Febre do esqui: brasileiros fazem do Chile destino de inverno e batem recorde de viagens

A reabertura das estações de esqui após a volta da neve aos Andes levou mais de 150 mil brasileiros ao Chile em julho, o equivalente a cerca de 40% dos turistas estrangeiros; movimento ajudou a compensar a queda no número de visitantes argentinos

El Colorado ski resort in Lo Barnechea, Santiago
Por Carolina Gonzalez
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Bloomberg — O Chile recebeu um número recorde de turistas brasileiros no mês passado com a reabertura das estações de esqui, um alento em meio às chuvas torrenciais e fortes nevascas que castigam o país latino-americano há semanas, e um impulso para o setor de turismo e a economia, ambos em dificuldades.

O número de visitantes brasileiros aumentou 6,9% em julho em relação ao mesmo período do ano anterior, para mais de 150 mil, o equivalente a cerca de 40% de todos os turistas estrangeiros, afirmou a subsecretária de Turismo do Chile, María Paz Lagos, em entrevista à Bloomberg News.

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Foi o maior número já registrado em um único mês e ajudou a amenizar o impacto da queda na chegada de argentinos.


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Os números representam mais um marco na campanha do Chile para ampliar a presença em mercados turísticos de maior gasto e reduzir a dependência dos destino de praia mais baratos preferidas pelos argentinos, que lotam o país todos os verões.

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Em uma estadia de sete dias, os brasileiros gastam em média cerca de US$ 800, segundo Lagos, enquanto australianos e europeus desembolsam mais de US$ 1.000. A média entre os turistas estrangeiros em geral é de aproximadamente US$ 640.

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“Os brasileiros consomem muito gastronomia, vinho e compras; eles movimentam toda a cadeia de valor do turismo”, afirmou Lagos. “Os mercados de longa distância também apresentam forte crescimento, e isso é uma notícia positiva”, assim como o aumento do número de turistas de mercados como Austrália e Europa em julho.

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Uma série de tempestades de inverno cobriu de neve a Cordilheira dos Andes desde o início de julho, após um primeiro semestre em que praticamente não choveu na região de Santiago — onde ficam a maioria das maiores estações de esqui. No dia seguinte à chegada da neve, as estradas que levam às montanhas ficaram congestionadas.

A neve trouxe alívio para o setor de turismo e para uma economia estagnada. No total, as chegadas de turistas ainda acumulam queda de 19% nos primeiros sete meses do ano, puxadas pelo recuo muito mais acentuado no número de visitantes argentinos.

Ao mesmo tempo, o Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu inesperadamente na comparação anual pelo segundo trimestre consecutivo. As empresas locais sentem o impacto.

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(Fonte: Serviço Nacional de Turismo, Subsecretaria de Turismo)

Guillermo Prieto, presidente da associação de gastronomia do Chile, estima que os gastos de turistas com alimentos e bebidas tenham caído 20% no primeiro trimestre e permanecido fracos no segundo e no início do terceiro.

“Julho definitivamente pareceu mais fraco, com vendas menores”, afirmou Prieto. “Obviamente há preocupação no mercado.”

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O ano passado foi um ano de uma “bolha” para o turismo argentino, impulsionada por taxas de câmbio favoráveis e viagens para fazer compras, afirmou Lagos.

Embora as receitas em moeda estrangeira geradas pelo turismo estejam atualmente 6% menores, ela espera que os gastos mais elevados de visitantes de longa distância e de maior valor compensem em grande parte a queda no volume até o fim do ano.

(Fonte: Serviço Nacional de Turismo e Subsecretaria de Turismo)

O governo pretende quadruplicar o investimento privado anual em turismo nos próximos quatro anos, ante cerca de US$ 400 milhões em 2025, além de criar 100 mil empregos adicionais ligados ao setor, afirmou Lagos.

O governo também quer elevar a contribuição do turismo para o PIB em cerca de 1 ponto percentual, para aproximadamente 4%.

“A estratégia do país é medir o sucesso não apenas pelo volume de turistas, mas também pelos gastos, pela duração da estadia e pelo número de regiões beneficiadas, em busca de um turismo economicamente mais sustentável”, afirmou Lagos.

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