Bloomberg Línea — Os investidores brasileiros nesta quinta-feira (22) reagem à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter a Selic em 13,75%. Em comunicado, o BC amenizou o tom, mas não deu sinais do momento em que os juros podem cair, enfatizando que a estratégia tem funcionado.
Outro assunto que movimenta o mercado no Brasil é a aprovação do arcabouço fiscal no Senado. Agora, o projeto volta à Câmara para que os deputados aprovem as emendas feitas pelos senadores. Arthur Lira, presidente da Câmara, prevê a Casa deve votar o texto até o início de julho.
Nos Estados Unidos, o aperto monetário continua a preocupar os investidores. Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), afirmou que o banco não terminou de aumentar as taxas de juros e que mais duas altas devem ser realizadas. Em depoimento ao congresso americano, Powell enfatizou a mensagem de que o banco central estava focado em reduzir a inflação elevada de volta à meta.
O Banco da Inglaterra aumentou inesperadamente sua taxa básica de juros em meio ponto percentual, intensificando sua luta contra o pior surto de inflação desde a década de 1980 e alertando que pode ter que subir novamente. O Comitê de Política Monetária aumentou a taxa para 5%, o nível mais alto em 15 anos e a maior mudança desde fevereiro.
No cenário corporativo, a Nvidia (NVDA) atraiu pelo menos mais 100 gestores de fundos ESG nas últimas semanas e agora existem mais de 1.400 desses fundos diretamente na empresa, de acordo com dados compilados pela Bloomberg com base nos últimos registros. A companhia agora é mais popular entre os investidores ESG do que as potências verdes tradicionais, como Vestas Wind Systems e Tesla (TSLA).
Confira a seguir cinco destaques desta quinta-feira (22):
1. Selic
O Banco Central adotou cautela, mas sem retirar da mesa a chance de que a flexibilização da Selic possa começar em breve no caso de uma evolução favorável do cenário de inflação.
A autoridade monetária, que manteve a Selic em 13,75%, disse que a conjuntura ainda demanda “paciência e serenidade” e que o estágio da desinflação ainda requer “cautela e parcimônia”. Para o BC, a estratégia de manutenção da taxa básica por período prolongado “tem se mostrado adequada”.
No entanto, retirou do comunicado a frase que citava a possibilidade de uma retomada do aperto e passou a dizer que os passos futuros da política monetária estarão relacionados à evolução da inflação e das expectativas, em particular as de longo prazo, além de variáveis como hiato do produto e balanço de riscos.
As projeções para inflação do cenário de referência caíram para os anos de 2023 e 2024, embora tenham se mantido acima da meta. Já o cenário alternativo para as estimativas do Copom, que considerava o juro estável ao longo do horizonte relevante, foi retirado do comunicado.
2. Juros na Inglaterra
Os formuladores de política monetária da Inglaterra, liderados por Andrew Bailey, reiteraram a orientação anterior apontando para taxas mais altas. Eles não disseram nada para conter as expectativas do mercado de que as taxas atingiriam um pico de cerca de 6% no início do próximo ano, o que seria o mais alto em mais de duas décadas.
A decisão anunciada na quinta sugere que os custos dos empréstimos do Reino Unido podem continuar subindo durante o verão, mesmo depois que o Federal Reserve dos EUA interrompeu sua onda de aperto. A Grã-Bretanha continua a ser uma exceção no Grupo dos Sete países, com os preços ao consumidor subindo 8,7% em maio, quatro vezes a meta de 2% do BOE e mais que o dobro da taxa nos EUA.
A ata da reunião de junho reconheceu que “os efeitos de segunda ordem na evolução dos preços domésticos e dos salários provavelmente levarão mais tempo para se dissipar do que para surgir”.
3. Mercados
As ações caíram com os futuros de ações dos EUA, já que os temores de políticas mais rígidas dos EUA à Noruega e ao Reino Unido atrapalharam a alta do mercado.
As ações do Reino Unido tiveram um desempenho inferior e a libra subiu depois que o Banco da Inglaterra elevou sua taxa de referência mais do que as expectativas dos economistas.
Os contratos para o S&P 500 e Nasdaq 100 apontaram para baixo após uma liquidação em Wall Street com avisos hawkish do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em depoimento ao Congresso.
4. Manchetes dos principais jornais
Estadão: Ministros de julgamento no TSE já pediram impeachment de Bolsonaro e deram parecer pró-Dilma
Folha de S. Paulo: Prazo criado por Moraes dificulta adiamento de ação contra Bolsonaro no TSE
O Globo: Reunião com embaixadores, transmissão ao vivo e minuta do golpe: entenda provas contra Bolsonaro
Valor Econômico: Banco Central frustra, mas economistas mantêm cenários
5. Agenda
Hoje, nos Estados Unidos, a agenda começa às 9h30, com a divulgação das transações correntes e dos pedidos iniciais por seguro-desemprego. Às 10h55, acontece o discurso de Bowman, do Fomc. Às 11h, são publicados dados sobre as vendas de casas usadas e Jerome Powell, presidente do Fed, e Mester, do Fomc, discursam. Ao meio-dia, são publicados os estoques de petróleo bruto e em cushing. Por fim, às 17h30 é publicado o balance sheet do Fed.
Na zona do euro, às 11h30 acontece o discurso de Luis de Guindos.
-- Com informações da Bloomberg News.
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