Como Ken Griffin planeja fazer de Miami mais do que um reduto de super-ricos

Investidor bilionário, dono da Citadel, tem se empenhado em promover universidades, hospitais e museus na região, com a ideia de fazer que Miami se torne uma cidade de negócios com instituições de referência

Vista de Miami: nome Griffin parece estar em toda parte. (Foto: Eva Marie Uzcategui/Bloomberg)
Por Anna J Kaiser - Michael Smith
PUBLICIDADE

Bloomberg — Ken Griffin tem dedicado anos à tentativa de transformar Miami de um refúgio para os ricos do mundo em um polo financeiro e tecnológico.

Esse esforço tem se concentrado principalmente no distrito financeiro de Brickell, onde Griffin está construindo a sede de seu império Citadel.

PUBLICIDADE

Com uma doação de US$ 2 bilhões para a construção de um campus da Universidade Carnegie Mellon no bairro de Wynwood, em Miami, Griffin aposta que poderá concluir essa transformação.

“A magnitude dessa doação reflete a magnitude da aspiração”, afirmou Griffin em entrevista à Bloomberg Television.


⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

PUBLICIDADE

Griffin imagina a universidade como uma incubadora educacional onde talentos da engenharia serão preparados para trabalhar na Citadel ou para abrir empresas que atrairão investimentos para o sul da Flórida por gerações.

A CMU Miami trará centenas de empresas de tecnologia, startups e oportunidades de carreira para a cidade, afirmou Griffin na entrevista à TV, o que terá impacto “tanto sobre a população de Miami quanto sobre a maior prosperidade de nossa nação”.

Leia também: Miami supera Nova York em vendas de imóveis de ultraluxo e se aproxima de recorde

PUBLICIDADE

Desde que deixou Chicago em 2022, Griffin tomou medidas drásticas para marcar presença em Miami. Ele está construindo uma sede de vários bilhões de dólares para a Citadel, sem igual entre as empresas da cidade, um amplo complexo familiar no enclave de elite de Star Island e uma marina privada para seus iates.

O nome Griffin parece estar em toda parte em Miami — um legado de doações de centenas de milhões a inúmeras causas e de uma campanha coordenada para garantir o apoio de líderes empresariais e políticos locais.

'A magnitude dessa doação reflete a magnitude da aspiração' (Foto: Aaron Schwartz/Bloomberg)

Há o Centro Kenneth C. Griffin no Instituto de Neurociência da Baptist Health Miami, para o qual ele doou US$ 50 milhões. Ele doou US$ 10 milhões ao Museu de Arte Perez de Miami, onde 10 pinturas de sua coleção, de autoria do falecido Jean-Michel Basquiat, estão expostas na Galeria Kenneth C. Griffin.

PUBLICIDADE

A Universidade de Miami, à qual ele doou US$ 50 milhões, conta com o Edifício Kenneth C. Griffin de Pesquisa Oncológica, e o Nicklaus Children’s Hospital, beneficiário de US$ 25 milhões, possui a Torre Cirúrgica Kenneth C. Griffin.

Ciclistas e corredores percorrem a Trilha Urbana Kenneth C. Griffin, que o financista apoiou com uma doação de US$ 5 milhões.

O campus de extensão da Carnegie Mellon reflete os planos mais amplos de Griffin para moldar a política, as instituições de ensino e a economia de Miami.

Ele passou anos promovendo Miami como um refúgio seguro e favorável aos negócios em comparação com Chicago, onde fundou a Citadel e construiu uma fortuna que hoje ultrapassa US$ 57 bilhões, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg.

Durante a pandemia de covid-19, Griffin deixou Chicago em meio a profundas desavenças com líderes políticos locais sobre questões de qualidade de vida, como a criminalidade.

Griffin há muito afirma que grandes universidades são essenciais para a ascensão de Miami como uma cidade de nível mundial.

A ideia remete à Era Dourada dos Estados Unidos, no final do século XIX, quando benfeitores ricos, incluindo Cornelius Vanderbilt e John D. Rockefeller, fundaram instituições icônicas como a Universidade Vanderbilt e a Universidade de Chicago.

Leia também: De forma discreta, bilionário do Google aluga escritório em Miami para seu family office

Transformar Miami em uma cidade voltada para os negócios, com instituições de ensino superior de elite onde os jovens permaneçam e construam suas fortunas, provavelmente será um desafio.

Um recente afluxo de residentes abastados vindos de outras regiões ajudou a elevar os custos de moradia, gerando preocupações quanto à acessibilidade.

Além disso, há inquietação em relação aos riscos climáticos, desde o aumento do nível do mar até furacões mais intensos. O tráfego intenso e a escassez de escolas de elite também têm feito com que alguns potenciais residentes pensem duas vezes.

Além disso, a Flórida vem passando por uma reforma conservadora na educação, liderada pelo governador Ron DeSantis, que afastou muitos acadêmicos e levantou questões sobre o futuro das escolas de ensino fundamental e médio do estado, bem como de suas universidades.

“Ken Griffin está apostando que uma nova universidade pode superar o que é basicamente um ambiente hostil à liberdade intelectual e à criatividade”, afirmou Mitchell Moss, professor de planejamento e políticas urbanas da Universidade de Nova York. “A Flórida é um ótimo lugar para se viver, mas não sabemos se é um ótimo lugar para se aprender.”

Griffin uniu forças com outro magnata que tenta remodelar o sul da Flórida. O bilionário incorporador Stephen Ross deixou Nova York durante a pandemia e voltou seu foco e sua fortuna para transformar West Palm Beach em uma “cidade-modelo”.

Griffin e Ross uniram forças em uma campanha de US$ 10 milhões para convencer líderes empresariais de que o sul da Flórida é “o centro da próxima geração de crescimento”.

No entanto, as dificuldades de adaptação persistem. Os recém-chegados abastados enfrentam dificuldades para conseguir vagas para seus filhos nas poucas escolas particulares de ponta de Miami, e as listas de espera para clubes de golfe e clubes de campo exclusivos já chegam a anos. A região, com 6 milhões de habitantes, possui um transporte público precário e um trânsito notório.

Griffin foi cofundador da Partnership for Miami, um grupo liderado pelo setor empresarial que busca resolver o que consideram os problemas mais urgentes da cidade. Ele fundou a organização ao lado dos magnatas de Miami Orlando Bravo e da incorporadora imobiliária Ana-Marie Codina.

“Griffin e Ross passaram a reconhecer que o desenvolvimento econômico em Miami não é o mesmo que no resto do país”, afirmou Ned Murray, diretor do Metropolitan Center da Florida International University. “Precisamos fazer melhor.”

-- Com a colaboração de Amanda Gordon e Janet Lorin.

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

Boom de superiates em Miami eleva custos náuticos e deixa cemitério de barcos abandonados