Bloomberg Línea — O sentimento de otimismo voltou a dar o tom dos mercados nesta quarta-feira (17), o que ajudou o Ibovespa (IBOV) a fechar em alta de 1,17%, aos 109.460 pontos. O dólar era negociado perto da estabilidade, a R$ 4,93, com queda de 0,15%, ao final do pregão.
As expectativas positivas sobre as negociações em Washington entre a Casa Branca e o Congresso sobre o teto da dívida americana impulsionaram os mercados e fizeram as bolsas de Nova York fecharem em alta.
No Brasil, os investidores também acompanham os desdobramentos sobre o arcabouço fiscal, com a expectativa de votação sobre o requerimento de urgência na Câmara após a definição do relatório do projeto. A estimativa é que o texto vá ao plenário na semana que vem. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diz que espera obter entre 300 e 350 votos a favor do projeto.
Os ganhos do Ibovespa foram influenciados principalmente pelas ações da Vale (VALE3), uma das maiores contribuições para o índice. A alta das ações da B3 (B3SA3) e da Lojas Renner (LREN3) também favoreceram o indicador, enquanto os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) caíram com a realização de lucros após a alta do pregão anterior.
Os mercados também foram influenciados pelos dados mais fortes das vendas no varejo, divulgados pelo IBGE. A avaliação é de que a demanda, mais forte do que o esperado, pode dificultar a queda da inflação e o corte dos juros pelo Banco Central.
As vendas no varejo subiram 0,8% em março na base mensal, acima de todas as estimativas de economistas consultados pela Bloomberg, que esperavam queda de 0,2%.
Bolsas internacionais
Nos Estados Unidos, o mercado de ações subiu com a especulação de que um grupo mais restrito de negociadores de Washington romperá um impasse para aumentar o teto da dívida e evitar um default.
As ações interromperam a recente calmaria, com os ganhos do S&P 500 chegando a 1% e o Nasdaq 100 atingindo o maior nível desde agosto. Os títulos do Tesouro caíram, com os rendimentos das notas de 10 anos se aproximando de 3,6%.
O presidente Joe Biden expressou confiança de que não haverá inadimplência, e o presidente da Câmara, Kevin McCarthy, disse que chegar a um acordo esta semana é “factível”.
“Não queremos ficar muito empolgados, já que os dois lados continuam distantes”, disse Win Thin, chefe global de estratégia cambial da Brown Brothers Harriman. “No entanto, temos a sensação de que há um esforço real para evitar uma catástrofe no teto da dívida, já que a data de 1º de junho está se aproximando rapidamente. Fique atento.”
O chefe do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, disse que o governo dos EUA “provavelmente” não vai deixar de pagar suas dívidas. Ele se juntou a outros altos executivos de grandes bancos em uma reunião com o líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, para discutir o limite da dívida.
A quantidade de dinheiro que os EUA têm em mãos para pagar suas contas caiu para US$ 87 bilhões em 15 de maio, aumentando as chances de o governo ficar sem dinheiro no início de junho se o limite da dívida não for aumentado ou suspenso até então.
A conta do Tesouro esteve sob pressão para baixo recentemente por causa de medidas tomadas para evitar a violação do limite de dívida de US$ 31,4 trilhões.
“Todos nós sabemos que o Tesouro dos EUA está prestes a ficar sem meios de pagar suas contas, mas já vimos esse filme muitas vezes antes”, disse Chun Wang, do Leuthold Group. “Embora, teoricamente, haja uma ameaça de inadimplência, certamente não recomendamos planejar nossas vidas em torno disso. O roteiro é muito previsível: a postura política e a arrogância continuarão até a 11ª hora, e então um acordo será feito às pressas para evitar um calote.”
Confira como fecharam os mercados nesta quarta-feira (17):

-- Com informações da Bloomberg News.
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