As reservas corporativas de bitcoin sofreram variações nos últimos dias, depois que a Strategy vendeu 3.588 bitcoins por cerca de US$ 216 milhões.
A Strategy, fabricante de software que detém as maiores reservas do mundo, reduziu seu estoque total para 843.775 BTC.
Essa venda representaria o primeiro passo da reestruturação financeira anunciada pela empresa nos últimos dias, após uma queda prolongada tanto no mercado de criptomoedas quanto no de suas ações, informou a Bloomberg.
Trata-se da maior redução em suas participações em bitcoin desde que começou a adquirir a criptomoeda em 2020.
“As empresas que mantêm bitcoins em seus balanços o fazem porque buscam exposição direta a um ativo escasso, líquido e com baixa correlação estrutural com as moedas fiduciárias”, disse Emanoelle Santos, analista de mercados do aplicativo de investimentos XTB, à Bloomberg Línea.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
No entanto, a analista afirma que o caso da Strategy mostra que essa estratégia já deixou de ser uma simples decisão de tesouraria.
Nos últimos anos, “isso se transformou em uma estrutura financeira completa, na qual a empresa utiliza ações, dívida e ações preferenciais para ampliar ou manter sua exposição ao bitcoin”.
Na sua opinião, a recente venda de bitcoins pela Strategy marca um ponto importante, pois revelaria que até mesmo a maior referência corporativa do setor pode ser obrigada a monetizar parte de seus ativos quando enfrenta compromissos com dividendos, necessidades de liquidez ou pressão do mercado.
“O recado para outras empresas é que o bitcoin pode funcionar como reserva estratégica, mas, quando combinado com alavancagem, instrumentos híbridos e pagamentos recorrentes, deixa de ser apenas uma aposta de longo prazo”, observou a analista.
Nesse sentido, passa a ser uma gestão ativa do balanço patrimonial, com riscos de volatilidade contábil, de liquidez e de dependência do acesso ao capital.
“No caso da Strategy, o que suas operações mais recentes mostram é a consolidação de uma estratégia de muito longo prazo”, disse a este veículo Paula Chaves, analista de mercados da Greyhound Trading.
“A empresa não alterou sua tese de investimento, apesar da volatilidade do mercado; pelo contrário, continuou aproveitando as correções para aumentar sua exposição ao bitcoin por meio de emissões de capital e outros mecanismos de financiamento”.
Leia também: ETFs de bitcoin caminham para saída recorde de US$ 4,1 bilhões em junho
Na opinião dele, isso reflete uma forte convicção quanto ao potencial do ativo e uma gestão de tesouraria voltada para o longo prazo, em vez de para as oscilações de curto prazo.
No entanto, ele afirma que isso também traz uma lição importante: o sucesso dessa estratégia continua dependendo, em grande parte, do comportamento do próprio bitcoin.
“A Strategy demonstrou que é possível construir um modelo corporativo em torno desse ativo, mas também é uma empresa cujo valor se tornou altamente sensível aos ciclos do bitcoin”, acrescentou a analista.
Por isso, embora muitas empresas estejam adotando esse modelo, ele acredita que é fundamental compreender que isso implica assumir uma maior volatilidade e um risco significativamente maior do que o da gestão tradicional de tesouraria.
O bitcoin (XBTUSD), a criptomoeda mais popular do mundo, era cotado neste dia 7 de julho em cerca de US$ 63.970 (às 12h46), com uma alta de 9,83% nos últimos sete dias.
Empresas com mais bitcoins
De acordo com a Bitcoin Treasuries, uma plataforma que acompanha esses movimentos, as maiores reservas mundiais de bitcoin no setor corporativo estão concentradas justamente na Strategy, com o equivalente a cerca de US$ 54.000 milhões (843.775 BTC).
Depois da Strategy, vem a empresa de ativos digitais Twenty One Capital , com 43.514 BTC.
Leia também: Fundo do poço? Bitcoin perde US$ 1,3 tri; veteranos alertam que pode cair ainda mais
Em seguida, vem a empresa especializada em gestão de ativos em bitcoin, Metaplanet, com 43.000 BTC.
Em seguida, vem a empresa de tecnologia de ativos digitais e mineração de criptomoedas MARA Holdings (MARA), com 36.303 BTC.
Outro grande detentor da criptomoeda mais popular do mundo é a Bitcoin Standard Treasury, que também se dedica à gestão de bitcoins, com 30.021 BTC.
De acordo com a Bitcoin Treasuries, em seguida vêm a plataforma de câmbio de criptomoedas Bullish, com 24.300, e a empresa de gestão de ativos em bitcoin Strive, com 19.882.
Leia também: Novo inverno cripto? Pior semana do bitcoin desde colapso da FTX reacende temor de baixa
Fecham o top 10 a empresa aeroespacial SpaceX, com 18.712, a plataforma de negociação de criptomoedas Coinbase Global (COIN), com 16.492, e a empresa especializada em mineração de bitcoin Riot Platforms, com 15.680.
Fortunas em criptomoedas
O número de milionários em criptomoedas atingiu um número “sem precedentes” de 241.700 pessoas em todo o mundo em 2025, um aumento de 40% em relação ao ano anterior, segundo dados da consultoria especializada em assuntos de residência e cidadania Henley & Partners.
O número de pessoas com participações em criptomoedas de US$ 1 milhão ou mais cresceu principalmente porque o número de milionários em bitcoin disparou 70% em 12 meses, chegando a 145.100 em todo o mundo.
Além disso, devido a um aumento na valorização total do mercado, que deve atingir US$ 3,3 trilhões em junho de 2025, o que representa um aumento de 45% em relação ao ano anterior.
O número de centimilionários — pessoas que possuem criptomoedas no valor de US$ 100 milhões ou mais — aumentou 38% em 12 meses, chegando a 450.
Enquanto isso, o número de bilionários — pessoas com criptomoedas no valor de US$ 1 bilhão ou mais — aumentou +29% no mesmo período, totalizando 36.
“Esse importante crescimento coincide com um ano decisivo para a adoção institucional, marcado pelo lançamento das primeiras criptomoedas por um presidente e uma primeira-dama dos Estados Unidos em exercício”, segundo a Henley & Partners.






