Carne bovina dos EUA ganha vantagem na China com restrições a Brasil e Austrália

Concorrentes como Brasil e Austrália enfrentam restrições que podem abrir espaço para novos embarques de carne bovina dos EUA à China

Renovação de licenças abre caminho para novos embarques no segundo semestre, enquanto Brasil se aproxima de esgotar sua cota e Austrália enfrenta tarifa de 55%
Por Hallie Gu
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Bloomberg — A decisão da China de renovar as licenças de importação de centenas de frigoríficos dos Estados Unidos ainda não reativou o comércio de carne bovina, mas aumentam as chances de novos embarques no segundo semestre do ano.

Os preços nos EUA estão altos e a demanda chinesa muito fraca para que as exportações tenham se recuperado imediatamente, o que indica como as realidades comerciais estão interferindo no descongelamento diplomático que se seguiu à cúpula entre os presidentes em maio.

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Mas um impulso pode estar a caminho, à medida que as cotas chinesas atribuídas a outros grandes fornecedores se esgotam — desde que a trégua comercial com Washington se mantenha. A carne bovina australiana enfrenta agora tarifas elevadas, enquanto o Brasil está prestes a esgotar sua cota.


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“Acho que ainda há muito o que esperar no que diz respeito às exportações de carne bovina dos EUA para a China no segundo semestre do ano”, disse Alice Xuan, analista da Shanghai JC Intelligence.

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“A Austrália esgotou sua cota, mas os EUA ainda têm bastante, e isso lhes dá uma grande vantagem.”

(Fonte: Dados compilados pela Bloomberg)

Os preços da carne bovina dos EUA dispararam para níveis recordes, impulsionados pelo menor rebanho de gado das últimas décadas. Enquanto isso, a desaceleração da economia chinesa e as medidas de austeridade do governo para os funcionários públicos minaram a demanda pelos cortes de carne de alta qualidade que costumam ser servidos nos banquetes chineses.

As importações totais de carne bovina do país caíram no ano passado pela primeira vez em pelo menos uma década. Ao mesmo tempo, a produção doméstica aumentou para ajudar a conter os preços.

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Brasil, Argentina e Austrália foram os principais fornecedores estrangeiros da China em 2025. Os EUA exportaram apenas 49.000 toneladas de carne congelada — o principal produto de exportação — após o agravamento das tensões comerciais. Para este ano, a China estabeleceu cotas de importação para proteger os pecuaristas locais.

Essas cotas já se esgotaram para os embarques australianos, deixando os exportadores sujeitos a uma tarifa de 55%. A carne bovina de alta qualidade dos EUA está em pé de igualdade com a australiana em termos de qualidade e preço, afirmou Xuan.

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O Brasil, principal exportador, que geralmente fornece carne mais barata, está prestes a atingir sua cota. Os EUA, porém, ainda mantêm sua cota de 164.000 toneladas praticamente intacta e pronta para ser utilizada.

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A China certamente comprará mais carne bovina dos EUA, afirmou Brett Stuart, sócio fundador da consultoria Global Agritrends, acrescentando que ainda há demanda por parte dos chineses mais abastados pela carne bovina de alta qualidade, alimentada com grãos, na qual os EUA são especializados.

Mas outros cortes, mais econômicos e saborosos, como acém, costela curta e tripa, também enfrentarão maior concorrência assim que a China retornar ao mercado.

--Com a colaboração de Michael Hirtzer.

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