Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) fechou em queda de 1,03%, aos 108.801 pontos, nesta quarta-feira (24), influenciado pelo recuo das bolsas internacionais.
O sentimento de cautela tomou conta dos mercados diante do impasse nas negociações sobre o aumento do teto da dívida dos Estados Unidos e depois que a ata do Federal Reserve indicou que os diretores do banco central americano estavam divididos sobre uma pausa no aumento dos juros.
O dólar caía a 0,38%, com queda de R$ 4,95, ao final do pregão na B3.
As perdas na bolsa brasileira foram puxadas principalmente pela queda das ações da Vale (VALE3), que acumula desvalorização de 10% em maio, influenciada pelo recuo dos preços do minério de ferro. O mineral, principal produto da mineradora, caiu pela quinta sessão seguida nesta quarta.
Além da Vale, os papéis do Bradesco (BBDC4), do Itaú (ITUB4) e da Localiza (RENT3) foram as que mais contribuíram para o recuo do principal índice da B3. Já a Petrobras (PETR3; PETR4) subiu e ajudou a reduzir as perdas do dia.
Os mercados também repercutiram nesta quarta a aprovação do texto-base do projeto do arcabouço fiscal, que limita o crescimento das despesas do governo e substitui a regra do teto de gastos.
Mudanças feitas de última hora na proposta fizeram com que a nova regra restrinja mais o aumento de gastos. Os deputados votam os destaques (propostas emendas que podem alterar parte do texto) e, em seguida, o projeto deve seguir para o Senado.
Para economistas ouvidos pela Bloomberg Línea, a versão do arcabouço fiscal aprovada ontem é melhor do que a inicialmente proposta pelo Ministério da Fazenda. No entanto, o texto final ainda se apoia mais no aumento das receitas do que propriamente em ajustes das despesas para o cumprimento das metas.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reconheceu que o texto ficou mais duro, mas disse que foi necessário buscar o equilíbrio para atrair mais apoio dos deputados.
Os juros futuros chegaram a cair 10 pontos-base (0,10 ponto porcentual) durante o dia, mas a queda perdeu força durante o dia com a maior aversão ao risco nos mercados internacionais.
Bolsas internacionais
Nos EUA, as ações seguiram as bolsas da Europa e da Ásia e também caíram em meio ao crescente pessimismo sobre as perspectivas globais.
Na Europa, o Stoxx 600 teve a maior queda em dois meses, depois que a inflação do Reino Unido ficou acima do esperado. E na Ásia, o índice de referência CSI 300 da China eliminou todos os ganhos do ano, diante dos problemas de dívida das incorporadoras e de uma nova onda de covid que aumento as preocupações com o crescimento econômico.
As ações do consumo de luxo, incluindo a LVMH e a proprietária da Gucci, Kering, ampliaram as perdas. E o Citigroup (C) caiu depois de abandonar os planos de vender sua unidade mexicana Banamex.
Autoridades do Federal Reserve ficaram divididas sobre a necessidade de novos aumentos de juros para combater a inflação, dada a incerteza das questões de crédito no setor bancário, mostrou a ata do Fed.
Enquanto isso, as negociações entre a equipe do presidente Joe Biden e representantes do presidente da Câmara, Kevin McCarthy, mostraram pouco progresso na quarta-feira, aumentando o risco de default dos EUA e uma possível recessão.
A secretária do Tesouro, Janet Yellen, disse que os EUA provavelmente começarão a deixar de pagar dívidas já em 1º de junho.
Esperava-se que a ata da reunião do Fed em maio revelasse a preocupação com as condições de crédito, o que poderia levar as autoridades a interromper os aumentos das taxas de juros em junho.
Os formuladores de políticas tentam evitar que a economia entre em recessão com seus aumentos de juros na tentativa de conter a inflação. Mas se o acordo da dívida dos EUA contiver cortes profundos de gastos ou se houver um deafult, os economistas projetam uma recessão nos EUA de qualquer maneira.
Confira como fecharam os mercados nesta quarta-feira (24):

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