Bloomberg Línea — Um dos principais e mais longevos executivos da Americanas (AMER3) decidiu sair, depois de quase três meses de afastamento. Timotheo de Barros, que ocupava o cargo de diretor de Operações (COO) e entrou na companhia em 1996 como trainee, pediu renúncia do cargo, conforme informou em fato relevante enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nesta segunda-feira (1º).
Barros foi diretor executivo do setor de lojas físicas, logística e tecnologia até o fim de janeiro. Anteriormente, trabalhou como CFO da própria Americanas, diretor de operações e CFO da B2W e CEO da plataforma física da companhia.
Ele e outros dois diretores - Ana Christina Ramos Saicali, Márcio Cruz Meirelles - e os executivos Fábio da Silva Abrate e Marcelo da Silva Nunes) foram afastado de suas funções em razão da abertura de apurações sobre o rombo contábil da ordem de R$ 20 bilhões, revelada no dia 11 de janeiro.
O ex-CEO Miguel Gutiérrez, que comandou a Americanas por 20 anos, deixou a empresa no fim de 2022 depois da escolha dos acionistas controladores de colocar Sergio Rial em seu lugar.
No dia 3º de fevereiro, Camille Loyo Faria, então recém-empossada CFO da Americanas, tinha destacado, em fato relevante, que o afastamento da diretoria “não representa qualquer antecipação de juízos”.
Na ocasião, a varejista oficializou a contratação da empresa Alvarez &Marsal como PMO (Project Management Office) para ajudar com a recuperação judicial e da consultoria da Deloitte Touche Tohmatsu para assessoria contábil, além do IBPTECH, instituto de perícias forences, e da consultoria internacional FTI Consulting, para a preservação de dados para cópia forense.
A renúncia do diretor ocorre após a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na última quarta-feira (26), para investigar suspeitas de fraude no grupo varejista.
Os principais executivos dos maiores bancos privados do país, como o Itaú (ITUB4) e o Bradesco (BBDC4), apontaram fraude na contabilidade da varejista em suas petições na Justiça. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) conduz atualmente uma dezena de procedimentos para apurar possíveis irregularidades, como insider trading (uso de informação privilegiada) e maquiagem de balanço.
Desde que entrou em RJ, no dia 19 de janeiro, a varejista busca um acordo com os seus cerca de 10 mil credores, que têm cerca de R$ 45 bilhões para receber, mas principalmente os bancos.
O grupo, que tem como acionistas de referência o trio de bilionários Jorge Paulo Lehmann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, já apresentou um plano de reestruturação que prevê venda de ativos e desconto de até 80% a seus credores, a fim de baixar sua dívida para R$ 4,9 bilhões.
O plano recebeu aval de acionistas em assembleia realizada no sábado (29), mas ainda falta a aprovação dos credores.
Por enquanto, os bancos credores concordaram em suspender as ações judiciais. Segundo o CEO do Santander, Mario Leão, a expectativa é que um acordo possa ser fechado até o mês de junho. A ação da Americanas acumula queda de 89% neste ano, ao encerrar a R$ 1,04 na última sexta-feira (28).
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