Renda do domicílio reduz inadimplência em até 31%, aponta estudo da Serasa

Levantamento sugere que o contexto financeiro do domicílio pode trazer uma redução relevante no risco de inadimplência e trazer mudanças no perfil de crédito

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Bloomberg Línea — A renda das pessoas que vivem na mesma casa pode ser tão relevante quanto a renda individual para prever o risco de inadimplência de um consumidor.

É o que aponta um estudo da Serasa Experian divulgado nesta terça-feira (26), que mostra associação entre o contexto financeiro do domicílio e reduções relevantes nas taxas de calote em diferentes perfis de brasileiros.

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De acordo com o levantamento, o percentual de inadimplentes cai de 11,4% para 8,1% ao comparar domicílios de menor renda com os de maior renda, uma redução de aproximadamente 29%.

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O efeito é ainda mais expressivo em grupos específicos: entre idosos com 60 anos ou mais inseridos em domicílios com renda acima de cinco salários-mínimos, a queda chega a 31%, de 9,4% para 6,5%. Entre jovens de até 25 anos, a redução é de 24%, passando de 15,9% para 12,1%.

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O estudo considera inadimplentes os CPFs com atrasos superiores a 60 dias após a concessão de crédito.


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A pesquisa também identificou o impacto para consumidores de baixa renda individual. Entre os que ganham até dois salários-mínimos, a taxa de inadimplência cai de 13% para 10,8% quando estão inseridos em domicílios de renda mais elevada — uma redução de 17%.

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“O estudo reforça justamente o potencial da visão domiciliar para complementar a leitura tradicional de risco, especialmente em perfis nos quais a renda individual, isoladamente, pode não refletir integralmente a capacidade financeira do consumidor”, afirmou Eduardo Mônaco, vice-presidente de Crédito e Software Solutions da Serasa Experian, em comentários por escrito à Bloomberg Línea.

Comportamento digital

Para realizar o estudo, a Serasa Experian utilizou o modelo do Renda 360, solução comercial que estima a renda agregada do domicílio a partir de sinais como geolocalização e transações de cartão de crédito.

Segundo a empresa, a ferramenta permite capturar padrões de convivência e comportamento financeiro que permitam uma leitura mais ampla da capacidade de pagamento.

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A empresa ressalta que as informações domiciliares não afetam o Score individual do consumidor — o cálculo de risco pessoal permanece inalterado. O Renda 360 funciona como uma camada adicional de análise disponível ao credor, não como modificador da pontuação do cliente.

Um dos principais alvos da solução é a população dos chamados thin files — consumidores com histórico de crédito limitado que, pela análise tradicional, têm mais dificuldade de acesso a financiamentos.

Segundo a Serasa, o contexto domiciliar pode revelar que a renda individual subestima a real condição financeira dessas pessoas.

“A utilização de dados comportamentais exclusivos tende a fortalecer os modelos de análise de risco, ampliando a capacidade de avaliação em diferentes perfis de consumidores, contribuindo para uma concessão de crédito mais alinhada ao contexto financeiro das pessoas”, disse Mônaco.

A solução já vem sendo adotada por bancos, fintechs, varejistas e seguradoras, segundo a empresa, que não divulga o número de clientes nem métricas de aprovação. A Serasa diz que as fintechs têm usado o produto principalmente para ampliar concessões em perfis thin file, enquanto bancos e varejistas o utilizam para calibrar limites de crédito em operações de maior volume.

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