Keiko Fujimori garante vantagem decisiva e deve se tornar nova presidente do Peru

Conservadora abre margem suficiente para confirmar vitória após semanas de disputas sobre votos contestados e recontagens. Resultado fortalece agenda pró-mercado e reduz temores de novos impasses entre Executivo e Congresso

Conservadora atingiu 50,1% dos votos com 99,8% da apuração completa (Foto: Sebastian Castaneda/Bloomberg)
Por Carla Samon Ros

Bloomberg — A conservadora Keiko Fujimori está prestes a se tornar a próxima presidente do Peru após disputar sua quarta campanha consecutiva, de acordo com dados publicados pelo órgão regulador eleitoral após semanas de análise dos votos contestados.

Com uma diferença de 43.386 votos entre Fujimori e seu rival de esquerda, Roberto Sánchez, e não mais do que 39.300 votos em disputa, a conservadora agora possui margem suficiente para garantir sua liderança.

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Fujimori tem 50,1% dos votos, enquanto Sánchez tem 49,9%, com 99,8% dos votos apurados.

A contagem oficial completa ainda não está finalizada, e os resultados do segundo turno certamente enfrentarão contestação por parte de Sánchez, que afirmou não reconhecer a vitória de Fujimori devido a supostas irregularidades na recontagem no exterior, onde a conservadora obteve ampla vitória.


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Observadores eleitorais afirmaram que a votação transcorreu normalmente.

O resultado garantiria a Fujimori o cargo que ela vem buscando desde 2011 e a tornaria a primeira mulher eleita presidente daquele país politicamente turbulento.

Uma vitória da candidata de direita, de 51 anos, tranquilizaria os investidores que apoiam suas políticas pró-mercado e temem os planos de Sánchez de reformular a constituição peruana, já favorável ao mercado.

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A vitória dela também acrescentaria o Peru à crescente lista de países latino-americanos que estão se voltando para a direita, uma tendência que acaba de se consolidar na Colômbia com a vitória de Abelardo de la Espriella e que poderá ser seguida pelo Brasil ainda este ano.

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Como o partido Força Popular, de Fujimori, deterá a maior minoria no recém-restaurado Congresso bicameral — o suficiente para bloquear quaisquer tentativas de impeachment —, espera-se que sua vitória resulte em maior estabilidade política após anos de destituições que levaram o Peru a passar por oito presidentes na última década.

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“Fujimori assumiria o cargo com uma base institucional significativamente mais sólida”, afirmou Luis Ramos, chefe de pesquisa de ações da corretora LarrainVial, em uma nota, acrescentando que uma relação mais construtiva entre os poderes Executivo e Legislativo poderia impulsionar o crescimento, proporcionando clareza regulatória e processos de licenciamento mais ágeis.

Fujimori é uma das políticas mais conhecidas do Peru, mas a condenação de seu pai, Alberto Fujimori, por violações dos direitos humanos e corrupção já havia levado muitos peruanos a afirmar que nunca votariam nela.

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Desta vez, o legado de seu pai, cujo governo liderou uma guerra sangrenta contra grupos guerrilheiros, ajudou-a a transmitir uma mensagem de lei e ordem em um momento em que os eleitores consideram a segurança pública sua principal preocupação.

Fujimori prometeu deportar todos os imigrantes sem documentos que cometam crimes, conceder às forças armadas o controle das fronteiras e obrigar os presos a trabalhar para pagar por sua alimentação, ao mesmo tempo em que pretende reproduzir a megaprisão de alta segurança construída em El Salvador durante o governo do presidente Nayib Bukele.

Ela também é amplamente vista como uma defensora do modelo econômico sustentado pela Constituição peruana de 1993, um texto favorável aos negócios promulgado durante o governo de seu pai, que ajudou o país a crescer mais rapidamente do que muitos outros da região e a se tornar um dos principais exportadores de metais e frutas.

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Fujimori prometeu dobrar o crescimento anual para 6%, reduzir a burocracia e introduzir um regime de isenção fiscal para pequenas empresas, a fim de incentivar a formalização em uma economia onde 70% dos trabalhadores atuam no setor informal.

Durante a campanha, ela nomeou o ex-ministro da Fazenda e ex-diretor do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), Luis Carranza, para liderar sua equipe econômica.

A próxima presidente do Peru assumirá o cargo em 28 de julho para um mandato de cinco anos e se tornará a nona líder em uma década a governar a nação.

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