Juros futuros sobem após Galípolo apoiar Selic mais baixa; Ibovespa tem ganhos

After Hours: Número dois do Ministério da Fazenda indicado para a diretoria do BC afirmou que governo espera menos atrito entre política fiscal e monetária

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09 de Maio, 2023 | 05:44 PM

Bloomberg Línea — Os juros futuros de curto e longo prazos subiram diante da maior incerteza em relação à política monetária após Gabriel Galípolo, indicado pelo governo para diretoria do Banco Central, indicar apoio a uma Selic mais baixa em falas a jornalistas nesta terça-feira (9).

Após as declarações de Galípolo, atual número dois do Ministério da Fazenda, o dólar reduziu as quedas e era negociado a R$ 4,98 no fechamento do pregão na bolsa, com desvalorização de 0,50%.

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Já o Ibovespa (IBOV) fechou em alta de 1,01%, aos 101.114 pontos, nesta terça-feira (9), puxado principalmente pelas ações de empresas varejistas, diante da maior possibilidade de o BC iniciar um corte de juros, mesmo após a ata do Copom indicar que o BC está comprometido em manter a Selic elevada para reduzir a inflação.

Investidores especulam se a indicação de Gabriel Galípolo para a diretoria de política monetária pode favorecer um afrouxamento da taxa básica de juros. O presidente Lula tem criticado frequentemente o atual patamar da Selic, em 13,75% ao ano.

Nesta terça, o número dois do Ministério da Fazenda afirmou que o ministro Fernando Haddad quer evitar divergências entre as políticas fiscal e monetária e que todo mundo quer baixar os juros no país.

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Galípolo também afirmou que e que tem bom relacionamento com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e espera produzir consenso na autarquia.

Após as falas de Galípolo, o dólar reduziu as quedas e era negociado a R$ 4,98, com desvalorização de 0,50%.

O atual secretário executivo da Fazenda, que ainda precisa ser aprovado pelo Senado para assumir o cargo de diretor do BC, negou que haja intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de nomeá-lo como presidente da autoridade monetária depois do fim do mandato de Campos Neto, no fim de 2024.

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Mais cedo, a ata do Copom, divulgada pela manhã pelo Banco Central, indicou que o ambiente externo se mantém adverso, com “episódios envolvendo bancos no exterior elevando a incerteza, mas com contágio limitado sobre as condições financeiras até o momento, requerendo contínuo monitoramento”.

Na reunião, o Copom decidiu manter a Selic em 13,75% ao ano pela sexta vez consecutiva.

No âmbito doméstico, o comitê cita os altos preços ao consumidor e diz que “segue vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação”.

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A ata também cita que, apesar de ser um cenário menos provável, o Copom “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”.

Além disso, segundo o comitê, “a apresentação do arcabouço fiscal reduziu a incerteza associada a cenários extremos de crescimento da dívida pública”, mas que não há “relação mecânica entre a convergência de inflação e a aprovação do arcabouço fiscal, uma vez que a trajetória de inflação segue condicional à reação das expectativas de inflação e das condições financeiras”.

Na B3, os papéis da Vale (VALE3), do Itaú (ITUB4) e do Bradesco (BBDC4) subiam e estavam entre os papéis com maior volume de negociação e maior contribuição para os ganhos do dia. As ações de varejistas estavam entre as maiores altas do dia, com destaque para Natura & Co, Magazine Luiza, e Via, dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio.

Mercados internacionais

O desempenho do Ibovespa destoou dos principais índices de ações em Nova York, que fecharam em queda às vésperas da divulgação do CPI (Índice de Preços ao Consumidor), principal índice de inflação do país que será revelado na quarta-feira. O impasse sobre o teto da dívida dos Estados Unidos entre o governo e o Congresso americano também contribuiu para o sentimento negativo entre os investidores.

Os investidores acompanham os esforços em Washington para encerrar um impasse sobre o teto da dívida dos EUA. O presidente Joe Biden se reuniu com o presidente da Câmara, Kevin McCarthy, na terça-feira, enquanto os dois enfrentam pressão para fechar um acordo.

McCarthy rejeitou a ideia de uma extensão do limite de dívida de curto prazo antes da reunião. A secretária do Tesouro, Janet Yellen, alertou que o limite da dívida pode ser violado já em 1º de junho.

“É improvável que a reunião gere grandes avanços no impasse do teto da dívida, embora possa finalmente concentrar mais atenção na questão”, escreveu Art Hogan, estrategista-chefe de mercado da B. Riley Wealth Management. “O cenário mais provável é que o Congresso aprove uma prorrogação até 30 de setembro, quando termina o ano fiscal. Isso criaria uma batalha maior no orçamento de 2024 e no teto da dívida, tudo de uma vez.”

Outro ponto de atenção de investidores são os sinais de aperto no crédito, que ficaram aparentes em uma pesquisa do Fed com autoridades de crédito divulgada na segunda-feira. A pesquisa do primeiro trimestre mostrou que a demanda por empréstimos enfraqueceu, aumentando as preocupações com a recessão.

Diretores do Fed, incluindo o presidente do Fed de Nova York, John Williams, estão atentos a sinais de crise de crédito. Williams disse que não estava incluindo um corte de juros em sua previsão para este ano em um evento na terça-feira. Ele deixou a porta aberta nas chances de uma pausa do Fed7

O sentimento também foi prejudicado por um relatório mostrando uma queda acentuada nas importações chinesas no mês de abril um sinal de que a recuperação da economia após o fim da política de covid zer não é tão forte quanto muitos esperavam.

Os comerciantes estão aguardando o relatório mensal de inflação dos EUA, previsto para quarta-feira. Economistas esperam que o CPI suba 5% ano a ano, mostrando que as pressões de preços ainda são altas para o Federal Reserve.

Confira como fecharam os mercados nesta terça-feira (9):

-- Com informações da Bloomberg News.

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