Bloomberg — A Polícia Federal investiga o senador Ciro Nogueira no âmbito da investigação sobre o Banco Master, ampliando um inquérito abrangente que tem abalado o sistema político do país.
As autoridades estão cumprindo mandados de busca e apreensão contra Nogueira e outros envolvidos como parte de uma nova fase da investigação, informou a Polícia Federal em comunicado nesta quinta-feira.
A polícia citou supostas “vantagens indevidas” associadas a uma relação entre Nogueira e o ex-CEO do Master, Daniel Vorcaro, além de pagamentos recorrentes do banqueiro ao senador, segundo documento do Supremo Tribunal Federal que autorizou a operação desta quinta-feira.
A defesa de Nogueira negou irregularidades, afirmando em nota que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.”
Segundo a defesa, o parlamentar está comprometido em colaborar com as autoridades para demonstrar que não teve “qualquer participação em atividades ilícitas.” Os advogados acrescentaram que “medidas investigativas graves e invasivas foram tomadas com base em mera troca de mensagens” e devem ser submetidas a “controle severo de legalidade.”
O advogado de Vorcaro não respondeu imediatamente a pedido de comentário. O banqueiro nega irregularidades relacionadas à investigação do Master.
O avanço sobre Nogueira é o mais recente desdobramento da crise envolvendo o Master desde que o Banco Central liquidou a instituição em novembro, em meio a acusações de fraude. O escândalo abalou o sistema político brasileiro devido às aparentes conexões de Vorcaro com autoridades em posições de poder, do Congresso ao Supremo Tribunal Federal.
Nogueira, que foi ministro da Casa Civil de Bolsonaro, é um dos líderes do centrão, grupo que exerce grande poder no Legislativo.
Vorcaro, que foi preso duas vezes no âmbito da investigação por fraude, descreveu Nogueira como “um grande amigo” em mensagens de texto divulgadas em uma fase anterior do inquérito.
A polícia afirmou no documento que identificou pagamentos mensais recorrentes a Nogueira por parte de Vorcaro, que começaram em R$ 300.000 e depois subiram para R$ 500.000. Também foram citados o empréstimo de um imóvel de alto padrão e o pagamento de viagens internacionais, hospedagem, restaurantes e voos privados.
Os investigadores também afirmam que Nogueira adquiriu uma participação na Green Investimentos SA, avaliada em R$ 13 milhões, por apenas R$ 1 milhão. A venda de 30% da empresa foi feita para a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda, administrada por um irmão do senador.
“A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade”, afirmou o ministro André Mendonça, relator do caso que apura a suposta fraude financeira no Banco Master.
A polícia também alegou que uma emenda apresentada por Nogueira em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250.000 para R$ 1 milhão foi redigida pela assessoria do banco. Segundo as autoridades, Vorcaro enviou o texto — que ficou conhecido como “Emenda Master” — para a residência do senador. A medida nunca foi aprovada.
Os investigadores também disseram que “interlocutores do banco registraram que a medida ‘sextuplicaria’ o negócio do Master e provocaria verdadeira ‘hecatombe’ no mercado.”
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As autoridades federais afirmaram que não se tratou de um episódio isolado. Vorcaro também ordenou a retirada de envelopes contendo minutas de projetos de lei da casa de Nogueira para que fossem levados a um escritório indicado para revisão e, em seguida, entregues a um assessor do senador.
Vorcaro está preso desde março, quando foi detido pela segunda vez. Mendonça autorizou nesta quinta-feira a prisão temporária de um primo de Vorcaro.
O ministro do Supremo proibiu Nogueira de manter contato com testemunhas e outros investigados no caso Master.
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