El Niño ganha força e pode fazer de 2026 o ano mais quente já registrado no mundo

Probabilidade de um novo recorde de temperatura saltou de 12% para 69% em apenas um mês, segundo análise da Berkeley Earth

Fenômeno climático recorrente que dura meses, traz consequências significativas para o planeta (Foto: Benjamin Girette/Bloomberg)
Por Eric Roston
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Bloomberg — Um El Niño excepcionalmente forte está aumentando as chances de que 2026 supere 2024 como o ano mais quente já registrado no mundo e, independentemente disso, espera-se que 2027 estabeleça um novo recorde, de acordo com uma análise mensal de dados meteorológicos globais realizada pela Berkeley Earth, um grupo de pesquisa sem fins lucrativos.

“É provável que vejamos algo bastante dramático no próximo ano ou assim”, afirmou Robert Rohde, cientista-chefe da Berkeley Earth, nesta quinta-feira (13). “Isso nos trará condições climáticas que normalmente esperaríamos ver daqui a uma década ou mais. Será algo de grande impacto.”

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O El Niño, um fenômeno climático recorrente que dura meses, traz consequências significativas para o planeta — causando seca em algumas regiões, como a África Ocidental e Meridional, a Austrália e a Índia, enquanto pode aumentar as chuvas em outras, como o sul dos Estados Unidos.

Os cientistas avaliam a intensidade de um El Niño a partir das temperaturas da superfície do mar em uma região específica do leste do Oceano Pacífico tropical. As projeções sugerem que as temperaturas subirão extraordinários 4 °C acima do normal nessa área do oceano, em comparação com 2,75 °C no El Niño de 2015 a 2016.

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O calor no final da primavera e início do verão deste ano provavelmente chegou cedo demais para que o El Niño pudesse agravá-lo.

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Este El Niño teve início em junho e está se intensificando de tal forma que as chances de 2026 se tornar o ano mais quente saltaram de 12% em julho para 69% em agosto, de acordo com a Berkeley Earth.

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No mês passado, ondas de calor alimentaram incêndios florestais destrutivos na França e na Espanha, e uma onda de calor escaldante atingiu partes dos EUA. Foi o julho mais quente ou o segundo mais quente já registrado, de acordo com os principais conjuntos de dados climáticos. Nos Estados Unidos contíguos, a temperatura máxima média do mês bateu um recorde estabelecido há 90 anos, no auge do Dust Bowl.

EUA têm o mês de julho mais quente em 132 anos

Grande parte do mundo está sofrendo com o calor, a ponto de ser mais fácil citar os lugares que não estão: “Tem sido um inverno antártico muito, muito frio”, disse Rohde.

Em muitos países, especialmente nos mercados emergentes, o calor brutal e as chuvas torrenciais trazidos pelo El Niño devem agravar as dificuldades econômicas causadas pela guerra com o Irã. Por exemplo, o aquecimento dos mares interrompeu a pesca de anchova no Peru.

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Os cientistas fazem ressalvas importantes em relação aos rankings anuais de temperatura, enfatizando que as mudanças climáticas ocorrem ao longo de décadas e que o El Niño pode exercer forte influência em um único mês ou ano. Mas o aquecimento causado pela poluição por gases de efeito estufa está sempre presente e aumentando.

“O El Niño é um martelo gigante com o qual o clima é atingido”, disse o cientista Zeke Hausfather, da Berkeley Earth, “portanto, ele vai causar confusão em muitas coisas diferentes.”

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