Da Guiana a Cuba: economias que mais crescerão e encolherão em LatAm, segundo a Cepal

Guiana lidera as projeções, com alta prevista de 16,2% em 2026, seguida por Venezuela, com 6,5%; região deve avançar 2,2%, mesmo patamar previsto para o Brasil, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe

Cuba.
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Bloomberg Línea — A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) manteve nesta quinta-feira sua projeção de crescimento de 2,2% para a região em 2026, diante de um ambiente econômico global adverso, marcado pelas pressões sobre o setor de energia e pelas incertezas decorrentes das tensões no Oriente Médio.

Com isso, a América Latina e o Caribe completariam cinco anos consecutivos com crescimento médio de cerca de 2,3%.

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A Cepal considera que essa taxa é insuficiente para elevar de forma sustentada a renda por habitante, reduzir as lacunas de desenvolvimento e ampliar significativamente o espaço para políticas públicas.


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“As perspectivas para 2026 e 2027 indicam que a América Latina e o Caribe enfrentariam um ambiente internacional mais complexo, caracterizado por menor crescimento da economia mundial, elevada incerteza geopolítica e financeira e maiores pressões sobre os mercados internacionais de energia”, afirmou a Cepal.

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O Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2026, apresentado pela Cepal em Santiago, no Chile, mostra que a economia regional deve desacelerar neste ano em relação a 2025, quando cresceu 2,4%.

Essa desaceleração do crescimento regional em 2026 daria lugar a uma recuperação parcial em 2027, embora com diferenças acentuadas entre países e sub-regiões.

Nesse contexto, o organismo projeta que o PIB regional cresça 2,5% em 2027.

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As projeções da Cepal indicam que as tensões enfrentadas pela economia global devem começar a diminuir gradualmente ao longo de 2027.

Para a Cepal, por trás desse desempenho agregado “há economias que manteriam um crescimento relativamente dinâmico e outras que continuariam enfrentando baixo crescimento”.

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Isso refletiria diferenças na estrutura produtiva, na exposição a choques externos e no espaço disponível para a política macroeconômica.

A sub-região da América do Sul passaria de um crescimento de 2,9% em 2025 para 2,5% tanto em 2026 quanto em 2027.

Enquanto isso, a América Central desaceleraria de 2,3% em 2025 para 1,6% em 2026, antes de se recuperar para 2,8% em 2027.

Já o Caribe, apesar do forte impulso da Guiana e de seu setor de hidrocarbonetos, passaria de um crescimento de 6,1% em 2025 para 5,6% em 2026, antes de avançar 7,9% em 2027.

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“Além da recente deterioração do contexto internacional, persistem restrições estruturais que continuam limitando a capacidade de crescimento das economias da região”, afirmou o organismo no documento.

Em relação à inflação, a Cepal considera que ela deve permanecer contida e continuar convergindo gradualmente para as metas dos bancos centrais.

O déficit em conta corrente, por sua vez, deve permanecer em níveis moderados, segundo as projeções do organismo.

A estimativa da Cepal é que o emprego continue crescendo, embora em ritmo cada vez menor, e que a taxa de desemprego permaneça próxima de níveis historicamente baixos.

“Esses resultados coexistiriam com um crescimento insuficiente para aumentar a renda per capita e acelerar a criação de empregos formais, em parte por causa das baixas taxas de investimento e de crescimento da produtividade”, segundo o relatório.

As economias que mais crescerão

Em meio ao “boom” do petróleo, a Guiana voltará a se destacar como a economia que mais crescerá na América Latina e no Caribe, com expansão projetada de 16,2% em 2026 e de 19,7% em 2027.

No Caribe, destaca-se especialmente a República Dominicana, com crescimento esperado de 4% em 2026 e de 4,4% em 2027, impulsionado pelo turismo e pelos serviços.

Na América do Sul, a Venezuela aparece entre as economias de maior crescimento, com expansão de 6,5% tanto em 2026 quanto em 2027.

No caso da Venezuela, é preciso considerar que o país parte de uma base muito baixa devido à crise econômica e à retomada do setor petrolífero após a captura de Nicolás Maduro em janeiro passado.

Depois da Venezuela aparecem o Paraguai, com projeção de crescimento de 4,3% para 2026 e de 4% para 2027, e a Argentina, com estimativas de 3,3% e 3,4%, respectivamente.

