacto na economia global.
A visita de trabalho entre os dois líderes incluirá discussões sobre assuntos econômicos e de segurança de importância compartilhada, de acordo com uma autoridade da Casa Branca.
Os dois líderes tiveram um relacionamento espinhoso no passado, pois entraram em conflito sobre comércio, política externa e o destino do ex-presidente Jair Bolsonaro - um aliado de Trump que foi condenado por planejar um golpe após sua derrota nas eleições de 2022 para Lula.
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No ano passado, Trump impôs tarifas pesadas ao Brasil, juntamente com sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, em uma tentativa malsucedida de impedir o julgamento de Bolsonaro, medidas que deram a Lula um impulso de popularidade em casa.
Os líderes chegaram a uma distensão após uma reunião improvisada na Assembleia Geral da ONU em setembro. Posteriormente, eles se reuniram na Malásia e Trump suspendeu os impostos sobre muitas das principais exportações brasileiras.
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O Brasil emergiu como um dos maiores vencedores quando a Suprema Corte dos EUA derrubou a abrangente tarifa global país por país de Trump em fevereiro, com sua taxa tarifária média caindo drasticamente mesmo após a entrada em vigor dos impostos de substituição.
A reunião ocorrerá em um momento crucial para Lula. O líder brasileiro está empatado nas pesquisas de intenção de voto com o senador Flávio Bolsonaro, o filho mais velho de Jair Bolsonaro, antes da eleição de outubro, na qual ele planeja buscar outro mandato. O salto na aprovação que ele recebeu com a batalha contra Trump se desvaneceu nos últimos meses.
A luta contra o crime organizado terá destaque nas conversas, com o governo de Lula buscando fortalecer a cooperação com os EUA em sua batalha contra as principais facções criminosas, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em uma entrevista de rádio na quarta-feira.
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As nações lançaram uma iniciativa conjunta para combater o contrabando de drogas e armas no mês passado, e o Brasil buscou a ajuda dos EUA contra a lavagem de dinheiro e outras práticas ilícitas, já que o crime representa desafios para Lula antes da eleição.
O comércio continua sendo uma questão controversa, já que algumas tarifas específicas do setor dos EUA permanecem em vigor - inclusive sobre o aço - e o governo Trump busca outras taxas sob outras autoridades para reconstruir o muro tarifário do presidente. O Brasil é um importante fornecedor de aço para os EUA.
Durigan disse que Lula tentará discutir o pix, o desmatamento e outras questões que fazem parte de uma investigação em andamento nos EUA sobre as práticas comerciais do Brasil.
Os esforços de Washington para forjar uma importante parceria de minerais críticos com o Brasil também enfrentaram obstáculos, já que o governo de Lula luta para entregar um plano nacional de mineração. O Brasil abriga as maiores reservas de terras raras do mundo fora da China e também possui depósitos significativos de outros minerais essenciais para a tecnologia moderna.
O Irã também é uma fonte de atrito entre as duas nações. Lula condenou a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Assim como outras economias, o Brasil tem lutado para atenuar as consequências do conflito, que restringiu o fluxo de energia e gás através do Estreito de Ormuz, aumentando os preços globais.
Lula tem procurado combater o aumento dos custos dos combustíveis, que ameaçam provocar a inflação e atiçar a ira dos agricultores, consumidores e empresas antes das eleições.
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