Da cobertura 4G ao processamento de dados: a estratégia da TIM para crescer no agro

A operadora conectou 27,3 milhões de hectares com rede 4G no campo. Agora, avalia que a próxima etapa de crescimento no agronegócio passa menos pela expansão da infraestrutura e mais pela transformação de dados agrícolas em serviços de inteligência artificial, computação em nuvem e automação

Projeto Fazenda Conectada, da Case IH, situada na cidade de Água Boa, no Mato Grosso (MT)

Bloomberg Línea — Depois de passar os últimos anos expandindo a cobertura 4G em áreas rurais, a TIM Brasil (TIMS3) entrou em uma nova fase de sua estratégia para o agronegócio: transformar os dados gerados nas fazendas em serviços de inteligência artificial, computação em nuvem e gestão operacional.

A mudança de foco ocorre após a operadora alcançar a cobertura de 27,3 milhões de hectares com tecnologia 4G no campo e mais de 54 milhões de hectares com NB-IoT, rede voltada para aplicações de internet das coisas (IoT).

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Segundo a companhia, a infraestrutura instalada nesses pontos já atende 348 mil propriedades rurais e conecta cerca de 2,8 milhões de pessoas em áreas agrícolas.

“Estamos subindo na cadeia de valor. Eu trago esse dado, armazeno em nuvem, faço todo o processamento”, disse Paulo Humberto Gouvea, diretor de vendas B2B da TIM Brasil, em entrevista à Bloomberg Línea.


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O agronegócio se tornou uma das verticais estratégicas da operação corporativa da companhia, que possui atualmente cerca de R$ 1 bilhão em contratos na carteira B2B. A empresa não divulga quanto o segmento representa dessa receita.

A incursão da empresa nesse universo começou em 2018, quando a TIM decidiu priorizar o agronegócio dentro da estratégia de internet das coisas.

“O agronegócio já tinha tecnologia. O Brasil não deve nada a nenhum país do mundo. Mas a conectividade era o ponto que faltava”, disse o executivo.

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Paulo Humberto Gouvea, diretor de vendas B2B da TIM Brasil

Segundo a companhia, o setor já possuía acesso a máquinas, sensores e tecnologias avançadas, mas esbarrava na falta de conectividade em grandes áreas produtivas.

A partir dessa leitura, a operadora passou a investir em projetos de cobertura rural baseados em rede 4G na frequência de 700 MHz, tecnologia que permite alcançar grandes extensões de terra com menor necessidade de infraestrutura.

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Entre os clientes atendidos pela TIM estão BP Bioenergy, SLC Agrícola, Jalles, Citrosuco, Amaggi, Adecoagro, Grupo Pedra Agroindustrial, Usina Santa Terezinha e Usina Cerradão.

O racional de atender grandes grupos, segundo a companhia, é de que a cobertura instalada também beneficia propriedades vizinhas. A empresa estima que sua expansão de rede alcançou cerca de 348 mil fazendas e levou conectividade para aproximadamente 2,8 milhões de pessoas em regiões rurais.

Ações da TIM Brasil (TIMS3)

22.73BRL+0.80%
+0.18 BRL
1D
1M
3M
YTD
1A
3A
5A
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

Agora, porém, a TIM avalia que a próxima etapa de crescimento está menos associada à infraestrutura e mais à capacidade de extrair valor dos dados gerados pelas operações agrícolas.

“Hoje, eu diria que a TIM não é mais uma empresa de conectividade no agro. Ela é parte do processo produtivo do agro”, acrescentou.

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A estratégia da operadora ganhou impulso com a aquisição da V8.Tech, - concluída em 2026 -, integradora especializada em nuvem, dados e desenvolvimento de aplicações corporativas.

A aquisição ampliou a capacidade da TIM de oferecer soluções além da conectividade, em áreas como integração de sistemas, análise de dados e inteligência artificial, conta Gouvea.

Entre as aplicações que a empresa pretende expandir estão sistemas de manutenção preditiva para máquinas agrícolas, monitoramento remoto de operações, gestão integrada de fazendas e plataformas de análise de imagens para avaliação da saúde das lavouras.

Uma das apostas da companhia é o desenvolvimento dos chamados Centros de Operação Agrícola (COAs), estruturas que concentram em ambientes digitais o acompanhamento das atividades das propriedades rurais.

A companhia argumenta que os ganhos econômicos da digitalização ajudam a explicar a demanda crescente por conectividade no campo.

Dados do projeto Fazenda Conectada, desenvolvido em Água Boa (MT), indicam que a produtividade da área monitorada ficou 27% acima da média nacional na safra 2024/25.

Na safra 2022/23, essa diferença havia sido de 13,4%.

A operadora estima que o Brasil possua cerca de 80 milhões de hectares de agricultura e aproximadamente 300 milhões de hectares ligados à pecuária, o que ainda representa espaço relevante para ampliação da cobertura.

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