Gasto militar cai nas Américas com recuo dos EUA; Brasil e Guiana ampliam despesas

América do Sul vai na contramão e cresce 3,4% em despesas militares, liderada por Brasil e Guiana, enquanto América do Norte puxa queda regional, segundo relatório do Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisa da Paz (SIPRI)

El presidente Trump celebra el cumpleaños del Ejército -y el suyo propio- con un desfile.

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Bloomberg Línea — A América foi o único continente onde o gasto militar não aumentou em 2025, mas sim caiu, segundo relatório publicado pelo Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisa da Paz (SIPRI).

O gasto militar global somou US$ 2,88 trilhões no ano passado, alta de 2,9% em relação a 2024, e a tendência é de continuidade do crescimento, em meio ao aumento da incerteza geopolítica.

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“O gasto militar global voltou a crescer em 2025, à medida que os Estados responderam a mais um ano de guerras, incerteza e turbulência geopolítica com amplas campanhas de armamento”, disse Xiao Liang, pesquisador do Programa de Gasto Militar e Produção de Armamentos do SIPRI.

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“Diante do conjunto atual de crises, bem como das metas de gasto militar de longo prazo de muitos países, esse crescimento provavelmente continuará em 2026 e além.”

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Apesar da queda de 6,6% no gasto militar das Américas em 2025 na comparação anual, a região foi a que mais destinou recursos, com US$ 1,06 trilhão — dos quais os Estados Unidos responderam por US$ 954 bilhões, ou 90%.

Na sequência aparecem Europa (US$ 864 bilhões, alta de 14%), Ásia e Oceania (US$ 685 bilhões, alta de 8,1%) e África (US$ 52,8 bilhões, alta de 8,5%).

A redução do gasto militar nas Américas ocorreu principalmente porque os Estados Unidos não aprovaram novos pacotes de assistência militar à Ucrânia em 2025. O dado é relevante: nos três anos anteriores, esse apoio somou US$ 127 bilhões.

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Nesse contexto, no primeiro ano do atual governo de Donald Trump, o gasto militar dos Estados Unidos caiu 7,5%.

Ainda assim, o país “aumentou investimentos tanto em capacidades militares nucleares quanto convencionais para manter a supremacia no hemisfério ocidental e dissuadir a China no Indo-Pacífico, objetivos centrais da nova Estratégia de Segurança Nacional”.

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Um ponto relevante é que, enquanto os Estados Unidos reduziram seus gastos militares, a Europa os ampliou em grande medida devido à pressão de Trump sobre a OTAN.

“Em 2025, o gasto militar dos membros europeus da OTAN cresceu mais rápido do que em qualquer momento desde 1953, refletindo a busca contínua por maior autonomia europeia, além da pressão crescente dos Estados Unidos para reforçar a divisão de encargos dentro da aliança”, disse Jade Guiberteau Ricard, pesquisadora do Programa de Gasto Militar e Produção de Armamentos do SIPRI.

América do Sul, uma exceção no continente

A América do Norte reduziu seus gastos militares em 6,6%, movimento associado à queda dos investimentos dos Estados Unidos nessa área. O Canadá, por sua vez, elevou os gastos em 23%, para US$ 37,5 bilhões.

Já o gasto militar na América Central e no Caribe caiu 27% em 2025, para US$ 17,1 bilhões.

“As tendências na sub-região são fortemente influenciadas pelo gasto militar do México, que caiu um terço em 2025, para US$ 13,6 bilhões. Isso ocorreu após um aumento de 71% em 2024”, segundo o SIPRI.

A América do Sul foi a exceção no continente, já que o gasto militar não caiu, mas aumentou 3,4% em relação a 2024, impulsionado por Brasil e Guiana.

“O Brasil elevou seu gasto militar em 13% em 2025, para US$ 23,9 bilhões”, de acordo com o relatório. “Esse aumento se deveu principalmente a maiores investimentos em desenvolvimento tecnológico naval e ao aumento dos custos com pessoal militar.”

A Guiana ampliou seus gastos militares em 16%, para US$ 248 milhões em 2025, em meio à escalada das tensões com a Venezuela em torno do Essequibo, região em disputa e rica em petróleo, além de ouro e diamantes.

O valor investido pela Venezuela em gastos militares permanece desconhecido, já que o governo deixou de divulgar esses dados há anos.