Bloomberg — O petróleo avança nesta segunda-feira (8) com os investidores avaliando sinais conflitantes para a demanda pela commodity após um período de negociação volátil.
O tipo West Texas Intermediate (WTI) subia cerca de 2,5% por volta das 8h20 (horário de Brasília), somando-se a um ganho de 4% na sexta-feira (5), quando os futuros reduziram uma forte perda semanal.
Dados de emprego nos Estados Unidos melhores do que o esperado na sexta aliviaram as preocupações econômicas e aumentaram as expectativas de demanda por petróleo no maior país consumidor do mundo.
Os temores de uma recessão nos EUA e falências de bancos abalaram os mercados recentemente, levando o petróleo ao nível intradiário mais baixo desde o final de 2021. No entanto, os sinais de demanda física sugerem que pelo menos parte da fraqueza nos preços pode ter sido exagerada.
A quantidade de petróleo mantida em todo o mundo em navios-tanque estacionários caiu para o nível mais baixo desde meados de fevereiro, mostram dados do Vortexa.
“No geral, no entanto, o mercado de petróleo bruto permanece exposto a um alto nível de volatilidade, em parte impulsionado por mudanças extremas e regulares de posicionamento, à medida que os fundos lutam para encontrar a direção certa”, disse Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank A/S.
Os traders terão algumas perspectivas nesta semana sobre como a segunda metade do ano pode se desenvolver. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) divulga seu relatório mensal na quinta-feira (11) e, antes disso, na terça-feira (9), a Administração de Informação de Energia dos EUA entrega sua perspectiva de curto prazo.
A maior produtora de petróleo do mundo, a Saudi Aramco, também divulgará seus resultados do primeiro trimestre.
O petróleo Brent – que é usado como referência pela Petrobras (PETR3; PETR4) – acumula perdas de cerca de 11% este ano, já que a campanha de aperto mais agressiva do Federal Reserve em 40 anos estimulou preocupações com uma desaceleração ou recessão nos EUA.
A queda ocorreu apesar de um corte surpresa na produção da Opep e seus aliados, incluindo a Rússia. Ainda assim, há poucas evidências de que Moscou tenha reduzido até agora sua oferta, apesar de ter prometido fazê-lo.
Agora existem riscos de uma nova “resposta de oferta da Opep, ou pelo menos de uma pressão do grupo, em uma tentativa de conter ou sustentar os preços”, disse Vishnu Varathan, chefe de economia e estratégia da Ásia no Mizuho Bank.
Os especuladores aumentaram acentuadamente as apostas contra os mercados de petróleo na semana passada, mostraram dados. Os gestores de recursos registraram o maior aumento já registrado em posições vendidas no mercado de diesel da Europa, ao mesmo tempo em que as elevaram ao máximo desde março passado no Brent.
Os mercados de petróleo e diesel dos EUA também tiveram aumentos apenas algumas semanas após o corte da Opep+ projetado para conter a baixa.
Confira os preços do petróleo nesta segunda-feira (8):
- O petróleo tipo WTI para junho subia 2,48%, a US$ 73,11 o barril às 8h18 (horário de Brasília);
- O petróleo tipo Brent para julho avançava 2,16%, a US$ 76,93 o barril;
O Goldman Sachs (GS) atribuiu a culpa pela queda do petróleo nas últimas três semanas a uma “venda majoritariamente macrofinanceira”, de acordo com uma nota de analistas, incluindo Daan Struyven.
O banco espera que o mercado global oscile para “grandes déficits” no segundo semestre, apoiando seu argumento de preços mais altos.
O spread imediato para o Brent – a diferença entre seus dois contratos mais próximos – foi de 26 centavos de dólar por barril em atraso. O número tem flutuado recentemente, oscilando entre 37 centavos e 15 centavos de dólar por barril em retrocesso em relação à semana anterior.
-- Com a colaboração de Alex Longley.
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