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Na América Central, também se destacam o Panamá, com projeção de 4,4% em 2026 e 4,6% em 2027; a Nicarágua, com 4,5% e 4%; e a Guatemala, com 4% e 4,1%.

Na outra ponta, Cuba apresenta a pior perspectiva, com contração estimada de 10,3% em 2026 e de 5,1% em 2027.

Também se destacam as quedas do Haiti, de 1,9% e 0,7%, e da Jamaica, cuja economia deve recuar 1,2% em 2026 antes de se recuperar e crescer 2,5% em 2027.

Entre as economias que devem crescer, a Bolívia apresenta uma das taxas mais baixas, de apenas 0,5% em 2026 e 0,8% em 2027.

Entre as principais economias da região, o México aparece entre as de menor dinamismo, com expansão de 1,3% em 2026 e de 1,9% em 2027, enquanto o Brasil deve crescer 2,2% nos dois períodos.

Projeção da Cepal para o crescimento do PIB na América Latina e no Caribe (agosto de 2026)

América do Sul

  • Argentina: 3,3% em 2026 | 3,4% em 2027
  • Bolívia: 0,5% | 0,8%
  • Brasil: 2,2% | 2,2%
  • Chile: 1,6% | 2,2%
  • Colômbia: 2,6% | 2,5%
  • Equador: 2,4% | 2,5%
  • Guiana: 16,2% | 19,7%
  • Paraguai: 4,3% | 4%
  • Peru: 3,2% | 3,3%
  • Suriname: 3,5% | 4,4%
  • Uruguai: 1,5% | 2,2%
  • Venezuela: 6,5% | 6,5%

México e América Central

  • México: 1,3% | 1,9%
  • Costa Rica: 3,7% | 3,9%
  • El Salvador: 3,9% | 3,7%
  • Guatemala: 4% | 4,1%
  • Honduras: 3,5% | 3,7%
  • Nicarágua: 4,5% | 4%
  • Panamá: 4,4% | 4,6%

Caribe

  • Antígua e Barbuda: 3,5% | 3,5%
  • Bahamas: 2% | 2,2%
  • Barbados: 2,5% | 2,2%
  • Belize: 2,5% | 2,3%
  • Cuba: -10,3% | -5,1%
  • Dominica: 3,1% | 2,8%
  • Granada: 3,5% | 3,5%
  • Haiti: -1,9% | -0,7%
  • Jamaica: -1,2% | 2,5%
  • República Dominicana: 4% | 4,4%
  • São Cristóvão e Névis: 2% | 2,5%
  • São Vicente e Granadinas: 3% | 2,6%
  • Santa Lúcia: 2% | 1,5%
  • Trinidad e Tobago: 0,8% | 1,5%

Armadilha de baixa capacidade de crescimento

A Cepal reiterou, durante a apresentação do relatório em Santiago, no Chile, que a América Latina continua presa em “uma armadilha de baixa capacidade de crescimento”, cuja explicação, segundo o organismo, é fundamentalmente estrutural.

Em seu diagnóstico da economia regional, a Cepal aponta a persistência dos baixos níveis de investimento, o fraco crescimento da produtividade, a desaceleração da criação de empregos formais e a elevada informalidade.

“Consequentemente, preservar a estabilidade macroeconômica continuará sendo uma condição necessária, mas não suficiente para acelerar o crescimento”, afirmou a Cepal.

O organismo também destaca que a transformação produtiva da região enfrenta o desafio da elevada informalidade na América Latina e no Caribe. “Mais do que um problema do mercado de trabalho, a informalidade limita a acumulação de capacidades produtivas, reduz a eficácia das políticas públicas e enfraquece a capacidade do crescimento de gerar aumentos sustentados de produtividade e empregos de qualidade.”

Entre as medidas sugeridas, a Cepal menciona a necessidade de ampliar o espaço para políticas macroeconômicas e articulá-las com políticas de desenvolvimento produtivo, inovação, transformação digital e integração regional, a fim de elevar o investimento, acelerar o crescimento da produtividade e ampliar a geração de empregos formais de qualidade.

“Somente por meio dessa combinação será possível transformar uma eventual melhora do contexto internacional em um processo sustentado de crescimento mais dinâmico, inclusivo e resiliente”, afirma o relatório.