Bloomberg — O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, afirmou que os EUA precisam “se fortalecer” para manter seu poderio militar e econômico, e detalhou os planos de seu banco de investir mais de US$ 1 trilhão para garantir que isso aconteça.
“Com as políticas certas e ações comprometidas, os Estados Unidos manterão as forças armadas e a economia mais fortes, e continuarão sendo o bastião da liberdade e o arsenal da democracia”, escreveu Dimon em uma carta aos acionistas na segunda-feira (6). Mas “nenhum país tem direito divino ao sucesso”.
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As declarações mais recentes de Dimon seguem o lançamento da segunda de duas iniciativas do JPMorgan para abordar questões políticas de grande escala.
O banco apresentou na semana passada a Iniciativa Sonho Americano, que visa expandir as oportunidades econômicas em comunidades locais nos EUA.
Ela seguiu-se à Iniciativa de Segurança e Resiliência, anunciada em outubro, por meio da qual o JPMorgan prometeu investir US$ 1,5 trilhão em setores que fortaleçam a segurança e a resiliência econômica dos EUA na próxima década.
As mudanças também marcam um novo capítulo na gestão de Dimon no JPMorgan.
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Seu interesse por políticas públicas é notório, e especula-se há décadas que ele poderia assumir um cargo no governo em Washington, embora isso nunca tenha se concretizado.
Agora, Dimon está implementando sua própria agenda política à frente do banco que dirige há mais de 20 anos.
“Temos a responsabilidade de ajudar a moldar as políticas certas, não apenas para nossa empresa, mas para o país e o mundo”, escreveu Dimon. “Muitas empresas só prosperarão se seus países prosperarem.”
Dimon, que completou 70 anos no mês passado, transformou o JPMorgan no maior e mais lucrativo banco dos Estados Unidos e, ao longo do caminho, tornou-se uma figura de destaque no setor.
Suas cartas anuais, lidas com grande atenção, têm abordado cada vez mais questões políticas que vão além do impacto direto no setor bancário.
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Na carta deste ano, que totaliza 48 páginas, incluindo notas de rodapé, a seção mais longa é intitulada Questões Críticas que os Estados Unidos e o Mundo Enfrentam.
Entre essas questões estão os conflitos em todo o mundo que “deveriam dissipar permanentemente a ilusão de que o mundo é seguro”, afirmou.
Dimon vem alertando há anos sobre os riscos geopolíticos, afirmando repetidamente que eles superam qualquer outra preocupação ao longo de sua carreira.
A guerra no Irã representa um risco de choques futuros nos preços do petróleo e das commodities, e “só o tempo dirá” se ela alcançará os objetivos de curto e longo prazo na região, escreveu ele.
A Europa, da qual os Estados Unidos precisam para ter sucesso, está “atualmente em um caminho ruim”, escreveu Dimon. Ele reiterou o apelo por “um grande e belo acordo de livre comércio com toda a Europa”, em troca de reformas econômicas e militares.
Crédito Privado
Em sua carta aos acionistas, Dimon incluiu o crédito privado em uma lista de riscos potenciais no horizonte.
No ano passado, o CEO do JPMorgan alertou que algumas perdas de crédito emergentes provavelmente sinalizavam o risco de mais irregularidades no sistema.
Colapsos e fraudes de alto perfil, bem como temores sobre a inteligência artificial impactando empresas de software, continuaram a afetar os credores diretos nos últimos meses. Isso levou os investidores a buscarem retirar mais dinheiro de fundos administrados por gestoras de ativos, incluindo a Blue Owl Capital.
Dimon disse que o crédito privado “provavelmente não” representa um risco sistêmico. Mas alertou que as perdas com empréstimos alavancados serão maiores do que o esperado, em parte devido a padrões de crédito “ligeiramente” mais flexíveis.
“De modo geral, o crédito privado não costuma ter grande transparência ou avaliações rigorosas de seus empréstimos — isso aumenta a probabilidade de que as pessoas vendam se acharem que o cenário vai piorar — mesmo que as perdas reais praticamente não mudem”, disse ele.
Ele também expressou certa apreensão em relação ao setor de private equity, dizendo que é “um pouco surpreendente” que os gestores de ativos alternativos não tenham aproveitado os mercados saudáveis para abrir o capital de mais empresas. Em vez disso, algumas foram transferidas para fundos de continuidade, afirmou.
“Os investimentos em private equity agora são mantidos por uma média de sete anos — isso é praticamente o dobro do que costumava ser”, disse ele.
“Desde a grande crise financeira, temos tido um mercado em alta constante — é difícil imaginar o que acontecerá se e quando tivermos um mercado em baixa prolongado.”
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