Bloomberg — Hackers descobriram uma falha de software em uma marca de carteira “fria” de bitcoin — considerada um dos locais mais seguros para armazenar criptomoedas — e estão desviando dezenas de milhões de dólares em um ataque que ainda está em andamento.
No final da semana passada, a Coinkite, com sede no Canadá, notificou os usuários de seus dispositivos Coldcard de que uma falha de segurança nas chaves que protegem seus bitcoins havia comprometido algumas carteiras. Até segunda-feira (3), cerca de 1.367 tokens, no valor de aproximadamente US$ 86 milhões, haviam sido desviados de mais de 4.500 carteiras, de acordo com a Galaxy Research.
Coldcard é uma marca de dispositivos de hardware que permite aos usuários proteger seus bitcoins nas chamadas carteiras frias. Essas carteiras deveriam ser o local mais seguro para guardar criptomoedas, pois ficam isoladas da internet.
No entanto, uma falha no software dos dispositivos Coldcard fez com que a “frase-semente” gerada — uma longa sequência de palavras usada para obter acesso a uma carteira — fosse previsível, de acordo com um relatório da equipe de engenharia da Block.
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“Isso expõe a falácia de que suas criptomoedas estejam offline”, afirmou Aneirin Flynn, diretor executivo da empresa de tecnologia de segurança cibernética Failsafe. “O dispositivo é responsável apenas por gerar suas senhas, e se a matemática subjacente for comprometida, suas senhas podem ser submetidas a engenharia reversa.”
Para alguns usuários, a notícia dos ataques foi, em princípio, incompreensível. Jonathan Goodman, uma das vítimas, disse que achou que isso não o afetaria, mas verificou sua carteira mesmo assim.
“No momento em que a tela carregou, soube que estava perdido, pois vi linhas vermelhas indicando saques”, disse ele à Bloomberg News. “Entre 21h36 e 21h43 do dia 29 de julho, todas as minhas três carteiras foram completamente esvaziadas.”
O cerne da questão foi a forma como a Coinkite implementou o gerador de números aleatórios ao produzir as frases, segundo Block.
A verdadeira aleatoriedade é um componente essencial da segurança criptográfica, mas as carteiras Coldcard possuíam um mecanismo de contingência que resultou na geração de chaves utilizando valores determinísticos, como os números de série dos dispositivos.
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O resultado foi que os invasores conseguiram recalcular e esvaziar sistematicamente as carteiras dos usuários. Relatórios divulgados na sexta-feira (31) estimavam as perdas em cerca de US$ 38 milhões, mas os números subiram rapidamente ao longo do fim de semana.
Em comunicado publicado em seu site, a Coinkite confirmou que os fundos controlados por sementes geradas no firmware afetado estão em risco. O firmware corrigido já está disponível para todos os modelos afetados e versões do produto, informou a empresa.
O ataque atraiu ampla atenção na internet, com influenciadores e executivos da empresa se manifestando sobre as implicações.

Até o momento, em 2026, a quantidade de criptomoedas roubadas está abaixo do ano passado. No primeiro semestre do ano, as perdas totais atingiram US$ 972 milhões, menos da metade dos US$ 2,3 bilhões roubados durante o primeiro semestre de 2025, de acordo com um relatório da TRM Labs publicado no mês passado. Ainda assim, o número total de ataques subiu para 207, o maior registrado em qualquer período de seis meses.
Ari Redbord, diretor global de políticas da TRM, afirmou que violações de infraestrutura e de chaves representam cerca de 15% dos incidentes, sendo responsáveis por 76% das perdas. “O caso Coldcard mostra que a autocustódia transfere o risco, mas não o elimina”, disse ele.
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Para Goodman, o incidente destacou o quanto de “fé cega” ele depositou na tecnologia que utiliza. Ele afirmou que não investirá em bitcoin nem utilizará carteiras frias daqui para frente.
“Se é realmente tão complicado e técnico assim, talvez não valha a pena fazer isso”, disse Goodman. “Ninguém sabe como basicamente nada funciona.”
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