Bloomberg — O Federal Reserve está agora no modo “dependente de dados” antes de entregar o que pode ser apenas um aumento final dos juros nos Estados Unidos no próximo mês, disse o ex-vice-presidente da instituição, Richard Clarida.
“Acho que, se os dados estiverem mais próximos das expectativas do mercado em relação às expectativas do Fed, isso poderá ser feito em julho”, disse Clarida, que agora é consultor econômico global da Pacific Investment Management, em entrevista à Bloomberg Television na quinta-feira (15).
“Realmente acho que, pela primeira vez, em muito tempo, o Fed depende dos dados.”
As declarações de Clarida vêm na sequência da pausa do Fed em sua campanha de aperto monetário, apesar de projetar uma taxa de juros acima do esperado em meio ao que Jerome Powell chamou de inflação “surpreendentemente persistente”.
O presidente do banco central dos EUA acrescentou que a próxima decisão em 26 de julho segue “viva”.
“Dado o que vimos na quarta, provavelmente farão esse aumento de juros na reunião de julho”, disse Clarida, observando que o Fed tem uma visão mais “hawkish” do que os investidores ou do que a Pimco.
O Fed vê “a inflação caindo mais lentamente do que muitas pessoas”, e também projeta um “aumento menor no desemprego do que muitos esperam”, afirmou.
Com apenas mais um relatório sobre o mercado de trabalho e mais uma leitura do índice de preços ao consumidor antes da próxima decisão, o Fed não terá muitos dados para acompanhar, de acordo com Clarida. “Foi o que eu chamaria de pausa estranha, mas agressiva”, disse.
Clarida acrescentou ser improvável que algumas indicações do mercado de aumento do Fed de até 10% se concretizem. “Uma taxa de cerca de 6% agora provavelmente seria um ponto final plausível”, destacou.
-- Com a colaboração de Anna Edwards e Kriti Gupta.
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