Helô Cruz se junta à Southtree para lançar novo fundo de ações

Empresa com cerca de US$ 150 milhões em gestão planeja incorporar o principal fundo de Cruz, o Stoxos, mantendo-a como gestora, e lançar um novo produto, deixando a influenciadora responsável pela área de ações, parte do objetivo de expandir sua base de clientes para investidores de varejo locais

Edifício B32, conhecido popularmente como "o prédio da Baleia", na avenida Faria Lima, em São Paulo
Por Leda Alvim - Cristiane Lucchesi

Bloomberg — Em uma decisão incomum, uma gestora de fundos brasileira contratou uma estrela local das redes sociais como sócia para lançar um fundo de ações, aproveitando a onda de popularidade dos influenciadores que opinam sobre os mercados.

A Southtree Capital vai se juntar a Heloisa Cruz, que oferece dicas de ações e cursos online para mais de 100 mil seguidores nas redes sociais.

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A empresa planeja incorporar o principal fundo de Cruz, o Stoxos, após uma assembleia de acionistas nesta terça-feira (23), mantendo-a como gestora, e lançar um novo fundo, deixando a influenciadora responsável pela área de ações, parte do objetivo de expandir sua base de clientes para investidores de varejo locais.

A Southtree administra cerca de US$ 150 milhões no exterior, enquanto o fundo Stoxos de Cruz tem cerca de R$ 90 milhões sob gestão.


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“Enquanto os principais fundos no Brasil tendem a fazer um tipo de coisa, eu gosto de fazer exatamente o oposto”, disse Cruz em entrevista à Bloomberg News. “Para mim, a maneira mais fácil de ganhar dinheiro com ações é comprando empresas extremamente baratas, encontrando teses de investimento que ninguém está considerando.”

Como qualquer estratégia de investimento, o Stoxos traz riscos e forte volatilidade no curto prazo.

Desde 2018, o fundo apresentou um retorno de 466%, superando o ganho de 110% do índice de referência Ibovespa no mesmo período. No entanto, tem enfrentado dificuldades recentemente, com queda de 15% neste ano, em contraste com a alta de 5,4% do Ibovespa.

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“Meu objetivo não é superar o Ibovespa todos os dias, mas sim possuir algumas ações que possam gerar ganhos expressivos e multiplicar seu valor no longo prazo”, disse Cruz.

Cruz, que é analista certificada pelo CFA e possui bacharelado em engenharia química, trabalhou em bancos como Fator, JPMorgan e Itaú Unibanco.

Ela disse que começou a investir seu próprio dinheiro em ações em 2008, durante a crise financeira, e que em 2013 pensou em criar um pequeno clube de investimento que eventualmente se tornaria o Stoxos.

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O Stoxos se concentra em empresas de pequeno valor de mercado, como a varejista Casas Bahia, a incorporadora imobiliária Moura Dubeux e a holding Simpar. Todas as três estão com desempenho inferior ao do Ibovespa neste ano, com a Casas Bahia caindo 63% e a Simpar, 26%.

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O novo fundo que Cruz vai supervisionar deverá ter um mandato mais amplo e um perfil de risco reduzido, investindo no mercado interno e externo, inclusive em empresas relacionadas à inteligência artificial, diz Guilherme Jahic, fundador da Southtree.

O tempo de resgate após o pedido será de 30 dias, em comparação com os 120 dias do fundo original, disse ele, acrescentando que o novo veículo terá entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões em capital inicial.

Ele e outro sócio fundador, Fernando Carvalho, administrarão o fundo juntamente com Cruz. Carvalho é o diretor de investimentos da Southtree e Jahic é co-diretor de investimentos.

A contratação de Cruz é um reconhecimento de que os investidores de varejo estão cada vez mais recorrendo a formas não tradicionais de aconselhamento.

Ao longo de cinco anos, o público de influenciadores financeiros mais do que quadruplicou, chegando a cerca de 310 milhões em 2025, segundo pesquisa da Anbima, associação brasileira do mercado de capitais (uma pessoa que segue dois influenciadores é contabilizada duas vezes no estudo, o que explica por que esse número é maior do que a população do país).

O estudo oferece uma visão sobre influenciadores que democratizaram o acesso aos mercados — embora a maioria deles ainda não possua certificação para fazer recomendações de investimento, disse a Anbima.

“É fundamental que as pessoas observem as credenciais e a trajetória dos especialistas que acompanham, para entender o nível de conhecimento e responsabilidade por trás das orientações compartilhadas”, disse Ana Leoni, CEO da Planejar, uma organização sem fins lucrativos que oferece certificações para influenciadores.

A Southtree, fundada em 2023, é uma spin-off do family office brasileiro Centuria Investimentos, que administra fundos para um dos ramos das famílias Zogbi e Derani. A Centuria já investiu na Stoxos.

Com a chegada de Cruz à liderança da área de ações, a Southtree planeja começar a distribuir seus fundos por meio de plataformas de investimento locais e para investidores no exterior, disse Jahic.

Cruz disse que este é um momento oportuno para comprar ações brasileiras, já que as avaliações deprimidas e a perspectiva de juros mais baixos podem impulsionar fortes retornos.

Ela também observa uma distorção: as ações de pequeno valor de mercado ficaram para trás, visto que os bilhões de dólares em fluxos de capital estrangeiro para o Brasil no primeiro trimestre favoreceram, na maior parte, as ações de empresas com grande valor de mercado.

Os fundos de ações no Brasil sofreram anos de saídas de capital, já que as altas taxas de juros convenceram muitos investidores a deixar seu dinheiro em produtos de renda fixa. Segundo a Anbima, esses fundos registraram resgates de R$ 5,4 bilhões este ano até maio.

“Houve uma saída generalizada de capital do setor que prejudicou a todos”, disse Jahic. “Acreditamos que este é o momento certo para lançar um produto de gestão ativa, tanto no Brasil quanto no exterior.”

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